quinta-feira, 21 de junho de 2007

Ainda há quem acredite...

6 e 8 da manhã. O Sol raia e as ruas ganham agitação. Saio do Pinguim, bem bebido, o Shot Chesss deu a sua ajuda e sigo em direcção ao carro estacionado no largo de São Domingos. Fruto da onda La Feria, o Hotel da Bolsa encontra-se rodeado de câmaras, holofotes, equipas técnicas enfim, uma parafernália de equipamento e pessoas no bulício. Ruas cortadas, PSP’s a orientar, Belomonte parado qual Trafalgar Square em dia de Gumball 3000. A hora vai adiantada e o que mais quero é chegar ao sossego do lar, de preferência pelo caminho mais curto e mais familiar ao 147 (não vá o condutor estragar aquilo que Italianos criaram). Com bons modos e no português mais correcto que na altura me saía peço para “dar o golpe” e subir Belomonteboulevard. Permission granted. E lá pego eu no 147, meto primeira, depois segunda, já no cimo uma terceira até que… sou interpelado por novo PSP. – “Já abriu lá em baixo?”. – “Não, deixaram-me passar. Mas tambem não tarda. Está quase.” Remata com um : – “Bom dia e bom trabalho.” Ainda há gente que acredita e vê em cada um o seu melhor. Sorrio e sigo o meu caminho…

5 comentários:

jg disse...

Granel, começo a perceber e a pactuar com a tua disponibilidade, lealdade e dedicação ao Pinguim.
Quem, em perfeito juízo, produz prosa tão elevada e mantem uma serenidade de espírito aquela hora da manhã?!!
A hora que referiste é a hora dos trombudos e mal encarados personificada na carne de quem vai ou vem de trabalhar.
Adivinho que os shots terão um contributo precioso mas, no fundo, a essência esta-te na alma.
Subscrevo a condição de colectividade de utilidade pública para o Pinguim!!!!

Marta Araújo disse...

Eu estou abisbilicamente abisbílica, isto no mínimo, com as capacidades de escrita do Granel. Sim senhor rapaz! Tu 'dá-le', dá gosto ver (ler)!

filinto disse...

“Cansados vão os corpos para casa
dos ritmos imitados de outra dança
a noite finge
ser ainda uma criança
de olhos na lua
com a sua cegueira da razão
e do desejo"

"E ai de quem acorda estremunhado
espreitando pela fresta a ver se é dia
a esse as ansiedades
ditam sentenças
friamente ao ouvido
ruído
que a noite, a seu jeito, transfigura"

abraço

GRaNel disse...

Grande Sérgio. Muito bem esgalhado o comentário.

Rui Vieira disse...

Isto há com cada crente!!!
Devias era ter soprado no balão!
Mas valeu pela gargalhada que me provocaste ao ler o post.
Abraço