domingo, 30 de julho de 2006

finalmente...


É verdade que vivemos num país que atravessa momentos dificeis que nos levam a tudo criticar e a olhar sistematicamente para o que a vida nos traz de pior. Mas não é menos verdade, que vivemos numa cidade e numa região que há muito nos habituou a reagir de forma positiva e enérgica às adversidades. E é nesse contexto que hoje vos trago a história da “Coisa” como Rui Veloso apelidou. É uma história feliz, ou pelo menos assim se espera, com um principio triste triste triste. Devo recordar que o edificio foi encomendado ao arquitecto catalão Solà-Morales pela Porto 2001 e até hoje tem estado votado ao abandono (muito provavelmente poque quem o encomendou tambem não sabia bem para que é que o queria). Este é um exemplo gritante do que é pôr dinheiro em sacos sem fundo geridos por pessoas cultas. Por outras palavras, dar fundos (e que fundos!!!) para fins culturais sem pedir nada em troca. Pois bem, eis que o edificio passa para a posse da Câmara Municipal do Porto e prontamente é concessionado – privatizado portanto. O que é certo é que, e segundo o anuncio da concessionária, o edificio abrirá ao público em Novembro deste ano.

O projecto de remodelação, do arquitecto Portuense Carlos Prata, visa preparar o edificio para utilização durante os 365 dias (podendo mesmo chegar aos 366, lol) do ano. No Inverno estará coberto inteiramente por janelas e paineis de vidro, devidamente climatizado e no Verão, completamente arejado. Esta cobertura permite tanto o conforto dos utilizadores como manter a vista soberba que o edificio nos proporciona.
O edificio comportará inumeros espaços de restauração, bares e até um bar-disco (situado no piso (-1) da praia). No piso 1 ficará situado o jardim de Inverno e a Box in the Box, que consitirá num cubo em vidro e aço destinado a um espaço cultural tipo “fnac”. O edificio comportará ainda uma área de escritórios e um salão de eventos. O orçamento da remodelação é de 15 milhões de euros e há a previsão da criação de 500 postos de trabalho directos.

Perante estes dados, pergunto-vos se a gestão privada, rigorosa e com fins bem definidos não será uma benção para a nossa cidade ou se por outro lado, devemos continuar a injectar verbas para os ditos “cultos” esbanjarem a seu bel-prazer.

8 comentários:

Rui Vieira disse...

Em Marketing aprendi o conceito da miopia, que pode ser utilizado em inumeras situações.
Frequentemente não somos capazes de enxergar a realidade no seu total, porque estamos embrenhados numa perspectiva do problema.
Quando tal sucede procuramos justificações que possam fundamentar as nossas opções, ainda que essas justificações sejam rebuscadas. Também com muita frequência existe a tentação de o "miope" recorrer a extrapolações de um exemplo tentando dessa forma convertê-lo em regra e assim ganhar apoio para a sua causa.
O marketing, ferramenta fundamental numa boa gestão privada (e já agora, na pública também), já demonstrou que a miopia é imediática. Convence no momento da sua justificação mas falece quando colocada em prática.
Cá pela minha parte, acho que não preciso de usar óculos e ainda sei verificar o que é um exemplo de má aplicação de fundos públicos, seja na cultura, na saúde, na educação, na defesa, ou em qualquer outra área. Escuso-me a citar exemplos. Eles são quase diários.

P.S. Granel, tal como tu, também desejo que desta vez a consessão seja atribuida. Como te deves lembrar, embora por lapso não surja no post, ela já foi anteriormente atribuida pela Sociedade Porto 2001, mas após impugnação pelas outras partes envolvidas no processo, foi dada sem efeito.

Rui Vieira disse...

onde se lê consessão, deve-se ler concessão. poderá haver outros erros mas este pareceu-me gritante. perdoem-me pelo facto.

GRaNel disse...

A estória da concessão do Edificio transparente não aparece realmente no post. Mas não aparece propositadamente. Não aparece porque é tão vergonhosa como a sua construção ou como toda a gestão da Porto 2001. Mas cá vai...

Em 2002, a Casa da Musica herda da sociedade Porto 2001 algum património, bem como um contentor de facturas (todas com vistos da Doutora Teresa e companhia). É então lançado um concurso de ideias para o espaço - sim, porque nunca ninguem soube para que é que ele servia, nem mesmo a Porto 2001. O concurso foi ganho pela hottrade que se comprometia a dinamizar o edificio. É normal que projectos de requalificação levem o seu tempo a ser preparados (tivessem pensado bem no que se estava a fazer e este post não tinha razão de existir e o erário público estava uns euritos mais rico) mas a Casa da Musica não o entendeu e em, salvo erro, Novembro de 2003 tenta rescindir o contracto com a concessionária. Qual novela, devolve a concessão à hottrade passados poucos meses. Durante este processo, o arquitecto Carlos Prata foi projectando a requalificação. estamos neste momento, na fase de obras que se não existirem atrasos de maior, estarão concluidaas em Novembro - data anunciada para a abertura do edificio ao público.

hörster disse...

O edifício transparente (acho que só de fachada) representa a edificação da revolta e incredulidade. A concretização do insulto. Perante o desperdício (recuso-me a utilizar a palavra gestão, nem que seja para a utilizar junto de um adjectivo pouco dignificante) que tão facilmente se faz de dinheiro.

Penso que gastar mais 15 milhões será um erro, talvez outro insulto; tanto quanto sei, toda aquela fachada de vidro que lhe dá o lindo aspecto de transparência não permite nem a manutenção de calor durante os meses de inverno, nem a libertação do excesso de acumulação do mesmo durante os meses de verão. Além disso, quem o contornar pela praia verificará a exitência de sinais de degradação, o que não será mais que o óbvio perante uma construção tão perto do mar. Interrogo-me sobre o nosso conhecido derrape orçamental para a sua requalificação bem como das elevadas despesas de manutenção a que estará sujeito devido à sua localização. (Conto com o parecer dos nossos pinguins arquitectos sobre esta situação).

Mas o edifício transparente tem já uma função que talvez tenha passado despercebida a algum de nós menos atentos a estes assuntos: é que a existência de uma barreira física entre o mar e o parque da cidade é benéfico para o nosso jardim à beira-mar plantado!

A alternativa demolição é a explosão do insulto, pelo menos este será mais transparente.

GRaNel disse...

Tens alguma razão mas o dinheiro que agora está a ser gasto pertence a privados. E ao que parece, exste um grande interesse na ocupação do espaço. Segundo dados da concessionária (que poderão já estar desactualizados), 35% da área já se encontra vendida e existe interesse em 60% do total da área. Parece-me que é benéfico para a cidade a ocupação e reabilitação deste espaço. A demolição seria um desperdicio de fundos até porque, e como está projectado, estou em crer que a obra tem pernas para funcionar.
Quanto à requalificação em si, e não sendo eu arquitecto, posso-te dizer que com a devida manutenção o edificio manter-se-à em perfeitas condições. E a manutenção não será tão cara quanto isso. Quanto à climatização, o edificio estará completamente climatizado quer no Inverno quer no Verão, existindo a possibilidade de nesta última estação, estar completamente aberto, sem entraves entre a vista e o bonito mar de Matosinhos e Porto.

Jorge Carvalho disse...

Pronto, então o Rui Rio é um anormal e tudo o que ele fizer é detestável e prejudica a Cidade. Acho que não se deve pensar assim. Vejamos que a Câmara Municipal do Porto (e não o Dr. Rui Rio) está a tentar resolver uma série de problemas que estão a enfraquecer a cidade do ponto de vista financeiro (e isto não é uma perspectiva de negócio, é mesmo social) e que irão influir directamente noutros plouros, como já acontece (saúde, educação, admnistração pública). A Câmara não está a sacudir a àgua do capote mas sim a resolver um problema que ela criou (seja quem for que dela esteja à frente). A isto chama-se rentabilizar, entregando essa função a quem melhor a consiga executar.

De facto parece-me que se está com maior preocupação em derrubar o Rui Rio do que ver o lado positivo das coisas. Fala-se sempre antes do tempo, critica-se por tudo e por nada, etc. E isto não me parece consciência crítica mas sim alguma obstinação (não quero com isto sugerir um insulto) o que é negativo do desenvolvimento da consciência política, algo desenvolvido há uns anitos por Maquievel, Locke, ou ate mesmo Pessoa nas suas páginas de doutrina estética.

Devemos ser mais pacientes porque estamos a ficar como os brasileiros da tv record «ai que vem aí o apocalipse». O Rui Rio é um presidente de câmara não é propriamente Satanás.

Ainda bem que se tomou alguma decisão em relação ao edifício transparente, já não era sem tempo!

Rui Spranger disse...

E obvio que nao se pode fazer so coisas mas. Ate o Bush e o Berlusconi ja devem ter acertado nalgumas decisoes e feito coisas realmente boas.
Claro que o Sr. Rui Rio tambem o tem feito.
Tem resolvido os problemas da cidade.
O problema a meu ver e que nao passa disso. Resolver os problemas, mas sem um projecto para a cidade.
E uma especie de biscateiro que vai la a casa apertar a torneira ou por um bocado de estuque na parede.
Mas o Sr. Rui Rio e sem duvida um homem inteligente e reconheco, um bom politico.
Nao me lembro de o Rivoli ter sido um problema no passado, mas percebe-se que o e agora e o Sr. Rui Rio resolve. Claro que e uma chatice haver protestos e criticas (coisa que o Sr. Rui Rio detesta), mas tudo se resolve com um bom timing politico.
Nada como pegar num problema com anos e resolve-lo no momento adequado.
Quem e que agora se vai lembrar do Rivoli... toda a gente sabe que o Rivoli era um problema e que o Sr. Rui Rio resolveu.
Querem mais provas da sua capacidade de resolucao de problemas do que o Tunel de Ceuta ou o Edificio Transparente?

Viva o Sr. Rui Rio!

(Desculpem este viva final, mas e que o Sr. Rui Rio quer proibir que toda e qualquer estrutura apoiada pela Camara possa fazer criticas a esta. E certo que eu nao sou apoiado pela Camara, mas ainda se pode vir a queixar a Procuradoria Geral da Republica que eu nao gosto dele. Nao o fez ele ja com o jornal Publico?)

PS- Apesar do meu tom critico, parece-me excelente que se resolva o Edificio «Decadente«.
Jorge, este nao deixa tambem de ser uma pequena provocacao ao teu comentario. ;)

Jorge Carvalho disse...

Muito gostam vocês de me provocar. Isso é porque eu sou bonito e inteligente! Invejosos!