Sexta-feira, 11 de Maio de 2012

HISTÓRIA DO SÁBIO FECHADO NA SUA BIBLIOTECA

Era uma vez um Sábio que tinha lido todos os livros e sabia tudo. Nada do que existia, e mesmo do que não existia, tinha para si segredos. Sabia quantas estrelas há no céu e quantos dias tem o mundo. Conversava com os animais e com as plantas e conhecia o passado, o presente e o futuro. Como sabia todas as coisas e não tinha nada para saber e conhecer, a sua vida era muito triste e desinteressante. Era uma vida sem espanto…

O Rui Spranger apresentou-nos uma das suas maiores paixões, promovendo uma sessão extra da peça "História do Sábio Fechado na sua Biblioteca", exclusiva para o Clube dos Pinguins, amigos e conhecidos (que grande nível!! ahah).

Com texto de Manuel António Pina, encenação de João Luiz e brilhante interpretação de Rui Spranger, a peça deixou-nos a todos colados do início ao fim, quer pela história interessante e ambígua que conta, quer pela quantidade de personagens e vozes em que o Rui se tem de desmultiplicar. Um verdadeiro "one-man show", vos garanto!!

Embora destinada a um público mais jovem (M/6 anos), a história leva-nos numa viagem esquizofrénica à mente do sábio e ao confronto dele com o saber dos livros, com as experiências da vida e com a própria morte. O Rui disse-nos depois que o texto tinha sido escrito por Manuel António Pina, enquanto estava internado no hospital e quicá, a delirar. Ainda bem, porque resultou num texto excelente!!

No final, tivemos a oportunidade de estar numa conversa animada com o ator e com o encenador, acerca das ambiguidades na interpretação do texto e das mensagens que a própria peça transmite, seguindo depois para o nosso local "sagrado" eheh.

E lá então, pudemos ser sábios por uns instantes, fechados no nosso Pinguim a desgustar umas belas dumas cervejas.


Já agora, ficam aqui as próximas sessões, para quem não teve oportunidade de assistir:
Sábado, dia 12, às 16h00 e às 21h30
Domingo, dia 13, às 16h00

Contactos:
Teatro da Vilarinha
Rua da Vilarinha, 1386
Tel: 226108924

Quarta-feira, 9 de Maio de 2012


            Viagens no tempo    
Desta vez, tinha mesmo de ser eu a escrever o post. Por três razões: em primeiro lugar porque já não escrevia há anos – uma vergonha; em segundo lugar porque o Hugo, antes de começar a sessão, perguntou quem seria o voluntário enquanto me atirava um olhar irresistível, com as pupilas dilatadas; e, em terceiro lugar, porque eu não consigo realmente imaginar tema que me fascine mais. Quem me conhece sabe disso, e o Hugo sabia: umas horas antes da sessão, para me convencer a não faltar, enviou para o meu gtalk duas palavras-chave: “Quantics… Heisenberg… aparece!”. E eu fui logo a correr.
            Na verdade, a sessão consistia num documentário sobre viagens do tempo. Portanto, o Heisenberg e a mecânica quântica só apareciam lá para o fim; o protagonista clássico deste assunto, como toda a gente sabe, é o Einstein. Mas tudo bem, não me senti defraudado.
Acima de tudo, como sempre, foi uma sessão divertida. Até teve um certo tempero sexual: alguém desconfiou, a dada altura, que o documentário tinha sido disponibilizado por um canal suspeito, um tal «Ânus TV» que, alegadamente, apareceu listado no ecrã do portátil do Hugo (não posso confirmar isto, não vi com os meus próprios olhos). Mas a ideia não é totalmente descabida: de facto, a teoria da relatividade geral é cheia de buracos negros, túneis, alongamentos do espaço, comprimentos e geometrias, etc, etc... :)
Agora a sério: o que eu achei do documentário? Bem intencionado, mas fraquinho. Demasiado sensacionalista e, pior ainda, muito impreciso. Não era a plausibilidade das teorias ou o aprofundamento teórico da temática que estavam em causa. Tudo tinha de ser equacionado em termos de uma utilidade prática: afinal de contas, quanto tempo é que ainda vamos ter de esperar até podermos comprar um bilhete (económico) para o futuro ou para o passado? Em suma, o documentário parecia realizado por uma criança histérica acabadinha de sair de uma sessão do “Regresso ao Futuro”. Mas o pior, como eu dizia, foram os erros técnicos. Só um exemplo: a dada altura, era preciso ilustrar o modo como os objetos com massa deformam o tecido do espaço-tempo, deformação que, por sua vez, cria alterações na trajetória (até) da própria luz. E eis, então, que uma animação colorida nos mostra um feixe de luz a dirigir-se diretamente para uma estrela, a desviar-se radicalmente quando chega à imediação da estrela (como se esta tivesse um escudo), a contornar a estrela num semicírculo perfeito e, por fim, já do outro lado, a retomar a sua trajetória original. Pessoalmente, nunca ouvi falar em luz que saiba contornar obstáculos (a não ser talvez através dos meta-materiais investigados pelos militares para se criarem «mantos da invisibilidade», mas isto não é para aqui chamado). Tenho a certeza que até os cientistas entrevistados para o documentário devem ter ficado embaraçados quando viram – se é que viram – a animação de que eu acabei de falar.
Não quer dizer que não haja documentários do género igualmente apelativos, igualmente sensacionalistas, mas rigorosos. Não posso deixar de fazer aqui uma pequena lista. Duas das minhas minisséries favoritas são narradas por dois físicos conhecidos: Stephen Hawking (que dispensa apresentações) e Brian Greene (um dos cérebros por detrás da teoria das cordas). Estes dois senhores são grandes cientistas mas também grandes divulgadores da ciência para leigos como nós. E as suas minisséries são respetivamente:    
“Master of the Universe – A Brief History of Time”, de Stephen Hawking (2 episódios).
“The Elegant Universe”, de Brian Greene (3 episódios).
É claro que o ideal seria lerem os livros dos autores (que estas séries tentam sintetizar). Aqui vai uma lista dos livros que eu aconselho:
Hawking, Stephen, “Breve história do Tempo Ilustrada” (1996) – provavelmente o livro de divulgação científica que mais me influenciou até hoje, mas tem um problema: está já muito desatualizado.
  Hawking, Stephen, “O Grande Desígnio” (2010) – o seu livro mais recente. É pena que, neste livro, ele já não esteja tão otimista quanto a certas possibilidades e a certas respostas. Em última análise, a impressão que fica é que cada vez sabemos menos. (Eu sei que há muita gente que adora o sentido poético desta conclusão, mas eu prefiro manter-me otimista).
Greene, Brian, “O Universo Elegante” (1999) – Delicioso. Sobre as grandes questões e as grandes respostas.
Greene, Brian, “O Tecido do Cosmos” (2004) – Um pouco mais pessimista que o anterior, mas também delicioso e lê-se com facilidade. Para fazerem uma ideia dessa «delícia», o livro tem quase novecentas páginas e eu consegui lê-lo em quatro dias, estendido ao sol numa praia alentejana. Dias maravilhosos.  

Bem, este post já vai longo…
            Para terminar, mando aqui o meu abraço ao Hugo. Obrigado pelo modo fascinado, divertido e despretensioso com que nos trazes as tuas paixões.

Até para a semana a todos (se o tempo e o espaço deixarem).

Filipe

Quarta-feira, 2 de Maio de 2012

Bem vindos ao Norte! ( Bem bindos ao Nuarte!)



Numa noite fria de véspera de feriado a  Alexandra aka Xanoca presenteou-nos com uma bela surpresa, o filme "Bienvenue chez les Ch'tis" de Danny Boom. Este não é um filme qualquer pois tornou-se um fenómeno de audiências em França sendo o segundo filme mais visto depois do Titanic.(!!!!!!!!)
Depois de conhecermos esta informação as expectativas eram altas, mas não foram goradas, esta obra da sétima arte  arrancou-nos sorrisos e gargalhadas genuínas! Houve até que chorasse de tanto rir! (não digo quem, nem aponto)
Cá vai uma pequena sinopse, à la Carmuue:
Para bem da felicidade matrimonial, Philipe Abrams, chefe de um posto de correios, candidata-se a um lugar numa paradísiaca cidade da Riviera francesa...usando os expedientes mais radicais... Como é apanhado mais depressa um mentiroso que um coxo (ou um paralítico?)...o plano de Philipe é exposto e como punição é enviado para a longínqua e setentrional cidade de Bergues. Espera-o um cenário dantesco: um clima gélido e inclemente, costumes bárbaros e locais (os ch'tis) constantemente embriagados que dialogam num linguajar insondável (Ch'tis ch'tis ch'tis ch'tis ch'tis)... Protegido por camadas e camadas de roupa super-isolante, Philipe deixa mulher e filho para penosamente cumprir o seu castigo rumando a norte, para o seu inferno pessoal... mas eis que quando lá chega...
Ah pois, não vou contar mais! era o que faltava! só acrescento uma citação:  "um Sulista chora duas vezes quando vem ao Norte, quando chega e quando se vai embora".
A visualização do filme tornou-se ainda mais interessante e colorida pela discussão que se seguiu: a inevitável comparação com as diferenças culturais entre o Norte e o Sul deste nosso país à beira-mar plantado (os sutaques, as cumidas, as bubidas e as práticas sociais) enfim, o quanto o Sul desconhece o Norte e... vice-versa?
...para não falar de uma quasi-sanguinária controvérsia sobre "onde começa o Norte" que se prolongou até ao dia seguinte...
Já agora um detalhe super-fofinho: o filme é dedicado à mãe do realizador que era uma Ch'tis.
(ainda não perceberam o que é um Ch'tis? toca a (re)ver o filme!)

Merci Bien Xanocá!

Sexta-feira, 20 de Abril de 2012

Próxima sessão dia 26 de Abril!

Caros pinguins e Caras pinguínas, na próxima semana o clube vai mudar de tasco!
A sessão vai ser no Bar do Mundo, na rua Mouzinho da Silveira nr 234. 
Seria trés simpatique se a sessão pudesse começar pelas 22h ;) 
Cá vai, em jeito de teaser:
http://www.youtube.com/watch?v=5vAbdxTcRgU&feature=relmfu

Quinta-feira, 29 de Março de 2012

Max Richter


E uma quinta-feira o Águia esvoaçou até à cave para nos dar a conhecer Max Richter, este senhor aqui em baixo...

Trata-se de um compositor Britânico de origem Alemã. Estudou composição e piano na Universidade de Edimburgo e fundou, após ter terminado os estudos, o Piano Circus, com mais cinco pianistas. Participou neste projecto durante dez anos, primeiro como pianista e mais tarde como compositor.

Em 2002 lança o seu primeiro álbum a solo, Memoryhouse onde explora histórias reais e imaginárias criando um estilo de música experimental que denomina de “documentary music”. Seguiram-se The blue notebooks (2004), Songs from before (2006), 24 Postcards in Full Color (2008), From the Art of Mirrors (2009) e Infra (2010).

Max Richter foi também responsável pela banda sonora de filmes como “Valsa por Bashir”, “Shutter Island”(entre outros).

Nas suas músicas Max Richter usa samplers de origens variadas: sons de ambiente, vozes e leituras de textos (Kafka, Murakami,...).

Da (falsa) simplicidade do som do piano a solo até à sumptuosidade de uma orquestra, todas as músicas deste compositor têm uma capacidade em comum: gerar emoções.

Pois não é essa a função da arte? Oiçamos então arte!

Deixo-vos um -mui pessoal, umbiguísta e de (in)questionáveis critérios- cardápio de músicas e sensações:

“On the nature of daylight” o dia chega cheio de nostalgia e inquietação…

“Embers” transporta-me em melancólicos voos de serenidade…

O hipnótico “November” que me descompassa o coração e a respiração…

A beleza mesmerizante e sombria de “Sarajevo”

A grandiosidade esmagadora de “Last days”

Infra 5 – que me traz uma emoção que não lhe sei o nome e por isso inventei-lhe um: Soluptioso

Sr. Águia, muito grata pela partilha, sigo pela vida com o Memory House debaixo do braço e um caleidoscópio de emoções no regaço!

Quarta-feira, 28 de Março de 2012

J. R. R. Tolkien

No início da minha adolescência cheguei a jogar The Hobbit, que tinha sido lançado em 1982 e transpunha para o ecrã a ficção interativa, popularizada pela coleção Aventuras Fantásticas e outras. Acabou por ser o meu primeiro contacto com o mundo de J. R. R. Tolkien.


Em 1992 os GNR lançam o seu sexto álbum Rock in Rio Douro, do qual faz parte a música que ouvi vezes sem conta Sub-16, que diz:
E com dezasseis
Nunca se teve tempo de ler O Senhor dos Anéis
Só de uma vez
E durante bastante tempo cheguei a usar para fundo do ambiente de trabalho a imagem The Dark Tower, de John Howe, ignorante de que se tratava da sua conceção da torre Barad-dur. No secundário, também via o Silmarillion a circular entre os meus colegas metaleiros.


Foi assim crescendo a minha curiosidade pelo fabuloso universo de Tolkien, mas foi já na faculdade que dei o mergulho, precipitado pelo anúncio da adaptação da trilogia O Senhor dos Anéis ao cinema, numa megaprodução assinada pelo mestre do gore Peter Jackson. O meu objetivo era conseguir criar o meu próprio imaginário antes de qualquer contacto com o filme, sob risco de o contaminar, fosse mesmo apenas com um trailer. Ainda tive sucesso durante a leitura da Irmandade do Anel, mas nos seguintes livros já me era indissociável Frodo Baggins de Elijah Wood, assim como Gandalf de Ian McKellen.

Mas pouco sabia da vida «do primeiro geek» não fosse o Águia ter decidido presentear o clube com uma sessão sobre J. R. R. Tolkien.

Fiquei assim a saber que, apesar de Sir, não era inglês, antes tendo nascido em Bloemfontein, atual África do Sul e sido educado por um jesuíta. Que uma influência para a sua paixão como linguista foram os estranhos nomes das estações de comboio da linha que servia a sua casa. Frequentador de sociedades, a sua cultura estende-se ao conhecimento de inúmeras línguas, entre as quais finlandês, islandês, grego e latim! As suas obras acabam por permitir aplicar todo este conhecimento.

Mas muito mais pode ser aprendido vendo a sua excelente apresentação.



Eu por mim vou já adicionar o Silmarillion à minha lista de livros a ler, que o apetite foi aguçado!

Quarta-feira, 14 de Março de 2012

Chilly para aquecer

E se de repente, ao passar na rua, alguém se dirigisse a nós pensando que éramos outra pessoa?
“Não, o meu nome não é Chilly, confundiu-me com alguém!”.
E foi mais ou menos assim que nasceu Chilly Gonzales

Numa noite fria na cave que, às Quintas, é dos Pinguins, o Rui Spranger trazia na algibeira um pouco de Chilly para aquecer a noite.
Jason Charles Beck, canadiano a residir em Paris, começou a tocar piano aos três anos e fez-nos gostar um pouco mais de piano, naquela noite.

Chilly Gonzales Live with Radio Symphony Orchestra Vienna, não é só um concerto de um pianista acompanhado por uma orquestra proveniente da Cidade dos Músicos, é um espectáculo de um homem que transparece o quanto gosta do que faz, que brinca com a música como uma criança, e nos faz gostar de tudo o que vemos e ouvimos.

Um verdadeiro “one man show”, que se assume como entertainer, mais do que como artista, porque segundo as suas próprias palavras “um entertainer faz amor com o público e um artista apenas se masturba, pretende agradar a si próprio”.
É interessante ouvir a explicação na voz do próprio.

Com aspecto de louco, Chilly faz amor com o piano, namorisca com a orquestra e conquista o público, sem pretensões, em pantufas e despenteado, como se estivesse entre os melhores amigos.
Vale a pena acompanhar a carreira deste homem apaixonado. É por ser apaixonado pelo que faz, que nos fez a todos, naquela noite, apaixonar pelo trabalho dele. Tão apaixonado que devia ser Pinguim.

Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012


Quem te porá como fruto nas árvores – De Ruy Belo


Difícil este post, difícil por estarmos a falar de algo tão subjectivo, como arte.
Pegando na velha máxima, cada cabeça sua sentença, vou fazer um post através da visão que eu tive desta peça.
Assim sendo, sentado no escuro do teatro, vou narrar o que vejo da peça.
A cortina abre...

Como numa galeria vemos os quadros, esses quadros transmitem sensações, historias, desabafos, vida, ou morte.
E nesta peça vi isso tudo, tal como as pinceladas de um pintor, foi-me mostrado uma narrativa poética de um senhor já no seu final de vida a relembrar tudo o que tinha vivido, a relembrar as suas sensações, as suas historias, os seus desabafos, a sua vida.... e o chegar da morte.

Através de um conjunto de poemas ele fala-nos das coisas que viveu, mas não pensem que estava lá apenas uma única pessoa, não estavam lá 4 actores pois, e tal como disse Constança Carvalho Homem (dramaturgia e assistência de encenação) “Era-me pedido um percurso para quatro actores, dois homens e duas mulheres, preferencialmente organizado em núcleos de sentido, polinizador o bastante para que dele se erguessem outras paisagens”.

Mas neste quadro poético teatral existe nestas quatro personagens que são um só  humildade e a simplicidade de um ser humano, segundo a ASSÉDIO – Associação de Ideias Obscuras “Optámos por uma espécie de despojamento: o vídeo e plano fixo, como uma fotografia dilatada no tempo, os pés descalços e a simplicidade de recursos levados à cena foram o modo como pensamos poder respirar a grandeza de Ruy Belo, usufruir e transmitir os sentimentos imensos das palavras”

Assim com a obra de Ruy Belo que nos é transmitida nesta peça, senti-me pequeno e ficamos a pensar na simplicidade que e a vida pois:“São tão humanas algumas árvores são mais humanas que se fossem humanas e os seus ramos têm coisas de mão”- Ruy Belo

Para terminar a ficha técnica e neles um Pinguim:

Dramaturgia e assistência de encenação- Constança Carvalho Homem
Espaço técnico e figurinos – Sissa Afonso
Desenho de luz – Nuno Meira
Sonoplastia – Francisco Leal
Vídeo – Alberto Plácido
Interpretação – João Cardoso – Raquel Rosmaninhos – Rosa Quiroga – Rui Spranger (pinguim)
Coprodução – ASSÉDIO
 local - Teatro Carlos Alberto

http://tv.up.pt/videos/C6E9yB97

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

"Como água para chocolate"

Na sessão do dia 2 de Fevereiro, a nossa amiga pinguina Olga, levou-nos ao cinema da nossa cave (porque também já a adoptei!). Começou por apresentar o filme, baseado no romance da escritora mexicana Laura Esquível, "como água para chocolate", adaptado para cinema pelo seu próprio marido Alfonso Arau.

O tema inspirava logo, principalmente para quem gosta de chocolate como eu!
Contudo, mais do que o chocolate em si, que aparece uma vez como ingrediente, é a forma como é preparado, em água a ferver.

Como a água para o chocolate é o ponto de ebulição que lembra um momento, um estado de prazer afrodisíaco, o extase.

No género de obra latino-americana que lembra as fantasias, por exemplo de Isabel Allende na Casa dos Espíritos, o contexto histórico das guerras civis entre extremas direita e esquerda, as histórias que rodam à volta de famílias tradicionalistas, conservadoras, campestres, quase isoladas e o papel da mulher na sociedade de então, são ingredientes fundamentais para marinar uma boa história recheada de contradições e paixões.

Descreveria esta obra pelo simbolismo que carrega. A paixão de Tita e Pedro é o fósforo de todo o enredo, que consome cada personagem e no fim se consome a si própria.

Começa com a narradora da história, sobrinha de Tita, na cozinha a cortar uma cebola. Porquê uma cebola? Acho que é por fazer chorar! O mesmo choro das lágrimas de Tita que, ao nascer em cima da mesa da cozinha, se transformou em sal!
Outro ingrediente que parecia fundamental era o destino. A ordem pré-estabelecida e a tradição da filha mais nova não se casar para poder cuidar da mãe até à morte.
Cingida às lides domésticas, é na cozinha que Tita se expressa, reage a este destino. O sentimento e as emoções combinam com os ingredientes mais curiosos como pétalas de rosa, enfeitiçando todos os que saboreavam as iguarias. Transformando a mãe, frigida com o tempo (vítima do mesmo peso de filha mais nova), libertando o padre das amarras de castidade, despertando a paixão de uma das irmãs de Tita por um soldado revolucionário em fuga, montados num cavalo, ela nua agarrada a ele.

Lembro-me de outro símbolo curioso, o da manta que Tita ia costurando à medida de cada contrariedade.

No fim discutiam-se as escolhas de produção e estilos de representação do elenco. A "beleza" da actriz Lumi Cavazos também não foi indiferente fazendo-nos recordar a imagem das mulheres antigas, latinas e de rosto sereno.

Com este filme recordamos também as nossas memórias da cozinha antiga, do lar todo em pedra, espaço de estar, de cozinhar, preparar e comer.

Foi um excelente serão que me despertou para a leitura deste livro! Obrigada Olga por este momento bem passado!




Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

So You Think You Can Dance


Humm. Será que sabes dançar?
Mas será que sabes mesmo dançar?
Mas tens a certeza que sabes dançar?
Pronto, já te viste a dançar? Humm... e ainda dizes tu que sabes dançar?
Ok não sabes dançar, isto é dançar...


Agora que já viste o que é dançar, posso continuar a escrever este Post.
Com um sapateado clubista pinguinzado, a Xanoca fez o favor de nos mostrar o que é dançar, não não foi ela que saltou para cima da mesa e desatou a fazer um ballet moderno, apenas foi mostrando, o que é dançar através de um programa de televisão de seu nome So You Think You Can Dance.

Programa este do qual ela é fã. Mas fica a dúvida, ela é fâ da dança ou do programa? Humm deixo a apresentadora do programa responder a esta pergunta…
Mas custa escrever este post. Pois as imagens valem mais do que as minhas palavras, e que imagens, assim sendo… vejam lá isto e perguntem-se se sabem mesmo dançar.


E mais nada...

Esperem... aqui vai um resumo deste programa que anda a dar na Fox Life.

‘So You Think You Can Dance’ é um fenómeno de entretenimento que deu e trouxe ao mundo da televisão um novo ritmo e um novo beat. Este reality é um concurso que dança individual que elege de entre doze concorrentes aquele que melhor se adapta a todos os estilos de música e, principalmente, de dança, cativando o público com a criatividade que transpõem nos movimentos rítmicos.

Habilidade, presença em palco, confiança, ética, paixão e sorte são os ingredientes essenciais para tornar qualquer um vencedor. No entanto, o ‘So You Think You Can Dance’ não é apenas um concurso, tem uma forte componente ao nível da partilha de histórias e experiências de vida.

Todas as semanas cada concorrente tem de dançar com um parceiro diferente e ao som de diferentes estilos de música (salsa, hip-hop, ballet, jazz, …), de maneira a conseguir mostrar uma maior versatilidade e provar que é o melhor dançarino.

Depois de submetidos a uma avaliação criteriosa feita por um conceituado painel de jurados, os dois pares que os espectadores – americanos – acharam que tiveram as piores prestações são eliminados, a cada semana, até restarem apenas quatro. No final, apenas um par irá ser galardoado como vencedor e receber o grande prémio.





Simplesmente o filme Le Dîner de Cons ( Jantar de idiotas), trazido à cave do clube pela mão da Mónica, é um clássico da comédia, comandada por um grupo de actores que tinham por hábito trabalhar conjuntamente em várias longas-metragens e até algumas peças de teatro.

Comédia negra Inicialmente escrito para o palco, visto grande parte da acção é existir no mesmo espaço, mas... pouco importa para o caso! O que é certo é que a história é engraçadissima,  com diálogos e momentos hilariantes. As personagens estão muito bem concebidas e são dadas vida por um elenco talentoso, nomeadamente pelos actores Thierry Lhermitte e Jacques Villeret, que desempenham os protagonistas. Asseguro que dificilmente teriam melhores "resultados" de casting.

É sem dúvida uma comédia de luxo, que atesta a qualidade da Europa na fabricação de filmes, sejam elas de que género forem. Recomendo-vos que vejam esta versão, pois ha para ai um remake Americano, e Segundo consta não é lá bem a mesma coisa.

Com tanta coisa esqueci-me de contra a história.
Ora bem… é tudo coisa simples, pois, todas as semanas, Pierre organiza com os seus amigos, o que ele chama ´jantar de palermas`. Todos levam, como acompanhante, alguém que achem verdadeiramente imbecil e ridículo.
O jogo consiste em deixar os imbecis falar e exprimir as suas ideias, paixões, para que o grupo que convida se possa deliciar com um jantar de gozo, contudo nada disto acontece, o que surge, são uma serie de acontecimentos surpreendentes que nos deixam sem folego e a pensar… Ok o que sera que vai acontecer mais????

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=fkqKTtcp-WY

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

Pinguim Talks!

Na última sessão do ano (a 29 de Dezembro de 2011) fomos brindados com mais uma paixão do André: as TED TALKS.

Não, não são as "Conversas do Ted", nem existe nenhum Ted por trás deste conceito!

As TED Talks são conferências sobre diversas temáticas (TED - Technology, Entertainment and Design) que, como o próprio André adiantou na sessão, têm uma semelhança com o Clube dos Pinguins, uma vez que nelas participam verdadeiros entusiastas que, com paixão, apresentam as suas ideias. Aliás, o mote destas conferências é mesmo "Ideas Worth Spreading" (ideias que vale a pena divulgar).

Este conceito nasceu em 1984, através de Richard Saul Wurman e ao longo das várias edições participaram várias celebridades mundiais como Bill Clinton, Al Gore, Gordon Brown, Bill Gates e vários Prémios Nobel.

O mais difícil para o André foi mesmo escolher, das várias centenas de conferências, aquelas que pudessem mostrar o espírito TED e ao mesmo tempo, que fossem interessantes e variadas. O que resultou num seleção de cinco apresentações tão diferentes umas das outras como apaixonantes! Aconselho a verem/reverem:

Bonnie Bassler: Como comunicam as bactérias
Esta bióloga molecular mostra como se pode integarir na comunicação entre as bactérias, não havendo necessidade de administração de antibióticos. A maneira apaixonada e enérgica como ela expõe a sua ideia é fantástica!


Benjamin Zander: Música e Paixão
Este músico mostra como é possível apreciar música clássica, mesmo não percebendo ou não gostando. De uma maneira cómica e apaixonada, ele consegue surpeender a plateia.


Pranav Mistry: o potencial emocionante da tecnologia SixthSense (Sexto Sentido)
Este indiano desenvolveu uma tecnologia Sexto Sentido de baixo custo e pretende revolucionar o modo como interagimos com o mundo digital e o mundo real. Vejam, que vale a pena! Há coisas fantásticas, não há?


Eric Giler: Eletricidade sem fios
Isto é bem capaz de ser o futuro! Vale a pena ver os vários exemplos da aplicação da eletricidade sem fios e como isso pode mudar a nossa vida daqui a uns anos (se calhar bem menos do que pensamos).


António Damásio: A busca para entender consciência
Para quem assistiu à sessão do Vasco sobre a consciência (The Primacy of Consciousness), pôde fazer o paralelo com esta, que foca as questões biológicas da tomada de consciência e do eu.


Parabéns ao André por mais uma sessão bem interessante e onde deu para aprender mais algumas coisas!

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Do you belive? They put a man on the moon...


Será que o homem chegou à lua?

Será que Armstong passeou no astro espelho que nos conduz as marés?

O Hugo tornou a sessão de 8 de Dezembro de 2011 do Clube dos Pinguins um mistério. Antigo? Alguns dizem que sim, outros just don´t care!

Então foi assim…

Numa noite fria, e juro que de lua cheia, o Hugo apresentou-nos a teoria de que a lua não conhecia humanos.

Através de um documentário da Fox TV ficamos a perceber que os interesses da Guerra Fria, quente, quente, durante as décadas de 60 e 70, quase justificariam a vaidade e mentira em alegar uma chegada à lua, os passeios de um americano pelo mar da tranquilidade, como histórinha de embalar russos…

A história ganhou força com os detalhes técnicos que explicaram a quem não percebe nada de cometas e naves espaciais ou física-avançada-para-astronautas-como-eu, que estes e aquelas circunstâncias provam o embuste que a NASA preparou e apresentou ao mundo em 1969. E assim, especialistas e pessoas próximas do projecto posaram para a câmara e negaram a chegada daquela Apollo à lua.

O toda a verdade ficaria a cabo dos MithBusters, cientistas de Hollywood que pretenderam replicar a alegada mentira e não conseguiram. Ficaria provado, assim num episódio apenas, que o Sr. Armstrong enviou beijos à família a 384.405 Km de distância e não de uma área 51 escondida no deserto do Nevada…

Eu continuo sem saber se há marcianos a viver na Lua, se Nixon e o mundo realmente assistiram ao evento espacial da sua vida, mas dúvidas não tenho que depois do que vi…tanto acredito como não acredito. Ambas peças brincam à realização de segredos e ilusões em tela e por isso não sei quem mente…mas não faz mal, porque verdade ou não, as pisadas de Armstrong não impediram que a lua ficasse redondamente cheia de 28 em 28 dias….

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

MAGNA OLEA

Há momentos em que nos sentimos particularmente felizes por fazer parte do Clube dos Pinguins.

E a última sessão foi um desses casos.

Vários eram os ingredientes. A começar pelo facto de ser uma estreia. Era a primeira vez que a Pilar iria apresentar uma sessão. Confesso que estive quase para não ir, pois tinha outros afazeres. Mas uma estreia é sempre uma estreia e há sempre um esforço para não faltar. Até porque começamos a imaginar sobre o que será. Tentamos adivinhar a paixão e o automobilismo não me saía da cabeça. Enganei-me, enganei-me redondamente.

A preparação do ecrã, do projector e do computador não me desviou a atenção da minha ideia pré-concebida. Só a pus em causa quando ela disse que ia gostar de andar à frente das mesas. Aí pensei: vai ser uma espécie de aula. E foi.

Para minha surpresa, íamos assistir a uma sessão sobre azeite. Nostalgicamente recordei a sessão do Pedro e da Fi há uns anos atrás sobre a mesma temática em que provámos azeite com louro, com alho, com coentros, etc. acompanhados por entradas italianas que tão generosamente confeccionaram.

Aqui tínhamos um power-point bem preparado. Pensei que estava a assistir ao complemento da sessão do Pedro e da Fi que foi muito pouco teórica, mais associada a esse fantástico pecado/prazer da gula.
Fiquei contente. Ia aprender sobre azeite.

Apesar de não ter conseguido reter toda a informação, aprendi bastante. Como costumo dizer, o conhecimento é potenciador de prazer e agora já não caio em qualquer promoção ou publicidade a mau azeite no supermercado. Estou armado com as definições de Azeite Extra Virgem, Azeite Virgem, Azeite refinado e Azeite lampante. Extracção a frio ou a quente, grau de acidez, características das garrafas, etc.

Devem agora, os caros leitores que não estiveram presentes, estar a pensar que a sessão deve ter sido muito interessante e que foi uma pena não terem ido. É verdade.

 Mas ainda não acabou.

Havia ainda uma surpresa guardada. Um excelente pão, dois pratinhos vazios e duas garrafas. Uma de azeite e outra com azeite. Sim, porque a segunda era uma garrafa de 33cl da superbock que tinha sido improvisada para colocar uma amostra de azeite produzido em Dezembro de 2011 e que ainda não está engarrafado.
Apesar de gostar de azeite, confesso que foi com algum cepticismo que vi ser despejado em cada um dos pratos, um pouco de azeite de cada uma das garrafas. Percebi que íamos fazer aquilo que dizem que os alentejanos fazem que é molhar o pão no azeite e comer. Coisa que eu nunca tinha feito antes porque sempre achei que não iria gostar. Achando eu que o azeite sabia todo mais ou menos ao mesmo, a não ser que se lhe juntassem umas ervas, ou algo assim, como o Pedro e a Fi fazem.  Que bom que é descobrir que estávamos errados!

Foi das melhores sensações gustativas que tive em toda a minha vida. O azeite não sabe todo ao mesmo e este é absolutamente extraordinário. Sabe a feno fresco, como o Paulo tão bem observou, é ligeiramente picante, é suave. Fiquei maravilhado, viciado.

Quem esteve sabe que não consegui controlar o meu entusiasmo, o meu emaravilhamento. Quis logo comprar o azeite, todos queriam comprar o azeite. Um leilão. Ideia abandonada pela Pilar. Que fazer? “Eu fui o primeiro a dizer que o queria”. Iria utilizar todos os argumentos possíveis, mas a Pilar acabou com o meu sofrimento e generosamente, por ser eu que iria escrever o post, DEU-ME o resto das garrafas de MAGNA OLEA. Azeite Extra Virgem, extraído a frio, com 0,1 graus de acidez máxima e com várias medalhas de ouro em concursos nacionais e internacionais de azeite.

Nunca fiquei tão contente por me ter tão prontamente voluntariado para escrever um post. Nunca tive nem contava ter qualquer espécie de recompensa, mas a Pilar fez-me duplamente feliz naquela sessão do Clube dos Pinguins da semana passada.

Ontem aceitei a sugestão do Hugo e da Olga e cozi a vapor pescada com batata e legumes. Reguei depois com a colheita de 2011 e não resisti a acabar a refeição a limpar o prato com pão.

Este azeite não se pode desperdiçar!




PS – O post só ficará concluído quando eu fizer a prova seguindo as regras oficiais dos provadores e anotando as minhas classificações pessoais, conforme me comprometi com a Pilar. Mas como hoje há Clube e para não haver atrasos nos posts, completo-o depois. Além disso, hoje haverá garrafas de Magna Olea à venda na cave do Pinguim. O Hugo, que é o apresentador da sessão de hoje, encomendou umas garrafas. Eu não vou faltar. E tu, vais?

Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Uma aventura... gráfica...

Seria mais uma história da Isabel Alçada... mas estariam todos redondamente enganados. O nosso ilustre e magnânime Hugo Pereira resolveu despir (salvo seja) a pele de homem e encarnar as suas ilustres recordações de menino. Seria por demais pensar que estaríamos perante uma paixão tão estranha, mas o menino Hugo viria a fazer-nos entender o verdadeiro significado de uma aventura gráfica. Recordo perfeitamente o sorriso rasgado que o Huguinho esboçava enquanto ainda estava no segundo ditongo da palavra “aventura”... mal o som da palavra “gráfica” tinha começado a sair da sua boca, e notava-se claramente que a expressão o fazia arrepiar de alto a baixo e lhe transmitia uma paz interior vinda de um qualquer corpo celestial.

Pois bem... percebemos logo à partida que o mundo das aventuras gráficas não será para qualquer um... para além de dedicação e “paletes” de paciência, digamos que este tipo de jogos de computador baseados em acções elevam qualquer Super Mario Bros a um patamar em que o dito Mário passa de mero “Homem-cabeçadas” a “Homem Gabriel-o Pensador”. Por certo, falo por mim, que ainda tive a oportunidade de experimentar este tipo de diversão enquanto atingia os meus vinte e poucos anos. E digamos... não tinha muita paciência para a coisa. Ou melhor, paciência tinha... mas com duração limitada. Ainda assim, todos nós acompanhámos a viagem do menino Hugo ao Portugal dos pequeninos das aventuras gráficas.

Começámos, então, por ser apresentados ao Leisure Suit Larry. Bem... não foi logo logo, já que houve algumas dificuldades iniciais (o Hugo não levou o jogo com o crack, o entendido...). Lá conseguimos entrar, com muito esforço, quiçá só à 5ª tentativa (tenho ideia que estávamos um tanto ou quanto desactualizados em relação a questões sobre os EUA do início dos anos 90). Conseguimos entrar e o Hugo levou-nos (como quem diz, o Larry) logo para um bar, onde andámos a falar com barman's, a ser insultados por gajas pernilongas ao balcão, a ler paredes, etc. Não acabou muito bem, já que depois de termos tido sorte com uma menina da noite chegámos à rua e morremos logo fulminados com uma doença venérea. E foi esta a nossa experiência com o simpático/tarado Larry.

A seguir o Hugo mostrou-nos outro “deslumbrante” jogo, o Monkey Island. Deu-nos a ver as duas versões, a antiga (rudimentar e mais emocionante, segundo o expert) e a recente (mais definida e com outra roupagem). Andámos por lá a falar com piratas, papagaios, gente boa e gente má, a apanhar objectos, fechar e abrir portas, and soi on and soi on and soi on.
Falou também do Space Quest, mas quem quiser saber coisas pode recorrer ao link http://pt.wikipedia.org/wiki/Space_Quest#Space_Quest_6:_The_Spinal_Frontier ... Vou ser sincera, de pouco me lembro...

Apesar da sessão poder ter entorpecido alguns dos presentes, gostaria apenas de fazer um pequeno apontamento face ao dinamismo imprimido pelo Huguinho e ao entusiasmo demonstrado por aquele menino que revivia todos os pequenos momentos.

Há, assim, que pensar que não há razão para ter vergonha das nossas paixões e, acima de tudo,... o tempo não as mata... apenas lhes conta uma histórinha, adormecendo-as no leito das nossas memórias.

E eis o meu primeiro post...

Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012


Musicais...

Sim musicais, este foi o tema trazido pela Olga à cave do clube.

Durante a sessão, a pinguim Olga foi apresentando os sons e as danças que a marcaram, e pelas quais ela tem um carinho especial.
Levou-nos numa viagem cheia de som, glamour, sedução, burlesco, dança e paixão que nos deixou arrebatados pelo espectáculo de luzes, cor e vida.

Ao longo da sessão fomos viajando no tempo, desde My Fair Lady, passando pelas garras iconicamente modernas dos musicais, que é o Cats até à sensualidade mais recente que é o NINE.
Em acordes de misturas visuais e sonoras, Olga fala-nos de forma visual da sua paixão, transmitindo este seu carinho sonoro através das imagens imortalizadas pelo cinema, como é o caso de The Producers  e através de gravações feitas para serem espalhadas pelas casas do público que não teve o prazer de ver o Cats ao vivo, como é o exemplo da versão DVD deste espectáculo da Broadway.

Para alem de muitos outros exemplos...

Com muita pena minha, é humanamente impossível transmitir a beleza da sessão da Olga, visto que não vos posso levar em passos de dança até à cave pinguinica, porém vou tentar...

Façam este exercício...

Parem de ler este post, e vão até ao YouTube e procurem a música  Moulin Rouge - El Tango de Roxanne do filme Moulin Rougue e arrastem a timeline até ao 1º minuto e ouçam até ao inicio das palavras da narrativas personagem boémia...




-Eu disse para pararem de ler (nota do postador)... Vá procurem...





Pronto, pronto... aqui está o link



Ora, ainda bem que estamos entendidos.... podemos continuar.

Agora façam Play e leiam o que vou escrever. ( não se esqueçam de levar até ao 1º minuto, e ouvir até ao inicio das palavras da personagem boémia... e sintam).

Quem e capaz de dizer que não gosta de Musicais?
Quem é capaz de não sentir as palavras boémias do narrador?
Quem fica indiferente à dor sentida pelas personagens?
Quem nunca sentiu a raiva das palavras do narrador?
Quem nunca olhou para algo tão belo e ficou sem palavras?
Quem nunca teve um desafio que sentiu não ser capaz de superar ou vencer?
Quem nunca desejou sentir uma verdadeira e única história de desejo?
Quem nunca lutou por algo?
Quem nunca amou?
E por fim....
Quem nunca sofreu por amar...?

Estes são os ingredientes dos musicais.

Esse género de espectáculo que nos arrepia, que nos deixa a sorrir ou a chorar, a sentir raiva, paixão, amor, loucura, humildade, entre muitos outros sentimentos.
Sim adoro musicais, por isso isto tudo e sinto-me um privilegiado em escrever este post, que na sua essência mais humilde, demorada e humana, tem a vontade (alem de servir de narrativa para a brilhante sessão da Olga) transmitir o que se viveu na cave pois aquela noite foi alimentado pelo som, vida, glamour, sedução, burlesco, dança, paixão, luz, cor, e tudo o resto que todas as paixões devem transmitir...

Afinal é para isso que elas servem... para dar algo de musical à nossa vida.