segunda-feira, 17 de julho de 2006

José Cid vs Pink Floyd

Enquanto via uma entrevista/reportagem na Sic a José Cid, absorvia a incoerência discográfica do artista, mas ia percebendo a coerência do Homem.
Sempre me causou alguma confusão o percurso musical de José Cid, mas como ele deixa perceber, um homem tem de comer, e assume que tem música má. Neste ponto conquistou a minha admiração. Também acho que ele tem musica francamente má. Enquanto vou divagando nas minhas considerações sobre José Cid, a SIC termina a peça e inicia uma outra sobre Pink Floyd. Não estou seguro de que a colagem tenha sido intencional, mas não podia ser mais acertada.
Em 1978, edita "10 mil anos depois entre venus e marte", uma obra prima do rock progressivo ( também há quem lhe chame sinfónico ou conceptual). Um álbum na sua verdadeira acepção da palavra. Ao invés de fazer uma colagem amorfa de temas sem qualquer ligação entre si, José Cid narra ao longo de 50 minutos a fuga da Terra com todas as sensações, apreensões, receios e anseios. São 8 faixas onde impera o piano e a guitarra pontuado com derivações de sintetizador tornando a atmosfera algo estranha e progressiva (se imaginada à luz do remoto ano de 1978). A sua voz também marca presença, e bem, acrescento eu.
Escutar este álbum, "ler" a história , apreciar o extraordinário trabalho de produção, reconhecer as semelhanças com "Dark side of the Moon", a originalidade criativa, é perceber com justiça o epíteto de "Mãe do Rock Português".
Pois bem, a dar consistência ao post deixo o 2º tema do álbum: " O Caos", para ser escutado aqui.

2 comentários:

Jorge Carvalho disse...

O José Cid é, inquestionavelmente, um marco do rock português. Antes disto tudo ainda tinha feito parte do Quarteto 1111, uma banda de rock progressivo bastante reputada na época. A inovação fez sempre parte da música de Cid mas uma banana e um macaco começaram a traçar um caminho que não se esperava da parte de um artista tão criativo (o mesmo que aocnteceu com Stevie Wonder). Devemos então seguir a questão colocada no «Alta Fidelidade»: deverá um artista que tem um trabalho genial e inovador ser culpado e castigado por crimes posteriormente cometidos?

Syd Barret morreu a semana passada. Aos sessenta e poucos anos desparece (existencialmente) um dos homens mais importantes da música popular contemporânea, o fundador de um dos maiores fenómenos musicais de sempre - Pink Floyd, um louco com voz de anjo! Esta é a minha homenagem possivel!

Vitor Elyseu disse...

tive o prazer de servir à mesa do pecado da gula ,na altura um pequeno take-away na zona do foco, na boavista,o Sr. José Cid,um guloso dos quatro costados e um bom garfo,até a sua voz normal,de cliente anónimo,é musical e bem colocada e de uma extroversão natural,fiquei a pensar nele desde esse dia como um bom tipo e com sentido de humor,muito longe da imagem que tinha no passado,mais propriamente da minha infância,colada aos discos de vinil do meu pai - Um parolo com musica parola!