quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Todos os dias

As palavras escritas, mesmo quando belas, podem provocar-nos mágoa.
Com lágrimas sufocadas, a Marta revelou-nos a sua paixão pelo romance de Jorge Reis-Sá, "Todos os dias", mas também a sua admiração pelo autor, o seu irmão e o seu pai.

"Todos os dias", antes de mais, é um livro para se sentir. Não é para racionalizar. E para a Marta seria de todo impossível. O conhecimento espacial da acção e dos seus intervenientes nunca lhe permitiriam tal distanciamento. Mas a Marta assume-o!
Fala-nos do livro sem nunca o abrir. Sem destacar um excerto. A Marta não quis revelar-nos o seu conteúdo, quis convidar-nos à leitura.
Porque mais uma vez, a Marta não é distante, não é isenta, e porque o tema causa-lhe dor.

"Todos os dias", fala-nos de um dia igual a todos os outros, com aurora, amanhecer, almoço ou crepúsculo... Mas este é um dia em que conhecemos a dor de perder alguém que amamos. E todas as pequenas insignificâncias ganham importância, e todas as palavras não-ditas tornam-se malditas.

A Marta quer-se sentir grata em cada sopro de vida e contagiar-nos com essa mensagem.
Com a lágrima desvanecida, ficamos a saber o objectivo da partilha da paixão. O livro não é para nos atormentar.
"Todos os dias" é para nos exorcizar. Para não esquecermos de relativizar, para não esquecermos de viver.

E eu saio sem olhar para trás, sem ver o sorriso nos lábios da Marta ao perceber que também eu fui convertido.
Obrigado, Marta.

5 comentários:

Cláudia N. disse...

A apresentação da Marta deixou-me sem palavras e a lembrar-me das pessoas que já perdi, e ao pensar nelas faz-me sentir que estão ao meu lado. Foi uma a apresentação em que se respirou a poesia que vinha das palavras e das emoções da Marta, que nos contagiou a todos. Mais uma vez, obrigada Marta por me teres tocado tanto, parabéns.
Tudo o que possa dizer acerca do post do Vieira poderá parecer suspeito, mas duma maneira simples e apaixonante o Vieira conseguiu transmitir o que sentiu nessa noite e dum modo poético e comovente passou isso para a escrita.Parabéns.
Dizer à Marta e ao Rui de que gostei muito...é pouco.

GRaNel disse...

As paixões, são realmente muito nossas. Isso viu-se na terça, em mais uma sessão do famigerado Clube dos Pinguins. "Todos os dias", foi o ponto de partida para uma sessão onde falámos de perda mas sobretudo de afectos e relações inter-pessoais. Foi mais uma sessão enriquecedora e por ela, o meu muito obrigado à Marta.

Quem não foi, o caso da Helena (a quem desejo rápidas melhoras), pode sempre ler este brilhante post e inteirar-se do que se passou.

Um abraço grande a todos. E até à próxima semana. Pelos vistos vamos ter de "levar" com o General em dose dupla.

Jorge Carvalho disse...

Ao sabor das letras... Foi uma grande sessão, com muita paixão e muito emotiva.

Parabéns à Marta e muito obrigado. Mais uma vez, o Vieira a responder tempestivamente e com eficácia ao desafio, que não era fácil.

Temos de levar uns com os outros «Todos os dias», é isso que é bom...

As melhoras minha pequena Nazi!

Gemma disse...

Gostei muito da apresentação da Marta, a maneira como falou e o que falou do livro convenceu-me que e realmente inportante para ela, nao só o facto de conhecer a história real do autor, mas também de se rever nos locais descritos no livro.

Como não conheço o livro pouco tenho a dizer sobre ele, mas daquilo que me ficou na memória, acho que é um tema do qual se gosta de ouvir outras opiniões, já que a "perda" faz parte de Vida.

O post do Vieira traduziu muito bem todas as ideias que a Marta nos tentou transmitir.

Os meus parabéns à apaixonada e ao autor do post :D

Vitor Elyseu disse...

agora percebi melhor o conteúdo da sessão da Marta com o post notável do Vieira