quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

"Planeta dos Macacos" como exemplo da paixão por filmes de ficção científica


Quando a determinada altura um dos personagens do filme reprime o humano porque este lhe chama chimpanzé, em vez de macaco, dizendo que os chimpanzés estão abaixo na escala da evolução logo a seguir aos humanos, percebemos a quase displicência, própria dos que se acham superiores, da forma como definimos – e tratamos - os animais não humanos no nosso dia a dia. A mesma superioridade, esta ficcionada, que está patente na forma como aquele macaco reprimiu o humano. Mas ainda antes disso, logo no início do filme “Planeta dos macacos” – versão 2001 de Tim Burton - que a Helena escolheu como símbolo da sua paixão pelos filmes de ficção científica na sessão 26/12 – está bem patente essa superioridade: Num futuro eventual, uma nave espacial realiza experiências com símios para que estes substituam os humanos em missões exploratórias mais arriscadas, como a que dá origem à trama do filme, macacos “construídos” geneticamente para ter a capacidade de fazer esse papel.

“Planeta dos macacos” tem por base um livro de Pierre Boule, publicado em 1963 (conta a wikipedia), e foi passado ao écrã inicialmente em 1968, com Charlon Heston no principal papel. Houve vários sequelas, segundo a wikipedia, que fugiram demasiado do texto original de Boulle – embora seja claro que há algumas diferenças entre o argumento original e o filme que vimos esta madrugada –, além de séries de televisão e mesmo um jogo de vídeo, que surgiu por alturas do filme de Tim Burton.

Foi esse que a Helena escolheu. No final da sessão conversamos sobre as diferentes leituras que ele permite, as metáforas que esconde, os universos paralelos. A forma como o tempo se nos vai, a forma como tratamos o outro e como nos vimos no papel do outro – e o Spranger lembrou as viagens de Gulliver –, a forma como o poder corrompe, a forma como as ditaduras tomam conta de nós e como podem ser derrotadas. A Helena destacou outro ponto, a modificação genética, o caminho para a caixa de pandora.

Esperemos que quando se abra ela não seja, como o romance e o filme, a revelação de uma sociedade de distopia, como acontece com outras obras de ficção científica como o "Triunfo dos Porcos" ou "1984".

5 comentários:

Jorge Carvalho disse...

Desde já, os meus parabéns ao Filinto pelo post. Se fosse o professor Marcelo daria 16 valores.

Quanto á sessão da Helena, embora já conhecesse o filme muitos parabéns pela pertinência da escolha. Tenho pena de não ter ficado para a conversa final, mas certamente que foi construtiva.
Como disse a Helena, a ficção científica tem destas coisas, o seu sentido metafórico que pode provocar conversas bem interessantes.

Muitos Parabéns aos dois, mais uma vez!

GRaNel disse...

Começo por agradecer a disponibilidade do Filinto em fazer o post e congratulá-lo pelo mesmo.

Os meus parabens tambem à Helena pelo filme que nos trouxe. O paralelo com a nossa sociedade é incrivel...

Bom ano novo para todos

Rui Vieira disse...

Mais do que não ter visto o filme até ao fim (porque já o vi), lamentei não ter ficado para a discussão.
Para além de achar pertinente questionarmos a vida em sociedade e o poder que é atribuido a determinados grupos em detrimento de outros, gostaria também de saber algo mais sobre a ciência genética e as suas implicações.
Dou os meus parabéns à Helena pela escolha do tema e do instrumento utilizado para o introduzir (Tim Burton mostrou mais uma vez ser um excelente realizador).
Felicito também o Filinto pelo post. Além dos diversos links propostos, adorei a foto escolhida.

Rui Spranger disse...

Sem saber já tinha visto grande parte do filme na televisão,mas o facto de o revêr numa sessão do Clube obriga a um olhar mais atento e naturalmente mudou positivamente a minha ideia sobre o filme.
Muito obrigado Helena!

Parabéns Filinto pelo excelente post e por toda a informação extra que ele também proporciona.

Marta Araújo disse...

Confesso que, e ao contrário da maioria dos presentes, nunca tinha visto o filme. Gostei. Obrigada Helena pela escolha. Certamente que são muitas, e aos mais variados níveis, as conclusões e/ou meditações que se poderão e deverão fazer sobre o seu conteúdo.

Quanto aos post...é a clara e inequívoca "impressão digital" do Fil. E mais não digo.

Parabéns aos dois!