segunda-feira, 30 de julho de 2007

O mundo à mesa

Fraca incumbência esta de escrever sobre a última sessão da saison. Difícil era também apresentar a paixão, especialmente se ainda se mal saiu dos exames, das obras em casa, do computador com problemas, dos livros encaixotados, dos discos encaixotados…

A partir de um vídeo, do nome da música, “The Universal”, o Jorge falou sobre a sua paixão pela discussão, discorreu certeiro sobre como não teme as incoerências e tão certo como está o Sérgio Godinho das dúvidas disse estar sempre a aprender. De certa forma, a sessão acabou por ser também, e referiu-o o Jorge caso alguns de nós estivéssemos distraídos, sobre nós, os que aprendemos uns com os outros, no clube.

“Não sabia o que fazer. Não tinha nada até às cinco. Discutir era uma hipótese. Discutir política, podia ser! Eu sou advogado de defesa, de muitas causas, advogado do diabo… pensei sobre isso. Pensei rápido. A minha paixão é um, meu, head work in progress, a minha racionalização evolutiva sobre a sociedade global”

Depois partimos para o debate sobre o tema, sobre as mudanças que recebe o nosso mundo globalizado, as vantagens e as desvantagens de cada um dos novos estímulos e das novas realidades, desde a comunicação que está ao alcance de qualquer um graças às tecnologias até aos movimentos globais contra ou a favor de algo. O povo faz-se ouvir. Ou será que ele disse população?

Aproveitando mais referências da sua área de erudição óbvia (a música), o Jorge citou sociólogos, políticos e canções, no fundo para dizer que, apesar das diferenças, ele vê “o mundo com olhos possíveis, porque junto somos invencíveis”.

Nem todos partilhamos do optimismo, mas isso fica para os comentários.

3 comentários:

Marta Araújo disse...

Foi uma excelente noite de conversa, sem dúvida - embora tenha caído um bocado de pára-quedas na sessão (mas neste tempo sabe bem lol). Percebi perfeitamente a paixão do Jorge - que aliás também partilho, embora muitos dos conceitos que foram abordados sejam, historicamente, recentes e, portanto, ainda algo frágeis. De qualquer das formas a ideia base de saber 'olhar para o lado' (para o outro, para o vizinho, entenda-se) e simultanemante não estar alheio ao que se passa do outro lado do mundo, foi falada, e muito bem (muito bem senhor deputado, muito bem!). Ainda o desafio de filtrar informação e a velhinha questão (pelo menos velhinha nas nossas discussões) de se ter capacidade crítica perante aquilo que vemos e ouvimos. Perceber qual é o nosso papel neste mundo que é cada vez mais 'glocal', e que nos vai trazendo cada vez mais formas de comunicar, expressar e agir. Mais democracia? Nim :D eu diria que são desafios. E venham eles!! A malta cá está para os enfrentar e discutir.

Parabéns aos dois meninos!

GRaNel disse...

Esta história de não preparar sessões, pôr o pessoal a falar por ele e no fim ainda nos brindar com um discurso de 25 minutos tem de acabar... Fora de brincadeira foi uma boa sessão. Bem ao estilo do Jorge e potenciadora de uma discussão serena mas que rendeu alguns frutos. O post reflecte isso mesmo.

Resta-me dar os parabens aos dois e ir gozar os meus dias de férias. Tá uma tosta cá em baixo que nem imaginam...

filinto disse...

Dois pontos à margem do post horrível*:
1)O Jorge e a maioria dos pinguins que participaram na sessão são optimistas. Eu vejo o mundo a evoluir num sentido muito pior, muito mais controlado. A Globalização conforme a divulgam é uma treta. O mundo está muito mais concentrado em meia-dúzia de senhores, tão bem controlado que nós não temos a noção que estamos a ser controlados. Vejo guerras, vejo a venda de armas noticiada como se fosse alimentação ao um país de terceiro mundo ("os estados unidos concederam" não sei quantos milhões de armas a israel "para controlar o Irão" (!?!)...), vejo tudo na mesma no Darfur e no Iraque, vejo que se está a cometer precisamente os mesmos erros no Kosovo que se cometeram com a Eslovénia e a Croácia - com a agravante de o Kosovo ser Sérvia, e ser muçulmano, e ser um cavalo de batalha do país mais desgraçado da Europa desde a segunda guerra mundial (Albânia); vejo os milhões de angolanos à espera que a prosperidade chegue às suas casas... às suas ruas já não seria mau; vejo o mundo a acreditar nas medidas de defesa do ambiente elencadas pelas estrelas, mas que porra pode um grupo que utiliza um jacto para vir de Nova Iorque a Paris vir dizer-me sobre aquecimento global?... etc, etc
2)O facto de ser mais pessimista, ou mais realista, não faz de mim menos lutador, ou um desistente.

* está mesmo uma bosta, e não escrevo isto porque sim ou para vocês negarem, está mesmo.