domingo, 23 de julho de 2006

Saudade

Há na despedida algo tão triste que não consigo descrever. Quando vemos alguém partir, vemos também uma figura da nossa vida desaparecer, nem que seja temporariamente.
Não gosto de despedidas! Não gosto de dizer adeus e assim perpetuar a tristeza que me assombra aquando da partida.
Há na partida um vazio, um nó na barriga que mais parece uma úlcera. Perde-se o amigo, o companheiro, separam-se os amantes. Relembra-se então o seu rosto, o seu sorriso, as suas lágrimas...

Não consigo descrever este vazio, esta vontade de partir também, ou de não querer deixar partir!
Não vás!

3 comentários:

GRaNel disse...

E água? Não? Gostei do texto mas quem é que pensa nestas coisas no Verão. É só enguias a dar à costa. Não há tempo para mariquices...

rodrigues76 disse...

Desculpa lá Jorge... Sou português e gosto muito de saudade... Mas prefiro a esperança, se há alimento para a alma é o pensamento positivo e este só se pode encontrar cá dentro. Na partida também se pode encontrar, as despedidas fazem parte da vida, assim como os reencontros e principalmente os encontros. De todas as cinzas renasce uma Fenix, cada vez mais brilhante, cada vez mais colorida...

hörster disse...

Uma das coisas que aprecio nos The The são as letras das músicas. Há um trecho em especial que me persegue, de uma música chamada "Bluer Than Midnight", e que diz: "Why love can never touch my heart like fear does". A minha interpretação deste pequeno fragmento é que as sensações negativas sentem-se, geralmente, de forma mais forte que as positivas. Marcam mais. E a marca dura mais tempo. Não sei, mas deve ter algo a ver com a lei da selecção natural, se o mau nos ataca é bom que fique bem gravado para que não voltemos a repetir a experiência e, como tal, sobrevivamos. De forma crua.

A saudade. É boa de sentir, às vezes, sentimos também aquela nostalgia, também um pouco de autocomiseração, sentimo-nos próximos de nós próprios e dá algum conforto. Mas deve ficar apenas por aí, não deve ser alimentada, não devemos deixar que cresça e se auto-alimente porque o faz às nossas custas, nos esgota e nos tira forças.

Mas se o poço for fundo, não esqueçamos que lá em baixo existe uma mola!