sexta-feira, 15 de junho de 2007

A Rivolução

Quando mais de mil pessoas se juntam para lutar por um teatro, que deve ser de todos, plural e diverso, é sinal de que há muita gente que se preocupa com a cultura e com o serviço público.
Se por um lado foram vários os agentes culturais a promoverem a manifestação, esta só assumiu a sua dimensão com a adesão da população.
Rui Rio não se mostrou incomodado: "já foram tantas, esta é mais uma".
Esta frase fez-me lembrar o chavão popular: "antigamente não podiamos falar, depois do 25 de Abril começámos a falar baixinho, agora gritamos mas ninguém nos ouve." Portanto, para quê continuar a gritar?
Mas talvez os passos dados por Rui Rio na passadeira vermelha sejam os primeiros no caminho para o abismo do processo Rivoli.
Filipe La Féria já disse que não fica numa cidade em que não haja público.
Mil manifestantes não é nada, mas talvez correspondam a menos mil espectadores.
Com todo o respeito que tenho pelo grande profissional que é La Féria, eu não vou ver o "Jesus Cristo Superestrela".
Este é um acto político mas, acima de tudo, de cidadania!

5 comentários:

jorge c. disse...

Eu não vou ver porque não gosto. Nem do musical nem das produções La Feria, e já vi algumas.

Quanto ao Rivoli, acho apenas estranho que se manifestem agora quando podiam-no ter feito com a bandalheira da Culturporto ou com o monopólio do S.João. Para esta discussão era importante que alguém arranjasse a agenda do Rivoli nos últimos anos.
Devo-te só lembrar, Rui, que foi feita uma concessão. A política cultural do Rivoli pertence a La Feria. Rio resolveu um problema por tempo indeterminado. Por isso não liga às manifestações. Repara bem no que digo, para depois não haver subversão do discurso. Rio resolveu um problema da Câmara. Se isto foi um erro de política cultural já é outra coisa diferente. Resolve-se nas eleições, ou até na assembleia municipal, onde todos os cidadãos podem ir e participar. Foi tomada uma decisão política legítima.
É preciso separar as águas. E se se quer realmente fazer alguma coisa, então que vá para a frente de combate alguém que saiba do que está a falar, que não invente factos e que se use de meios legítimos para reivindicar alguma coisa.
Ou estamos a falar da qualidade e aí é do gosto de cada um, ou estamos a falar de problemas relacionados com a concessão e aí é preciso sustentar o que se defende com meios de prova legítimos, não com especulações.

Rui Spranger disse...

Caro Jorge, quanto a questões legítimas da atribuição da concessão, decorrem vários processos em Tribunal e, portanto, a seu tempo teremos a legitimidade das provas quer a favor quer contra.
As eleições resolvem sempre as coisas, mas não podem nem devem obrigar ninguém a ter que ficar calado 4 anos.
Como a Culturporto foi extinta (e repara que eu nunca fui um defensor desta empresa, nem de nenhuma deste género "municipal")todas as páginas internet também o foram e, portanto torna-se difícil arranjar a programação completa. No entanto aqui ficam alguns endereços sobre a questão Rivoli:
http://dn.sapo.pt/2006/12/22/artes/culturporto_do_rivoli_espaco_para_to.html

http://esquinadoporto.blogspot.com/2006/03/culturporto-versus-executivo-cmp.html

http://www.porto.taf.net/dp/node/698

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=4&id_news=257822

http://jpn.icicom.up.pt/2007/04/18/concessao_do_rivoli_pode_estar_em_perigo.html

http://culturanoporto.canalblog.com/archives/2007/02/09/3948329.html

Estes são apenas alguns sites. Infelizmente não encontrei nenhuma agenda, mas vou tentar ver se ainda tenho alguma perdida lá em casa.

Abraço e bons estudos.

filinto disse...

Por razões óbvias - e que se prendem com o trabalho - prefiro não me "manifestar" sobre o conteúdo do protesto de ontem.

Como cidadão gostei de ver uma parte da cidade a movimentar-se por um objectivo comum (houve também um encontro, de 30 pessoas, em Lisboa). Foi cívica e com civismo.

Ao contrário do que escreve o Jorge, o presidente ligou à manifestação.

Hugo Valter Moutinho disse...

Eu acho que o Rui já disse quase tudo o que havia a dizer sobre o assunto e eu subscrevo literalmente tudo o que ele disse.
Filinto, percebo a tua posição , mas deixaste uma ponta do rabo de fora. (Eu percebo, é mais forte do que tu... Boa!) :)
Jorge, custa-me muito ver que te voltaste a espalhar pelo chão. Eu até te curto, mas parece-me que tu não consegues entender esta luta! Já conversamos muito sobre isto, mas depois deste comentário acho que realmente nunca irás perceber esta luta. Eu percebo que esta luta não é tua, é nossa, mas não devia ser só nossa e deveria ser de toda a gente. É que há pessoas que acham pouco as pérolas que se lhes dão (são muito duras de roer...), mas quando lhes dão lavagem até pulam de alegria e beijam-nos o cú (sempre é mais fácil de digerir e não é preciso pensar muito).

GRaNel disse...

A estatistica prova que 1000 pessoas a manifestarem-se contra La Feria significam 0,02% da população do Porto. Acho muito bem que essas pessoas e os seus amigos (1% - mais que o PNR) repudiem e crucifiquem Rio nas eleições. Eu continuo a dizer que mais do que cultura o Porto, e todas as câmaras do país, precisam de um plano financeiro estabilizado.

Compreendo e concordo que o processo não é transparente. Daí a tentarmos levar a nossa avante só porque estão a mexer no nosso quintal vai uma longa distância. E é por isso que Portugal está onde está... há demasiadas pessoas a olhar só para o seu quintal.

E fica aqui a promessa, não comentarei mais posts ou farpas sobre o Rivoli. Eu nunca o defendi mas se eu defendesse já tinha reconhecido a derrota. Não o entendam como afronta pessoal mas como o desabafo de alguem que está farto de ouvir os mesmos argumentos.