quarta-feira, 30 de maio de 2007

para que não digam que não se assinala aqui a greve...

Afinal de contas, os sindicalistas trabalham em dias de greve ou fazem greve nos dias de trabalho?

9 comentários:

jorge c. disse...

Fiquei confuso!

Eu fui obrigado a fazer grve. Amarrado em casa!

Marta Araújo disse...

Não sou, de todo, a pessoa ideal para dizer o que quer que seja, sobre greve. Não as entendo muito bem na medida em que acho que não resolvem os problemas de fundo - sendo certo que foram importantes, e se calhar ainda o são, algures no mundo e em determinadas situações - e não alinho nelas.

Quando à questão, não deixa de ter a sua pertinência, claro está que com um lado irónico.

upsss! disse...

Confusão, confusão... só mais logo, quando se confrontarem os numeros oficiais...

GRaNel disse...

"Para quem acompanhou as anteriores greves gerais e esta, uma coisa fica clara: foi a mais fraca greve geral até hoje organizada em Portugal."

Esta frase é de Daniel Oliveira. Pareceu-me interessante ver um tipo "de esquerda" a escrever tal blasfémia.

GRaNel disse...

A fonte é o Correio da Manhã - não escrevo

O assunto é mesmo pertinente - escrevo

Já fiz um post sobre isto - não escrevo

Do mal-me-quer, bem-me-quer surge um comentário:

As composições da rede do Metro do Porto estão a circular de forma muito condicionada esta quarta-feira, dia de greve geral convocada pela CGTP, devido a um conjunto de alegados actos de vandalismo ocorridos durante a madrugada, “com fortes indícios de sabotagem para deixar o sistema inoperacional”.

A ser verdade parece-me uma clara violação das regras do jogo.

Mosquitto disse...

Eu fiz greve!

Mas apesar de ter feito greve, ontem dia 30, foi um dia de muito trabalho...

E há sempre muito trabalho num dia de greve, porque há sempre alguém que tenta limitar os efeitos da greve. Como?

-Substituindo pessoal nos serviços, argumentando que o local de trabalho não pode encerrar…

-Requisitando mais serviços mínimos do que aqueles que a Lei determina…

-Tentando pressionar os trabalhadores para anunciarem previamente se aderem à greve ou não…

Ora, tudo isto são violações à Lei da Greve e cabe aos Sindicatos a sua denúncia e posterior acção judicial.

Como é evidente, a entidade patronal tenta minimizar os efeitos da greve. Os trabalhadores, por seu lado, tentam que os efeitos da sua paralisação sejam os mais expressivos para as suas reivindicações.

Chamo a atenção para o facto de, a greve ser o ultimo recurso da contestação e só ser usada quando todos os outros mecanismos da negociação falham. As greves existem porque há descontentamento. E é só neste contexto que devem ser entendidas.

E para quem anda atento, parece-me que há bastantes razões para o descontentamento geral, daí a GREVE GERAL!

Quanto à “clara violação das regras do jogo”, relembro um episódio:
Há uns tempos, em Espanha, os transportes fizeram uma greve reclamando melhores condições de trabalho, redução do horário de trabalho, períodos de descanso mais longos, denuncia da contratação de mão-de-obra ilegal (trabalhadores magrebinos e de leste) capaz de conduzir durante longos períodos de tempo, etc, etc.

Para impedir que os transportadores não espanhóis continuassem a trabalhar, diluindo assim o efeito das suas reivindicações, lembro-me que "nuestros hermanos" colocaram nos viadutos, pedras suspensas à altura do pára-brisas dos camiões (invisíveis à noite). Resultado: nenhum transportador ousou furar a greve e assim as reivindicações foram tomadas em consideração.


Parece-me que a sinistralidade com veículos pesados diminuiu… parece-me que o salário mínimo em Espanha é superior ao português, parece-me que o crescimento económico é superior ao de Portugal…

jorge c. disse...

Nenhum funcionário da Metro fez greve (eu tenho um amigo que é maquinista). Houve sabotagem, era nítido, segundo ele, porque quem o fez sabia muito bem o que estava a fazer. Na madrugada interior acontecer este tipo de situações parece-me no mínimo de desconfiar.

«Quando todos os outros mecanismos de negociação falham...» (não foi boca, António)

GRaNel disse...

E repara que nem todos os fins justificam os meios. Julgo que no caso do Metro não se colocou em risco a vida de ninguem. Já o mesmo não se pode dizer em relação a Espanha. E convenhamos... uma vida vale mais... muito mais.

hörster disse...

Talvez certas pessoas só conheçam o verdadeiro significado da greve quando começarem a trabalhar e a ver quantas e quantas coisas estão mal, ou talvez nunca venham a perceber. Há muitas pessoas que trabalham e que também não conhecem o significado nem o porquê de uma greve. A capacidade de cada um de nós ser avestruz é incógnita.
Vou fazer aqui um paralelo: muitos de nós questionamos o porquê das eleições - "sou só um, o meu voto não vai fazer a diferença". A verdade é que no dia lá vamos às urnas e lá acabamos por votar. E quando votamos ficamos à noite a ver atentamente os números, votos e abstenções. E vemos o poder do grupo, que todos juntos acabamos por ter voz, acabamos por sentir que fazemos parte de uma qualquer unidade.
A greve é quando a diplomacia falha. A greve é quando o Governo é absurdo. A greve é quando o governo é autista. A greve é a única voz que resta no fim. Um a um, cada um, tem o poder do voto, o poder do voto da greve, o poder de, com a sua não ida ao trabalho, dizer: isto não pode continuar assim.

Uma greve é uma manifestação de voto, voto de descontentamento. Quantos mais de nós formos a estas "eleições" mais o governo se apercebe do descontentamento da população.

E ainda há quem pense que uma greve é algo de antiquado...

Curiosamente, ninguém contesta a democracia...

Granel, não é que concorde com a sabotagem do metro, mas compreendo-a. Foi alguém a tentar dizer: acordem! Abram os olhos!