quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

bom senso

Esta é sem dúvida, uma das expressões que me é mais cara no vocabulário Português. Expressão essa, que me parece, tem andado um pouco arredada do nosso clube.

Isto tem sido notório em algumas discussões que temos tido, sobre os assuntos mais variados. Somos efectivamente um grupo extremamente heterogéneo e de quadrantes completamente diversos. E é esta diferença que temos de entender… Também não gostariam que pessoas sem formação na vossa área pusessem em causa o vosso trabalho. Quero com isto dizer que o recurso à crítica fácil e maldizer é um péssimo caminho para quem visa um clube que seja um local de discussão e debate por excelência. É até desonesto intelectualmente.

O recente caso da STCP é disso exemplo. O bom senso diz-nos que devemos dar o benefício da dúvida quando não dominamos a matéria. Mas não… saímos a matar e a reprovar o trabalho de pessoas que se especializaram e estudaram para fazer o melhor possível nas suas áreas. Seria muito bom que cada um tivesse uma paragem de autocarro à porta, à hora que mais lhe conviesse e que parasse a um metro do nosso destino. Vamos também manifestar-nos por não o termos? Não. E não porque não é razoável. O nosso bom senso diz-nos que tal não seria possível. O mesmo se passa em relação à recente remodelação das linhas. Somos por norma reticentes no que toca à mudança e ao progresso. Mas devemos fazer o esforço de esperar pelos resultados e compreender que os responsáveis da STCP tentaram certamente fazer a melhor remodelação possível. Isto sim, seria ter bom senso.

Quanto às manifestações, só digo que este plano já tinha sido anunciado e estava disponível para discussão (ao exemplo de quase todos os que vão provocar alterações na vida dos cidadãos). Mas esse era um caminho chato e não tinha cobertura televisiva. Venham as manifs então…

3 comentários:

Rui Vieira disse...

Concordo plenamente com o Granel. Quando não dominamos a matéria devemos dar o beneficio da duvida. Por isso mesmo, apesar de recorrentemente ler e escutar criticas de quem foi afectado pelas alterações determinadas pela empresa que presta um serviço colectivo STCP, optei por não comentar a invectiva do Jorge para uma manif.
Não tenho necessidade de recorrer aos préstimos dessa empresa que presta um serviço colectivo, como tal, não estou seguro para afirmar se as suas alterações foram para melhor ou pior.
Mas... sei o conceito da prestação de um serviço colectivo. Sei o que são gravissimos erros de gestão. Sei que o que funciona no papel nem sempre funciona correctamente quando colocado em prática. Sei ainda outra coisa... que se queremos discutir a viabilidade de uma empresa quando coloca em causa o bem estar da comunidade que pretende servir, temos também de questinar se o serviço prestado está de acordo com as necessidades dessa mesma comunidade.
Os seus utilizadores não podem ser sujeitos a experiências atentórias à qualidade de vida. Os seus utilizadores têm direito a perguntar o porquê de a dita empresa adquirir terrenos em negociações pouco claras, e para os quais ainda não encontrou uso. Os seus utilizadores têm direito a conhecer e questionar as remunerações dos quadros dirigentes e o seu impacto na viabilidade da empresa. E por último, mas não menos importante, os utilizadores dos STCP têm o dever de alertar as autarquias que concessionaram o serviço de transportes colectivos quando a viabilidade económica da empresa é colocada acima da missão para a qual foi criada.
Continuo a achar que não devemos falar do que não sabemos, mas aquilo que sabemos não devemos calar.

Jorge Carvalho disse...

Não diria melhor Vieira.
Há quanto tempo não andas de transportes públicos Granel? Alguma vez tiveste de os usar diariamente para ir trabalhar?
Curiosamente vais de encontro ao que eu disse, a tecnocracia é perigosa e o teu ponto de vista é tecnocrata e pouco humano. Agora, não venhas falar de bom senso, fica-te mal! Isto porque eu dei a minha opinião, como diz o Rui, de utilizador e se bem sei, ainda posso dar a minha opinião enquanto utilizador porque deixei de usar transportes públicos por causa da sua irregularidade diária. Eu e muitas outras pessoas já sofreram na pele. E tu, já?
Como eu disse, isto não é uma montagem de legos.

Um segundo aspecto é que, em relação à profissão das pessoas, de não falar do que não se sabe, parece-me que também entras em defesa cega, isto porque sinceramente eu não vou estar a defender constantemente o bastonário da ordem, ou qualquer outro representante da classe jurídica porque simplesmente sim.
A STCP presta um péssimo serviço, tem o monopólio do mercado e deve ser criticada por quem de direito, que certamente não são pessoas que não utilizam o serviço e por isso são mesmo treinadores de bancada, que nunca puseram os pés no relvado.

Devo confessar que me sinto triste com o teu post, porque bom senso é coisa que nunca me faltou,. mas se por manifestar a minha opinião sou censurado então resta-me dizer que não posso contribuir mais para o blog porque o teu post é uma autêntica manifestação de falta de tolerância. A minha tristeza maior vem do facto de me conheceres bem e saberes que tipo de opinião tenho àcerca de grande parte dos assuntos. O que revela falta de bom senso da tua parte ao analisar o meu post anterior.
Espero que na tua vida nunca tenhas de te manifestar contra nada. Temo é que no dia que tiveres fiques em casa porque os senhores é que sabem. É a grande estratégia!

Agradecia que cada um a partir de agora só postasse ou comentasse temas da sua àrea de especialização para evitar este tipo de desentendimentos. Quem não tiver àrea de especialização, olha, não opina! É só uma sugestão!

(Peço desculpa pela escolha de palavras, mas como não tenho muito tempo para pensar no texto talvez possa parecer um bocado frio e duro, embora não seja essa a intenção).

GRaNel disse...

Ao contrário do que possas pensar (e pelos vistos pensaste), o destinatário deste post era bem mais alargado. E como dizes, sou teu amigo e conheço-te o suficiente para saber que ainda há uma réstia de bom senso nessa tua cabeça. Mas senti necessidade de fazer este post, que entenda-se não foi em resposta a nenhum outro mas sim em prol de discussões mais razoáveis e menos oniricas.
Eu gosto de vos ouvir, gosto mesmo. Mas fico de nervos em franja quando se levanta a ala esquerda com a bandeira da solidariedade, da cultura, da assistência (e mais umas quantas que agora não interessa nomear) e esquece que por trás de tudo isso existe algo muito mais palpável e pragmático que é dinheiro. E o dinheiro aparece aqui no seu pior papel – o de castrador. E é por isso que, e pela última vez o digo, os orçamentos são limitados e deve-se tentar fazer o melhor possível com eles e que quem está à frente das instituições não é um sádico operador de marionetas. É evidente que temos casos como os que o Vieira enunciou e que em nada dignificam esses senhores e que a todos prejudicam. Esses casos sim, devem ser trazidos a público e investigados. Não façam é manifestações porque o 303 agora se apanha 20 metros acima…