quinta-feira, 29 de junho de 2006

Ed Motta



Ed Motta é um dos mais criativos compositores brasileiros. Com uma sonoridade forte, pautada pela experimentação e uma total ausência de regras, Ed junta à musica popular brasileira o funk, o soul, a dance music, o jazz, o reggae, o rock e todo um conjunto de influências que gere a seu belo prazer, e que resultam numa musica fervilhante.

Ontem, dia 28, o Porto teve o privilégio de o receber para mais um concerto. Foi no Industria (ainda há espaços que nos trazem bons espectaculos) e posso-vos dizer que foi bom. Foi muito bom.

Não ponho!!!

BANDEIRAS DE PORTUGAL NAS JANELAS

Cá por mim, vou pôr uma Bandeira na janela, quando:

- Portugal deixar de ser o país da Europa com maior índice de abandono escolar analfabetismo e corrupção.

- Em Portugal, ninguém que trabalhe ou queira trabalhar ou tenha trabalhado toda a vida, ou que não possa trabalhar, passe fome.

- O desemprego não for um desígnio nacional.

- A classe política deixar de ser maioritáriamente composta por incompetentes patéticos - Se construírem menos Centros Comerciais maiores da Europa do que Centros de Saúde, Hospitais, Escolas e Infantários.

- Na ESBAL, os alunos não tenham que ir para as aulas com um balde, para apanhar a água que escorre dos tectos.

- Não se tiver que retirar os pianos de uma sala de uma Escola Superior de Música, porque o chão ameaça ruir.

- Os morangos com açúcar sejam exclusivamente uma sobremesa.

- Acabar a pouca vergonha do Estado (com o dinheiro dos cidadãos) gastar 3.500.000€ com transportes dos Deputados e milhares de cidadãos não terem dinheiro nem para comprar o passe.

- As crianças e os velhos forem tratados com dignidade, pelos pais, filhos, professores; educadores; instituições e políticos.

- Os papás ensinarem as crianças que os Professores devem ser respeitados.

- Todos os professores forem competentes.

- A polícia deixar de fingir que não vê as lutas de pit-bull nas diversas Trafarias do País, bem como as corridas a 250Km/h em várias Pontes Vasco da Gama do País, às 6ªs feiras à noite.

- As televisões entenderem que, ao transformar os Incêndios em grandes espectáculos de variedades, estão a transformar os incendiários em realizadores e produtores de grandes programas de televisão, o que os enche de vaidade e é altamente motivador.

- Se investigar como é que aquele senhor arranjou dinheiro para comprar o Ferrari.

- A violência doméstica, a pedofilia, a violação e todos os crimes cometidos contra crianças, forem punidos com 50 anos de cadeia.

- Os novos submarinos forem trocados por equipamento para apetrechar condignamente todos os hospitais e escolas do país, e com o que sobra, se comprar tractores e traineiras.

- Os Portugueses perceberem que as figuras do CONTRA-INFORMAÇÃO, não são caricaturas, mas o retrato fiel das pessoas retratadas.

- Os bebés das mães portuguesas, deixarem de ir nascer a Badajoz.

- A selvajaria anual de Barrancos, acabar por falta de espectadores.
- Os jornais, revistas, programas de rádio e de televisão, chamados de desportivos souberem que além do futebol, se praticam mais 347 outros desportos e que mesmo no futebol, há outros Clubes além do Sporting, do Benfica e do Porto.

- Não houver 19 causas nº 1 de morte em Portugal, conforme o idiota que estiver na altura a ser entrevistado na televisão ou na rádio.

- O Joel Costa, que faz crónicas na Antena 2, for condecorado no Dia de Portugal, em vez do Mourinho.

- Não houver ninguém a afirmar que há 700.000 portugueses com reumatismo, 1 milhão com asma, 500.000 impotentes, 350.000 c/ osteoporose, 800.000 c/ transaminase pélvica, 430.000 c/ tuberculose, 685.000 c/ deficiência renal, 6.780.000 c/hipertensão, 2 milhões c/sinusite claustrofóbica, 843.000 c/ panaríceos isquémicos galopantes, 2.400.000 c/ problemas auditivos, 300.000 com hérnias discais, 210.000 c/ béri-béri abdominal, 780.000 c/ diversos tipos de cancro 600.000 c/ hipersíase traqueovisceral crónica, para preocupar as pessoas com a prevençao e os médicos cobrarem 80 € por consulta.

-Não houver nenhum 1º Ministro que tenha a lata de abandonar o País à má fila, em plena crise, para ir sôfregamente atrás de um qualquer tacho mais aliciante.

- A gripe das aves não tiver direito a mais do que 1 minuto de tempo de antena, por mês, incluindo a informação de que morreram 1 indonésio e 2 chineses, quando nos 5 segundos que demorou a noticia, morreram mais de 700.000 pessoas com outras 250 doenças e 300.000 crianças morreram de fome, de malária e de cólera em África.

- Nenhum governante tiver o desplante de dizer que "abriu a época oficial de incêndios".

- O nº de óbitos motivados por incompetência ou negligência médica for zero.

- A TVI encerrar por total falta de audiência.

- O Estado, e os homens do espectáculo, pedirem desculpas públicas, póstumas, ao José Viana.

- A população não eleger para Presidentes de Câmara indivíduos fugidos à justiça.

- A maioria dos Jornalistas souber falar e escrever português, e deixar de fazer constantemente perguntas idiotas aos entrevistados.
- Houver, no estrangeiro, tantas pessoas que conheçam o Eusébio, o Figo, o Cristiano Ronaldo e o Mourinho, como o Camões, o Prof. Agostinho da Silva, O Maestro Vitorino de Almeida, O Prof. Vitorino Nemésio, o Fernando Pessoa e muitos, muitos outros que nunca deram um pontapé numa bola.

- Houver tantos Portugueses que sabem quem são, a Maria João Pires e a Helena Vieira da Silva como os que sabem quem são o Pinto da Costa, o Valentim Loureiro, o Luis Filipe Vieira, o Manuel Goucha, a Cátia Vanessa, o Abrunhosa, a Júlia Pinheiro, a Quicas Vanzeler, e o Mantorras.

- As Helenas Vieira da Silva não tiverem que emigrar para fazer carreira em países civilizados.

- O peixe não chegar às mesas de quem o pode comprar 10 vezes mais caro do que foi vendido nas lotas, para que mais pessoas o possam comer e menos intermediários se possam encher.

- Os caçadores deixarem de, sistematicamente, abandonar os cães, no fim da época da caça ou, forem presos se o fizerem.

- Os autores dos programas infantis de televisão, perceberem que uma criança não é um atrasado mental.

- Os pequenos e médios Empresários Portugueses não comprarem o 2º Mercedes e a casinha no Algarve, antes de pagarem os ordenados que devem aos Trabalhadores, as Facturas que devem aos Fornecedores, e as contribuições que devem à Segurança Social e ao Fisco.

- Os projectos Aeroporto da Ota e TGV tiverem sido unicamente brincadeiras de mau gosto.

- O Estado e as Câmaras Municipais pagarem os milhões que devem aos Fornecedores e outras Entidades credoras.

- Se o Estado for condenado a pagar indemnizações, devidas a erros cometidos pelos Governantes individualmente, elas sejam pagas do bolso desses governantes responsáveis e não pelo Estado, pois o dinheiro do Estado é de nós todos e não fomos nós que fizemos a asneira.

- Os alunos dos diversos graus de ensino, passarem de ano por terem tido notas para isso e não porque os papás apresentaram recursos idiotas e os Professores e os membros dos Conselhos Directivos tenham medo de perder o Emprego.

- As milhentas estações de rádio e as televisões, que só divulgam Anjos, Batnavó, Clãs, Papaossos, Toutaver, Andacáquésminha, Blindtreta, Tarantantan, Fuckyou, Put your finger in my ass, Alex's e Toni's, Magdas Vanessas, Cátias Tampinhas, Carlas Bzz e mais 3.500 grupos e "artistas" da nossa praça, utilizarem 10 minutinhos por dia a divulgar a música dos Mozarts, dos Beethovens, dos Schuberts, dos Tchaikovskys, dos Verdis, dos Puccinis e de mais 50000 compositores que se entretiveram, no seu tempo a fazer música (a musiquinha ainda não tinha sido inventada) e os Gershwin's, os Bernsteins, os Casals, os Rodrigos e muitos outros que fizeram música, mesmo depois das musiquinhas terem sido inventadas.

- Nenhum ministro, nenhum professor, nenhum jornalista disser tênhamos ou possamos.

- Não for possível ouvir no noticiário de uma rádio uma "jornalista" dizer frases como esta: "A Câmara de Lisboa tem um projecto para a construção de um viaduto sobre o bairro da Graça, para facilitar o tráfico no local", ou outros 500 dizerem que "Um batalhão da GNR vai para Timor, sobre o comando do Major Lopes da Silva" ou outros 1500 dizerem: "O Ministro Lopes da Silva foi um dos primeiros que chegou ao local do incêndio".

- Houver mais pessoas a ouvir os Madredeus do que o Quim Barreiros.

- Não for possível assistir ao espectáculo degradante, porque hipócrita, de ver candidatos a eleições, nos Mercados a dar beijinhos às peixeiras, (óbviamente, na maioria dos casos, completamente enojados).

- Não for possível assistir ao espectáculo deprimente, com direito a transmissão em directo pela televisão, de um 1º Ministro ir a Troia, com toda a comitiva, para a varanda de um apartamento alugado e pago com o dinheiro dos nossos impostos, carregar num detonador faz-de-conta (de cartão e esferovite), para teatralizar a implosão de um prédio abandonado, como se se tratasse do lançamento de uma nave para a lua, com 3 astronautas portugueses a bordo.

- As obras públicas, que são pagas com o nosso dinheiro, deixarem de custar sistemáticamente mais do dobro do que foi orçamentado e adjudicado e que a palavra "derrapagem" seja substituída pela palavra "roubo".

- Nas greves, deixe de ser possível, sistemáticamente, o Governo ou as Administrações das Empresas dizerem que houve uma adesão de 15% e os Sindicatos dizerem que a adesão foi de 95% (um deles, ou os dois, estão a fazer de nós, palhaços).

- Os Polícias não tiverem medo dos Ladrões, os ladrões tiverem medo dos polícias e os cidadãos normais não tiverem medo dos polícias.

- Figuras ridículas do tipo Zés Castelo Branco, Cinhas e outros Jardins, Hermans Josés (pós 1995) Lilis Caneças e mais 5.000 figuras destas que aparecem na televisão e nas Revistas, bem como os Editores das mesmas, estiverem internadas em Unidades de Saúde Mental.

- O Sr.Marques Mendes não tiver a lata de criticar o Sr. Sócrates por ter aumentado o IVA de 19% para 21%, e de vender património, quando no Governo anterior, da cor dele, a primeira medida que foi tomada, foi aumentar o IVA de 17% para 19%.e ao longo do mandato, só não se ter vendido a Torre de Belém, os Jerónimos e o Convento de Mafra porque não apareceu nenhum dos grandes Empresários da nossa praça, interessado, já que nenhum destes edifícios dá para transformar em Centro Comercial.

- Os médicos, fizerem greve para obrigar os Governos a dar condições de assistência digna aos cidadãos, em vez de as fazerem exclusivamente por motivos de dinheiro.

- Os professores fizerem greve para obrigar os Governos a transformar o ensino numa actividade digna para eles e para os alunos e não só por motivos de dinheiro e outros interesses pessoais.
- Os Trabalhadores e os Médicos que validam baixas fraudulentas, forem presos.

- As Empresas deixarem de adulterar as Contas, para fugir ao Fisco.
- Os Professores Fernandos Páduas e outros, derem uma trégua às campanhas histéricas anti-tabaco e começarem uma campanha anti-alcool, que é incomparavelmente mais prejudicial à Sociedade do que o tabaco (mesmo que eles bebam que nem esponjas).

- As áreas de serviço das auto-estradas deixarem de ter clientes, por as pessoas não gostarem de ser escandalosamente exploradas.

- Não houver mais telemóveis topo de gama do que cidadãos.

- Todos os comentadores da bola que debitam verdadeiros tratados de futebol na televisão e na rádio e escrevem nos pasquins, forem contratados para treinadores dos maiores clubes, pois só assim esses clubes podem ser todos campeões.

- Os médicos deixarem de se pavonear nos corredores e nos bares dos hospitais, com o estetoscópio pendurado ao pescoço, pelo mesmo motivo porque os informáticos não andam com o rato, as costureiras não andam com a fita métrica, os boxeurs não andam com as luvas de boxe, os jogadores de snooker não andam com os tacos e os bombeiros não andam com as mangueiras.

- Os milhentos dirigentes das milhentas Fundações, fizerem alguma coisa útil, além de receber o ordenado.

- Não for verdade que os Deputados faltaram em massa ao trabalho para irem passar um fim-de-semana prolongado, ao Algarve e isso ser a coisa mais natural da vida.

- Nenhum médico operar o pé esquerdo, são, de um doente que tinha um problema grave no pé direito e, no fim, justificar-se com: "até foi bom, porque assim, já não vai ter o problema no pé esquerdo" sem ser imediatamente expulso da Ordem dos Médicos.

- Só houver palhaços, nos circos .

- A Publicidade enganosa levar os anunciantes, à prisão.

- Os projectos de construção forem efectuados por Arquitectos e Engenheiros, e os construtores civis só tratarem da construção.

- Se souber o resultado de UM SÓ dos inquéritos que se diz terem sido levantados a diversas figuras públicas e Entidades oficiais, pela presunção de diversos crimes.

- Nas clínicas privadas a grande maioria dos partos deixar de ser feita por cesariana com data marcada, porque uma cezariana factura muito mais e dá muito mais honorários ao médico, do que um parto natural.

- As jóias, os Rolls, os Ferrari, os Maserati, os Porshe, os Veleiros, os Rolex , os telemóveis topo de gama, as lagostas, o caviar, os visons, etc, forem taxados a 500% de IVA , os automóveis de 1000cc, a 5% e as batatas, o arroz, o azeite, o leite, o açúcar, a fruta, as couves, o pão, os ovos, os frangos, e os transportes públicos, a zero.

- Encontrar num restaurante ou num café em Portugal, mais empregados portugueses do que brasileiros.

- Os fumadores, que querem deixar de fumar, perceberem que os medicamentos e produtos anti-tabaco que apareceram, de repentente, no mercado, como barabuntas e que custam balúrdios, são óptimos para enganar os papalvos e encher os Laboratórios ainda com mais lucros.

- O futebol voltar a ser um desporto.

- Os nossos deficientes que vão aos Jogos Paralímpicos, não precisem de andar previamente a fazer peditórios públicos para arranjarem dinheiro para as despesas de deslocação aos mesmos e tenham direito a ser falados em caixa alta, nos jornais, nas rádios e nas televisões, quando estão a competir e quando regressam, carregados de medalhas (ou não).

- No dia da partida para o Rali LISBOA-DAKAR, a 1ª página d'A BOLA (que tem a lata de se chamar de jornal desportivo), não seja totalmente preenchida com uma fotografia gigante do Nuno Gomes e o título "O HOMEM DO ANO".

- As ementas dos restaurantes no Algarve estiverem escritas em português.

- Entre os indivíduos que têm poder para instalar sinais de trânsito, não haja nenhum pateta.

- Ninguém for ao aeroporto, à chegada da selecção nacional, eliminada do campeonato do mundo, só para ofender selváticamente o seleccionador nacional.

- Nas escolas de condução se ensinar as pessoas a conduzir, em vez de ensinar a fazer inversão de marcha, a arrumar o carro e a não deixar o motor ir a baixo.

- Os Joões Pintos, os Sabrosas, os Decos, que proliferam no futebol português. apanharem 20 jogos de suspensão, cada vez que simulam um penalty, da mesma forma que quem rouba uma carteira vai preso.

- Os meus filhos e todos os outros Portugueses da sua geração, puderem planear a vida a mais de 3 meses e os meus netos e os dos outros Portugueses, tiverem alguma perspectiva de viver um futuro com dignidade.

- E por fim, quando conseguir uma consulta de Oftalmologia no Hospital Egas Moniz, que pedi há mais de um ano.

No dia em que tudo isto, ou, quase tudo isto, acontecer, juro que ponho Bandeiras de Portugal bem grandes em todas as janelas da minha casa (se ainda tiver casa, se a casa ainda tiver janelas e se Portugal ainda existir)
Mesmo que a selecção!!! NÃO SEJA Campeã do Mundial de Futebol!!!
Até lá, fico recolhido em casa com as janelas bem fechadas, cobertas com cortinados bem opacos profundamente envergonhado.

In Internet
http://quarto213.blogspot.com/

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Bob Dylan, para ouvir recomenda-se

A sessão que nos foi apresentada pelo Vitor conduziu-nos através da vida e obra de Bob Dylan pelos "olhos" de Martin Scorsese.
Quem já experimentou escutar Bob Dylan de olhos fechados, depressa terá ultrapassado a estranheza à sua voz nasalada para se deixar seduzir pela magia dos seus temas.
Ontem o Vitor decidiu então apresentar-nos a sua paixão por este cantor (de intervenção?). Tarefa simples caso optasse por nos dar para audição os seus temas. Mas... o Vitor foi mais longe do que isso.
Despindo-se de fundamentalismos, mostrou-nos o Robert Zimmerman e colocou o Criador perante a Criação.
Ora é neste ponto de reflexão que me encontro. Sendo indiscutivel a qualidade artistica de Bob Dylan e o mérito em quebrar barreiras, especialmente na transposição da Folk Music para o Blues, Bob Dylan enquanto Criador comportou-se tal qual um qualquer artista Pop.
Em momento algum da sua ascensão mediática, Bob Dylan foi coerente com a mensagem das suas letras, e sempre se mostrou indiferente para com quem ela se sentia representado.
É verdade que Bob Dylan sabia interpretar os momentos de convulsão vividos nos anos 60, mas seria ele capaz de individualmente concordar com os gritos de protesto? Acharia ele justo os protestos anti-guerra, as preocupações anti-nucleares, as reinvindicações dos negros, dos homossexuais ou dos partidários da livre expressão?
Não creio. Bob Dylan é egocêntrico. Bob Dylan é um génio, dirão alguns. Bob Dylan é um produto do proto-marketing musical, diria eu.
Ao longo dos tempos, em todas as épocas, surge sempre individuos com capacidade para absorver o que os rodeia e difundi-lo através da sua arte e engenho, mas devemos confundir aqueles que são partidários dos ventos de mudança com os que tão somente a propagam sem a verdadeiramente sentir. Podemos colocar Bob Dylan no mesmo patamar de Bono Vox por desmentir categoricamente José Eduardo dos Santos quando invocou o seu apoio, ou Jean-Paul Sartre ao recusar o prémio Nobel da literatura, ou mesmo Pedro Abrunhosa quando bradou "Não pagamos" ?
A vida para mim é uma pirâmide na qual vamos acrescentando um degrau sempre que a base está coerentemente cimentada. Caso contrário seremos apenas uma pedra rolante sem saber onde irá parar.

"No direction home" - a outra face da moeda


“No direction home” de Martin Scorsese, foi o ponto de partida para mais esta sessão do Clube dos Pinguins. Este documentário, mais do que um compêndio de factos, faz um maravilhoso retrato – cheio de pequenos testemunhos muito intimistas – de um jovem artista na procura da sua identidade musical, acompanhando a sua transição do folk ao rock e a electrização das suas músicas.
“Like a Rolling Stone”, com fãs a vaiarem e apuparem Dylan no festival de folk de Newport abre o documentário. Scorsese volta a estes concertos continuamente. E fá-lo por uma razão - para mostrar a ambivalência da relação que Dylan tem com os fãs (e no fundo com tudo o que o rodeia). Ora está preocupado em cativar, ora está na dele e a borrifar-se por completo para o que se passa à sua frente (o abuso de alcool e drogas não é alheio a este facto).
Outro caso de ambivalência é a completa mudança de Dylan no seu estilo de escrita. Nos inicios da década de 60, escreve “Blowin in the wind”, um hino aos direitos civis. Dylan conseguia abordar temas sociais e politicos com letras poéticas como ninguem. Com essa capacidade, granjeou o estrelato e a aceitação dos jovens americanos. Os mesmos jovens que anos após, o apuparam e vaiaram, chegando mesmo a chamar-lhe traidor. Isto porque, Dylan estava diferente, o seu som era outro, mais eléctrico e as letras mais introspectivas e oniricas (disto é exemplo Mr Tambourine Man – provavelmente a minha musica preferida de Bob Dylan), claramente influenciadas pela poesia beat e perdendo a sua componente de protesto. Aos apupos e assobios, Dylan respondeu com indiferença e um aumento de som. Nunca se sabia se Dylan ia cativar os fãs ou ignorá-los.
Através de entrevistas a amigos e pessoas que trabalharam de perto com ele bem como entrevistas ao próprio, “No direction home” vai desmontando e mostrando o verdadeiro Dylan e coloca-o no lugar que merece; não só ao lado dos maiores poetas e vivionários americanos mas tambem, como o showman por excelência. Mas “No direction home” mostra mais; mostra um miudo inseguro e alheado (quase autista em determinados momentos), escondido atrás de uma máscara de arrogância e indiferença, para além das doses cavalares de drogas e alcool.

E foi assim, que o filme foi passando e terminou em amena cavaqueira onde, grosso modo, todos concordámos com as opiniões ali expressadas. Espera-se mais controvérsia na próxima terça. Pelo menos foi o que a próxima “apaixonada” prometeu.
A todos quantos não puderam ir ontem ao Clube ou que ainda não tiveram oportunidade de ver o filme, lanço-vos o desafio de o verem e ficarem a conhecer este homem, que é sem dúvida um dos grandes músicos do nosso tempo.

terça-feira, 27 de junho de 2006

Macacos

Eu nem vou dizer nada. Tipo "Euronews" a rubrica "No Comment". Deixo-vos à solta para os comentários...

http://www.youtube.com/watch?v=iuJ_XRjDRQU

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Kings of Convenience

A última música trazida ao blog pelo Jorge referia um estilo que me é muito querido, e no qual pontifica a banda Kings of Convenience.
Acima de tudo atrai-me a sua simplicidade e limpidez. Sem artefactos que não a voz e o dedilhar da guitarra envoltos numa melodia próxima das lullabies. Atrai-me ainda a sua tranquilidade. Atrai-me também para o Mar. Porque é junto dele que me confesso. Atrai-me definitivamente para o doce exercicio do sonhar... com os olhos abertos, mas também aberto o coração.
Por tudo isso, Kings of Convenience, in "Cayman Islands". Para quem pretender ver o video seguir o link

O nosso fado...

António Manuel Rodrigues

Famalicão TV

Na ultima terça tivemos mais uma paixão de um novo elemento. A Marta apresentou-nos o seu bébé!
Ainda não anda sozinho, mas já gatinha. É a Famalicão TV.
Este é um projecto inovador de televisão na net, apesar de são ser unico nem o primeiro, já várias experiencias se fizeram e, como o Vieira lembrou, já há outras net-tv's registadas.


A Famalicão TV surgiu como projecto paralelo de alguns profissionais da comunicação de Famalicão. Reza a lenda, que num tradicional passeio nocturno do mentor do projecto, ao passar numa farmacia, terá ficado atraído pelo sistema de informações das farmácias, matutando no assunto pensou no que seria fazer uma tv interactiva na net... Assim desafiou a malta e o projecto desenvolveu-se até nascer em fins do ano passado.

Este projecto tem crescido lentamente, como tudo que vive da carolice de quem o faz, os objectivos são modestos, conseguir um espaço próprio, um carro, um comercial... Contudo, o realismo tem dominado... A Marta apresentou vários dados sobre o evoluir deste trabalho, uma das questões levantadas (e muito discutidas) foi sobre o financiamento, a Famalicão TV é independente e vive de publicidade, isenta de ligações a qualquer tipo de "patrono".

A Famalicão TV não tem alinhamento, o que pode levantar dúvidas sobre a sua identidade, ou seja, se é realmente uma televisão, mas funciona como meio de divulgação e informação local. Como qualquer orgão deste género acaba por ser, também pela facilidade do meio, um elo de ligação com quem está longe, apesar de já sermos um país de acolhimento, somos um país de emigrantes com portugueses espalhados por todo o mundo (o Rui tem confirmado nos seus diários).

A filosofia desta net tv é só dar noticias boas. Estranho... Mas por principio a Famalicão TV quer divulgar o que acontece em Famalicão, não sendo o seu principio puramente noticioso, tudo o que de mau vai acontecendo fica para os jornais, rádios e televisões que cobrem esta area. Assim, na Famalicão TV podem encontrar peças sobre as associações, festivais e acontecimentos locais, sempre pela positiva!

Já agora visitem www.famalicao.tv

Diário de viagem IV

No dia de futebol, entre todos aqueles portugueses, estabelecemos um especial contacto com o João, que é do Porto e que está a viver aqui em Wroclaw.
O João convidou-nos imediatamente para irmos até casa dele e se necessário a pernoitar ali. Como ja tinhamos pago duas noites de Hostel, seria escusado estar a dar-lhe trabalho.
Ontem o João convidou-nos para irmos até ao campo, aqui nos arredores de Wroclaw, aonde vivem os pais da namorada dele, a qual não tivemos nem vamos ter para já a oportunidade de conhecer. Mas conhecemos os pais... a mãe, a Magda, é jardineira e o pai, o Tadeusz, é um importante actor aqui na polonia e que divide o seu trabalho entre o teatro, o cinema e a televisão.
Fomos extraordinariamente bem recebidos por eles, e pelos 5 cães e os não sei quantos gatos que convivem juntos naquela bela casa de campo no meio de uma enorme planície com alguns bosques.
Depois de muita conversa animada, fomos os três, o João, o Zé Pedro e eu, dar um passeio por um bosque ali perto.
Regressamos a casa da Magda e do Tadeusz, onde nos esperava uma tradicional sopa polaca acabada de fazer.
Por fim, regressamos a Wroclaw, para irmos ao Teatro Nacional ver o Tadeusz representar.
O facto de não percebermos nada de polaco e de não conhecermos o texto não ajudou muito, mas não deixou de ser um enorme prazer vê-lo em Palco. A ele e aos outros actores também, que se via serem francamente bons, embora a encenação fosse entediante e extremamente clássica.
Por fim fomos para casa do João deixar as nossas bagagens, fomos jantar e a seguir comemorar o solistício de verão e brindar muito às sardinhas e aos martelos que por aqui não há!



escrito a 24 junho 2006

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Diário de viagem III

Depois de termos dormido na antiga casa de Taduesz Kantor e de ter estado aqui a escrever o ultimo post concluído à pressa devido ao horário do comboio, ainda passamos, a caminho da estação, num pequeno atelier de lapidação de diamantes, onde trabalham dois dos actores que trabalhavam com o Kantor que nos receberam com uma enorme humildade e alegria.
O orgulho era mútuo... ainda havia gente que se lembrava do trabalho deles e nós, quais putos em frente do Cristiano Ronaldo ou do Figo, a tirar fotografias com eles.
Depois veio a viagem que durou 4h e que nos deixou na mais simpática cidade da Polónia. Finalmente uma cidade que apesar de algum turismo não é bombardeada por este, uma cidade cultural, uma cidade que fervilha num dia a dia rotineiro dos seus trabalhadores, em que as pessoas não são profissionalmente simpáticas, apenas são.
Ontem assistimos ao jogo de Portugal numa esplanada da Rynek (Praca do Mercado - os centros da cidade aqui) e aos poucos iam aumentando o número de Portugueses e no início da 2ª parte eramos entre 20 e 30 tugas a cantar como se estivéssemos no estádio perante alguma incredulidade desta gente que após o desaire da Polónia nao quer muito ouvir falar de futebol. Mas lá acabaram por ficar contagiados com tanta alegria. Claro que lá íamos cantando às vezes cânticos típicos da claque polaca e a dar vivas à Polónia.

terça-feira, 20 de junho de 2006

Cenas Suspensas



Durante a última semana de Maio até ao dia 8 Junho esteve, na estação de Metro do Campo 24 de Agosto, a exposição "Cenas Suspensas" onde figuravam várias marionetas de vários espectáculos do Teatro de Marionetas do Porto (TMP). A exposição estava integrada na programação do Fitei, que desde o ano passado, durante o festival, faz uma exposição sobre a temática cénica nesse local. Como desta vez até pinguins apareceram, resolvi partilhar com voçês estas imagens.
A exposição era grande e imponente. Não passava despercebida a ninguém, mesmo o madrugador transeunte meio adormecido reparava e parava para ver a "bonecada" que por alí pairava. O único senão desta exposição era o horrível background que a estação "forrada a casa de banho" em si proporcionava. As cenas em volta das ruínas funcionavam muito bem e até ganhavam alguma imponência, mas as que ficavam juntos às paredes de azulejo perdiam muito peso e pareciam enclausuradas dentro de uma casa de banho. Quem está habituado ao poder das imagens que o TMP nos habituou, com um desenho de luz rigoroso, um jogo de luz e sombras brilhantes e cores realcadas pelos contraluzes, decerto teve um choque ao deparar-se com tanta "merdaleija".

Para quem não viu a exposição e estiver interessado pode ver aqui mais fotos da mesma.

Diário de viagem II

Às vezes há coisas que nos acontecem e que nos parecem inverosímeis...
Se estou hoje na Polónia, é porque há muitos anos que queria vir a Cracóvia, cidade onde nasceu, viveu e morreu um dos mais impressionantes criadores e mestres teatrais, Tadeusz Kantor.
Como chegamos na passada sexta-feira à noite deparámo-nos com o inacreditável. Todas as instituições ligadas ao Kantor, inclusive as duas galerias-museu, estavam encerradas durante o fim de semana, o que nos obrigaria a permanecer em Cracóvia, pelo menos até segunda-feira, ou seja, ontem.
Assim, depois do Check-out do hotel, dirigimo-nos directamente a Crikoteka, o centro de estudos do Kantor. Fomos extremamente bem recebidos e pediram-nos imensa desculpa pelo fim de semana de espera e levaram-nos a visitar as galerias, sendo que uma delas está instalada na última casa onde viveu Tadeusz Kantor, na qual além da exposição de cartazes, fotografias e objectos de cena, podemos também ver o quarto onde dormia , deixado exactamente como ele o deixou no dia da sua morte.
Disseram-nos em segredo, que possivelmente em breve tudo aquilo vai mudar, por questões heriditárias... Somos das últimas pessoas a ver o quarto dele tal como está.
Mas aqui acontece o inverosímel, o contacto que estabelecemos com o Tomasz, um dos responsáveis pela Krikoteka foi tão caloroso e sincero, que nos vimos eu e o Zé Pedro com a chave da casa do Kantor, para passarmos a última noite em Cracóvia na casa e no quarto ao lado do de Tadeusz Kantor!!!
Inacreditável, não?
Preparamo-nos agora para partir para Wroclaw, atrás de outro grande mestre:
Grotowski

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Diário de Viagem I

Sempre gostei de visitar cemitérios...
Muita gente pode achar estranho, ou mórbido, ou outra coisa qualquer.
Mas apesar da morte que inevitavelmente está presente nestes locais, está também presente o amor.
Nunca me esquecerei de um túmulo que vi no Pére Lachaise em Paris. Uma pirâmide enorme com dois textos gravados na pedra, um do marido e outro do pai da senhora ali enterrada. O túmulo, com mais de cem anos, ja não guarda concerteza corpo nenhum, mas regista a existência passada de alguém e sobretudo o amor que lhe foi dedicado em vida.

Ontem estive nos dois maiores cemitérios do mundo.
Neles não está registado o amor, apenas o NÃO ESQUECEMOS!
E é fundamental não esquecer o HORROR!
E é importante ir-se lá, mesmo que durante horas fiquemos com um nó na garganta, as lágrimas nos olhos e com raiva, muita raiva...
Raiva pela atrocidade cometida no tempo dos nossos pais, raiva dos turistas a tirarem fotografias a sorrir ou a deixarem latas de cerveja em cima de camas ou a deixarem registado nas paredes um idiota Paul 2005, ou outro nome qualquer, ou outra data qualquer...

Mas também há as poucas coroas de flores... " Para as criancas que aqui morreram, nós nunca as esqueceremos!" e apetece chorar e esquecer aqueles rostos, mas há que lutar para se não esquecer nunca que existiu

KL AUSCHWITZ I
KL AUSCHWITZ II - BIRKENAU

domingo, 18 de junho de 2006

The Postal Service

Numa altura em que a música parecia estar um pouco parada, no início do sec. XXI, à volta do mundo foram aparecendo várias bandas com uma sonoridade bastante diferente que depressa atingiu os tops e encheu grandes salas. Coldplay, Kings of Convenience, Turin Brakes, Jack Johnson e mesmo Travis, entre outros, fizeram nascer aquilo a que alguém chamou de New Acoustic Movement. O NAM parecia trazer as canções de volta ao espectro da música popular contemporânea e ressuscitava os songwriters que até à segunda metade da década de 90 tinham tido o seu apogeu, muito por culpa do desaparecimento do Grunge, mas que agora estavam a desaparecer. Novas sonoridades se impunham no mundo.

Na electrónica acontecia praticamente o mesmo. Depois de uns anos 80 cheios de inovação e mudança, dando o ponto de partida para as novas tendências da dance music, os anos 90 pareciam estar a ser massacrados primeiro pelo exagero do tecno e mais tarde pelo tédio do house. A Intelegence Dance Music (IDM) abria as portas para um mundo de sonoridades completamente diferentes. Desde a majestosa criatividade de DJ Shadow, ao fenómeno Thievery Corporation até à inqualificável dupla Kruder & Dorfmeister, parecia que no ar pairava algo de novo. E assim começou, com Air, Dntel, Cornelious passando por outros projectos que juntavam, igualmente, canções com uma construção bastante clássica aos ritmos urbanos mais recentes.

É neste contexto que aparece esta banda que vos trazemos hoje - The Postal Service. Esta dupla americana, cujo o nome nasce da troca de ideias de músicas que faziam via correio, representa um novo estilo a que os especialistas chamaram de Electronics- meets-indie rock, nome este que torna evidente do que se trata. Aqui podíamos fazer uma breve referência às influências mais notórias deste projecto como serão os Pet Shop Boys (mas em bom) ou os New Order. No entanto quer-me parecer que há nestes Postal Service uma beleza muito própria e que os torna únicos. Essa foi a sensação que tive quando os ouvi pela primeira vez, na rádio, lá está! Canções simples, melodias alegremente melancólicas e batidas que puxam pela vontade de dançar, até do maior dos pés-de-chumbo.

Esta é a minha sugestão para esta semana. Espero que seja do agrado de todos e que vos desperte para outras sonoridades. Fiquem então durante esta semana com The Postal Service e o tema «Sleeping In».


sexta-feira, 16 de junho de 2006

Sem rumo

Na passada 4ª feira, o Rui Vieira e a Cláudia trouxeram-nos uma sessão bem diferente do habitual. Trouxeram o local da trabalho às costas (qual tartaruga da Helena), e mostraram-nos o que fazem no seu dia-a-dia na rádio Costa Verde.

A sessão começou com as habituais apresentações, num formato diferente: um verdadeiro mix de apresentações e farpas, sendo que uma das farpas era sobre as quotas e a paridade, e não vinha mais a calhar porque, pela primeirissima vez, as mulheres superaram os homens no Clube dos Pinguins!!! Desculpem lá, mas eu tinha que falar sobre isto.

Estava a mesa preparada para a sessão, mas com uma luz vermelha que nos (me) intrigou muito. Pois é, era a luz “ON THE AIR”, que se iria acender brevemente, quando a Cláudia soltou para o microfone e o Rui para a técnica para nos maravilharem com o programa de rádio que fazem juntos, e que se chama “Sem rumo”. Um programa de autor e com substância, ao contrário do que muito se faz por aí. E porque um bom programa de rádio não se faz sem tema e sem um alinhamento, falou-se sobre a música intervencionista e com um alinhamento que ia desde o José Mário Branco até um Paco Ibañez, passando por Woodstock.


Musica de Intervenção (de resistência ou protesto), é música composta com o propósito principal de criticar qualquer coisa (normalmente com fins políticos). Em Portugal, ela é inevitavelmente relacionada com a resistência à ditadura salazarista e a nomes como José Mário Branco, Zeca Afonso e Sérgio Godinho (entre muitos muitos outros). Este movimento das décadas de 60 e 70, é também chamado “Canção Livre” que, penso eu, deve ser por oposição à repressão que a ditadura fez às caras deste movimento e às suas músicas. Destas canções livres, foi-nos dado a ouvir José Mário Branco com Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Adriano C. Oliveira com Trova do vento que passa, e uma cantora mais popular chamada Ermelinda Duarte com Somos Livres.

Mas, porque música de intervenção não se faz só em Portugal, fomos também a Woodstock ouvir Joan Baez, Janis Joplin e Bob Dylan. Em 1969 estava-se em plena Guerra do Vietnam, um conservadorismo político-social enorme, que os hippies do Peace and Love nao queriam para eles. Por isso, Woodstock será sempre conhecido como um movimento de protesto. Um aparte: infelizmente, estes hippies do peace and love e da liberdade (podem ler libertinagem), não transmitiram o mesmo aos seus filhos, e temos hoje uma América profunda, tradicional e ultraconservadora. Noto alguma hipocrisia no meio de tudo isto.

Por último foi nos dados a conhecer Mercedes Sosa da Argentina, Joan Manuel Serrat, Ismael Serrano e Paco Ibanez (lindíssima esta canção Me lo dicia mi abuelito) de Espanha. Eu escrevo aqui estes nomes, para que vocês os retenham na vossa memória e procurem músicas deles. Vale verdadeiramente a pena.

Embora a sessão fosse sobre rádio, o que o Rui e a Cláudia nos trouxeram foi muito importante, quanto não seja, por nos fazerem lembrar que há pessoas que viveram e vivem oprimidas por protestarem com a sua voz e a sua música. Hoje em dia, temos uma música de intervenção diferente. Não contra governos e ditaduras, mas contra uma sociedade capitalista e consumista, que é igualmente opressora. Penso que temos como exemplo disso o algum hip-hop que se faz em Portugal.

Uma coisa é certa: houvesse mais radialistas como o Rui e a Cláudia, e o panorama de rádio português seria bem diferente. Eu, pelo menos, ouviria muito mais rádio!

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Monstros da Liberdade - a saga há de continuar

E pensávamos nós que a semana ìa ser mais calma depois daquilo que o nosso amigo Tó relatou. Pois, nunca poderia ser já que mesmo aqui ao lado, a uns bons milhares de quilómetros o povo Timorense continua exaltado com a sua liberdade! O que é que se passa com esta gente???? Ninguém lhes explicou o que é a Somália, Angola, Guiné, Ruanda????

Como se não bastasse esta miséria, esta semana temos mais uma de génio! Então não é que os senhores do Expresso (Francisco Pinto Balsemão, fundador do Partido Social Democrata) ofereceram no Sábado passado uma bandeirita para a malta poder comemorar os triunfos da nossa Selecção??? O problema é que estes senhores acham que a bandeira da Republica Portuguesa não é a mesma da Selecção e resolveram colocar publicidade, nos cantos, ao seu próprio jornal e ao banco dos seus amiguinhos das revistas cor-de-rosa (que ceita). Ora, diz o artigo 11º da Constituição da República Portuguesa que a Bandeira Nacional, símbolo da soberania da República, da independência, unidade e integridade de Portugal, é a adoptada pela República instaurada pela Revolução de 5 de Outubro de 1910. Eu compreendo que os senhores acreditem piamente que esses simbolos de soberania e integridade sejam eles, mas não são! Pois, é, não são mesmo! Mas talvez o Prof. Jorge Miranda, o Prof. Gomes Canotilho ou até o nosso querido professor dos serões em família lhes possam explicar isso. Venho assim, mostrar a minha total indignação pela falta de respeito a tão nobre símbolo da Nação! Sim, eu sei, que muitos não partilham desta opinião porque isso da Nação é uma treta, mas eu sou uma pessoa que gosta destas coisas e não é só para aparecer nas revistas. Até porque nem sou eu que os pune! O artigo 332º do Código Penal fala precisamente no ultraje a símbolos nacionais. E... isto são publicações que compramos facilmente em qualquer livraria, não são propriamente códigos enfiados na Torre do Tombo!

Mas o jornal que todos elogiam desta vez também passou das marcas! Estava eu muito descansadinho a ver o Irão-México e, desta forma, a cumprir o meu dever patriótico que era, no caso, analisar as tácticas destes fulgorosos adversários da selecção das quinas, heis senão quando um querido amigo chegou com o Público debaixo do braço. Ora, eu como curioso dei uma espreitadela quando de repente vejo um novo suplemento para pré-adolescentes (suponho) cujo título nem vi já que fiquei... nem sei como fiquei! Linguagem bué da jovem, necos kiduxos k mts ks e jinhos, só jinhos! Ganda cena, tão a ver! Enfim, os Morangos com Açucar têm assento na Imprensa! Agora julguem vocês pois não me apetece minimamente estar a falar na função social da Imprensa em informar e de certa forma educar o grande público dando-lhe conteúdos de qualidade de forma a que a sociedade evolua em consciência! Mais uma vez devo ser eu nesta minha linha de pensamento conservador! Talvez se defender o aborto ou a liberalização das drogas e a sindicalização da prostituição no final isto passe despercebido!

Mas isto continua! Também ainda só vamos a meio da semana!
O grande simbolo da educação portuguesa (os nossos professores) resolveram fazer greve hoje, quarta-feira, 14 de Junho. Curiosamente, ontem em Lisboa foi feriado e amanhã é feriado nacional! Deve ser coincidência! Até porque é a integridade da Fenprof que está em causa!

E com isto já estou cansado! talvez me aguente até ao fim do dia sem nada dizer. Mas se me lembrar de alguma coisa já sabem!

P.S. Já estava mesmo acabar de escrever o texto quando os senhores da sic disseram que a PSP apreendeu uma série de Bandeiras que continham publicidade estampada já que esta situação é violadora do Código Penal e até mesmo do Código da Publicidade. Mas foi só naquela zona! Pena a PSP não ter entrado nas instalações do Expresso. Não deixa de ser irónico a notícia ser da Sic!

terça-feira, 13 de junho de 2006

Outras Marchas


Ontem à noite marcharam sobre a Avenida da Liberdade, em Lisboa, os bairros desta cidade como já é habitual desde 1932 nestas noites de Sto.António.
Embora o Santo Padroeiro da cidade de Lisboa seja S.Vicente, Sto.António é o padroeiro de todas as casas lisboetas e, por tal, juntam-se as casas, as ruas e juntos desfilam com o seu bairro avenida abaixo. A marcha é linda!
Mas a festa não está só aqui! A festa faz-se em cada bairro, em cada rua desta cidade! O cheiro das sardinhas e do vinho tinto no ar, o arraial em que todos dançam, novos e velhos.

Hoje os tempos são outros e à tradição dos Santos Populares juntam-se novos ritmos, novas danças! Do kizomba ao mais alucinante electro-clash, de Luanda a Kiev todos dançam e cantam! A cidade está em festa! Talvez Lisboa acorde algumas vezes e nos faça abrir os olhos também. Mas há alturas em que ainda podemos sentir Lisboa antiga e sonhar!

Ontem e hoje esqueci as sombras de Lisboa, os dealers, os junkies, os chulos, as putas, a miséria, a violência. Ontem e hoje cantei o fado e olhei cá de cima do Castelo com a Mouraria a meus pés, vi Lisboa, vi o Tejo! Desci tudo por Alfama e voltei a subir até ao Bairro Alto, passando antes pelo Chiado. As ruas enchem-se de sorrisos e alegria, do Mercado da Ribeira ao Alto Pina. Como é linda esta cidade! Esquecemos que os tempos são outros!

Tudo seria perfeito se eu não estivesse em S.Mamede de Infesta a estudar para Teoria Geral da Relação Jurídica! Por momentos fechei os olhos e vi Lisboa menina e moça!
Como diria Vinicius «e tudo se acaba na 4ª feira»!

(Por falhas no blog não consegui publicar este post na 3ª feira e por isso peço desculpa)

domingo, 11 de junho de 2006

Próxima sessão - Quarta Feira

A próxima sessão do Clube dos Pinguins será na próxima Quarta-feira , dia 14 de Junho (véspera de feriado) e será co-apresentada por mim e pela Cláudia Novais.
Espero vê-los por lá a dar uma mãozinha....

sábado, 10 de junho de 2006

Monstros da liberdade

A história tem sido profícua em monstros, só no seculo XX a Europa conheceu vários, de Salazar a Franco, de Hitler a Mussolini, de Estaline a Ceausescu. Mas a verdade é que estes eram monstros reconhecidos, o sentido crítico dos povos apontava-os a dedo. Hoje tudo é diferente, vivemos no século XXI, em plena liberdade, em democracia.
Todos temos direito a uma opinião e manifestamo-la. Quando o carro avaria todos sabemos porquê. Todos julgamos a culpa do acidente que, lentamente, observamos na estrada. Todos conhecemos os nossos politicos e sabemos o que querem fazer.
Todos nós sabemos falar sobre tudo, porque temos uma opinião e o direito a manifesta-la.
Agora pergunto-me se ainda sabemos ouvir, sobretudo se compreendemos aquilo que ouvimos...

Esta semana todos ouvimos uma serie de histórias que poderiam ser preocupantes se não vivessemos em liberdade democrática:

  1. A Helena na sua sessão lançou uma farpa que acho merece ser relembrada. Está a ser preparado um projecto lei para proibir as mulheres solteiras de fazer inseminação artificial. Foram vários os comentários nos pinguins, eu deixo apenas uma pergunta: de que temos medo? Da excumunhão do Papa Ratzinger, perdão, Bento XVI? Quem sabe, de um bilhete no expresso do inferno sem paragem no purgatório, por desrespeito aos valores seculares da familia cristã...
  2. O Partido Popular Europeu apresentou uma proposta para financiar o Parlamento Europeu aplicando uma taxa na transmissão de SMS’s e E-mail’s, dão como exemplo uma taxa de 1,5 centimos por cada SMS enviado. Ou isto é perfeitamente idiota ou há aqui algo que me passa ao lado, se alguém me conseguir explicar o que os SMS’s e E-mail’s têm a ver com o financiamento dos politicos no parlamento europeu eu agradeço, para além de ser a descoberta da galinha dos ovos de ouro, muitos ovos de ouro...
  3. Os nossos amigos Scolari e Madail têm andado muito preocupados com algumas críticas que se lhes vai fazendo, queixando-se das opiniões negativas manifestadas por alguns comentadores desportivos, até aqui podia dar o braço a torcer, não fosse os comentários que o Sr Scolari publicou na imprensa brasileira e passo a citar: "Eles têm bronca, raiva e inveja dos brasileiros. Um diz que é cineasta. O outro, o pai dele foi um grande escritor... mas ele é uma bosta. Um terceiro ganhou uma herança do tio e ficou rico. E tem uma mulher famosa que diz que é a Marília Gabriela de Portugal.", Sendo que o nosso amigo está a falar de António Pedro Vasconcelos, Miguel Sousa Tavares e Rui Santos.
  4. Esta semana, o padre Acílio Fernades, responsavel máximo da casa do Gaiato, deu uma entrevista à antena 1 para desmentir maus tratos das crianças na instituição, qual não é a surpresa do jornalista quando a meio da entrevista um gaiato de 5 anitos, provavelmente curioso pelo aparato do jornalista, é afastado pelo seu “pai adoptivo” à bofetada. Depois do choque, o jornalista pergunta-lhe porque o tinha feito e se aquilo não seriam maus tratos, ao que o senhor padre responde “não” “Isto não foi um mau trato, foi um bom trato”.
  5. Esta semana fabulosa deu-nos ainda um documentário sobre as acções da Frente Nacional, com o seu porta voz a exibir uma arma ao país e a dizer “Estamos preparados para, quando chegar o dia, tomarmos as ruas de assalto (...) Não vamos deixar que aconteça o mesmo que em França”. Nessa mesma noite foi preso e libertado na manhã seguinte queixando-se da falta de liberdade de expressão em Portugal, e por isso, mantendo a vontade de ir à alemanha, país livre, onde podia discursar para “uns milhares de pessoas” num encontro internacional de nacionalistas... Parece-me estranho que se queixe da falta de liberdade de expressão quando defende xenófobia, fascismo, nazismo e violencia, para além de que, neste contexto, um “encontro internacional de nacionalistas” é uma frase que me parece bizarra...
  6. “Last but not least”, a Holanda, país democrático e acérrimo defensor da liberdade de expressão, viu nascer um novo partido político, o NVD (a sigla do partido significa "Caridade, Liberdade e Diversidade”) tem como primeira proposta a alteração da idade mínima para ter relações sexuais consentidas de 16 para 12 anos, sendo o objectivo a longo prazo o desaparecimento desta lei de idade mínima. Ora este grupo de activistas pró-pedófilia não acha justo serem vistos como comuns criminosos e pretendem, através deste partido, lutar para acabar com as restrições etárias no sexo com crianças, defendendo o sexo a partir do nascimento...

Obviamente nada disto é preocupante, vivemos em liberdade, em pleno seculo XXI. Somos pessoas racionais, sensatas e inteligentes. Todos sabemos que estas coisas não existem e os monstros pertencem ao passado, à idade média... A inquisição, a segregação racial e a opressão são temas que aparecem nos livros de história para obrigar os miudos a estudar...

sexta-feira, 9 de junho de 2006

As tartarugas maritimas não têm sangue frio

Uma aula de biologia marinha pela voz de uma Médica veterinária,uma perspectiva diferente na abordagem dos comportamento animal.Tem outro sabor o mar e outro toque a areia quando sabemos da necessidade da partilha com os nossos amigos e locatários primeiros desses habitats,os homens são capazes do pior mas também do melhor e disso deu provas Helena Hoster,ainda estagiária,ao empreender uma tentativa de devolução ao mar de uma tartaruga em vias de extinção,aliás como todas as espécies deste animal,que só nã foi coroada de êxito porque a mãe natureza determinou o contrário.Ficamos a saber e agora volto ao titulo,que os répteis em geral e as tartarugas em particular não têm sangue frio ,bem pelo contrário,em condições inadequadas de temperatura tendem ao enfraquecimento por perda de apetite e stress.Não são muito diferentes de nós,apenas carregam no dorso uma carapaça mais visível e incontornável.Em conclusão expresso votos sinceros que o exemplo da Helena Hoster faça escola e que as equipas portuguesas de estudo da vida maritima possam ser compostas por elementos de áreas mais diversificadas que a biologia pois o enriquecimento das acções agradece o contributo das outras disciplinas do conhecimento do mundo animal e dos procedimentos correctos à execução da melhoria dos habitats.
P.S.- Foi uma sessão curta mas densa em bom estilo.

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Air

Para rodar no blog (e peço desculpa pelas insuficiências técnicas) escolhi os franceses Air.
Esta banda destaca-se pela abordagem que faz da música electrónica sem descurar o poder da palavra.
O tema proposto " How does it make you feel?" surge numa atmosfera intimista, inicia com um ligeiro sussurro e termina como se se dirigisse (in)directamente ao ouvinte (ou será apenas a mim por ser fumador?)
Serão muitos os projectos musicais capazes de abordar assim o ouvinte?


No My Space da banda encontram o 1º hit "Sexy boy" e ainda o video de "Surfing on a Rocket". Segue o endereço: http://www.myspace.com/intairnet

P.S. Ao pesquisar no pc temas dos Air, encontrei o tema em destaque num ficheiro cedido por um irlandês que passou pelo Pinguim. Penso que os habitués (e particularmente as habitués) se recordam do Austin! Para ele um enorme abraço.



domingo, 4 de junho de 2006

Acima dos pasteis de belém...


Nunca me vou esquecer da primeira vez que provei aquele que hoje é, para mim, o Dolce preferido…
Cannolo de nome, consiste numa “casca” de massa com cacau frita e recheio de ricotta trabalhada com pistachios e pepitas de chocolate. Tipicamente Siciliano, o cannolo é uma sobremesa frequente naquela ilha e sem dúvida um orgulho (na rica) cultura gastronómica que, por aqueles lados, acarinham.
No Godfather ( O Padrinho), mafiosos houve que padeceram enquanto se banqueteavam com esta iguaria envenenada e assistiam a uma ópera. No mesmo filme, frases como Lascia la pistola, prendi i cannoli (deixa a arma e trás os cannoli), fazem pequenas e subtis referências que envolvem os locais de origem do mundo mafioso.

ps. o que mostro na foto... comi-o eu! :)