sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Relatos de um Pinguim errante

O técnico, de chave de fendas em riste, no alto de um escadote a mexer na asa do avião e a chamar um primeiro colega e ainda um segundo, enquanto no interior do avião lhe informavam do atraso na descolagem, não lhe aliviava a preocupação.
De qualquer modo, lá o gigante começou a rolar sobre o asfalto, e a contagem começou... 1,2,3,4...178, 179, 180... ufa! Estava vencido o receio, afinal de contas, os primeiros 3 minutos é que são perigosos nas viagens de avião. Pensamento que reconforta, pelo menos até sentir a ligeira pressão do avião a fazer-se à pista para a aterragem.

Assim foram as primeiras impressões que o nosso pinguim errante nos relatou sobre as suas viagens de verão.
Muitas foram as fotos que circularam e as estórias com que o Rui Spranger nos brindou. Seria impossivel aqui enumerar todas, mas tentarei abordar pelo menos algumas.

Da Polónia que o Rui narrou nos seus diários de viagem aqui publicados em Junho, foi seguindo viagem e apontando as suas impressões num caderno onde escrevia para nós. De destino a Toulouse, decidiu sair do avião em Milão e de lá apanhar o comboio para Toulouse. Tarefa que seria fácil, caso os atrasos nas ligações não surgissem. Como assim sucedeu, surgiu um passeio até Genebra, atravessando os Alpes, seguindo depois pelo caminho menos acertado possivel no Norte da França até que finalmente desceu em direcção à Costa e à festa da Luana. Notas do Rui sobre a viagem que retive: um itinerário muito bonito até aos Alpes, uma Argentina voluptuosa que teve a desfaçatez de não fazer o percurso até ao fim e ... 19 horas de viagem.

Chegado a França, foi tempo de reviver tempos passados. Em Paris assistiu ao cinema ao ar livre no Parc de la Villette, onde recordou Birdie de Alan Parker. Teve ainda tempo para ser surpreendido por um enorme falcão, de nome AIR FORCE 1, onde terá lamentado não dispor de uma fisga. Como o Rui não se prolongou muito sobre a sua estadia em Paris, sou levado a crer que Paris continua a ser cidade do Amor e para ser belo convém guardar segredo.

Agora a viagem seguiu rumo à Estónia, com visitas aos seus países vizinhos. (Como a caneta estava sempre a falhar, tenho apontado alguns destinos que nem eu próprio decifro). Mas na Estónia estaria guardada a sua melhor experiência. Uma viagem pelo encarpado Mar Báltico levou-o à Ilha de Nassairi (?) como clandestino. Esta ilha que também é conhecida pela ilha das mulheres foi uma antiga base soviética e conta com um vasta lista de recenseamento composta por 1 habitante. Soubemos que existia um outro, falecido pouco antes. Contou-nos o Rui, que após chegada à Ilha, providenciou regresso num iate comandado pelo único Estónio que já deu a volta ao Mundo de veleiro. Pousadas as provisões (parcas) num Hostal, que se encontrava em recuperação, iniciou a exploração da ilha, encontrando um antigo depósito militar e distraindo-se no tempo, perdendo assim o jantar. Como a fome e a sede apertava, obteve a preciosa informação que a 300 metros do Hostal, existiria um Bar. (Julgo que aqui termina a experiência do Rui e começa uma cena que ele terá visto num filme do Kusturika).
O Bar de grande animação reunia os trabalhadores das obras do Hostal e alguns habitués, como o providencial comandante que lhes garantira o regresso, e algumas mulheres com quem todos dançavam. A bebida era o elixir da noite, e só depois de uma demonstração de virilidade, é que o Rui foi libertado da obrigação de acompanhar cada rodada. No meio da alegria, ficou a saber que a ilha dispunha de um comboio. E com uma grande particularidade. Não tinha horário de funcionamento. Telefonava-se ao maquinista e lá vinha ele numa velha locomotiva, pronto a largar os seus viajantes ao longo dos extensos 1500 metros que compunha a via. De cabeça atordoada e cara inchada pelos mosquitos lá foi feita a despedida da Ilha das Mulheres, com a promessa, não cumprida, de regressar para a cerimónia de deposição das cinzas do saudoso co-habitante da ilha.

A noite já ia avançada, os relatos minguaram enquanto os olhos se distraiam pela muitas fotos que o Rui trouxe. Como souvenir, suponho! ... A não ser que o souvenir fosse as 2 polacas que entretanto chegaram ;)


Nota final: Perfeccionista como sempre, o Rui estava preocupado pelo modo como decorreu a sua sessão. Eu faço apenas um comentário: mesmo cansado, tu brilhas amigo!

4 comentários:

Jorge Carvalho disse...

Viagens são viagens e como tal sugerem sempre histórias únicas!
Foi uma grande sessão de histórias que suscitou um enorme interesse pelos lugares de que o Rui falou.

Muitos parabéns!

Cláudia N. disse...

A apresentação do Spranger, despertou ainda mais em mim a vontade de viajar pelos paises de leste. As fotografias foram bastante apelativas, mas o melhor de tudo foram as suas histórias. O Spranger é sem dúvida um excelente contador de histórias, mas outro que não lhe fica atrás é o Rui vieira, e este relato da sessão de terça, vem mais uma vez provar isso.Parabéns aos dois.

hörster disse...

Foi com uma imensa dose de cansaço e uma ainda maior dose de pena que tive que sair do Pinguim mais cedo que o usual...
Adorei o pouco que (ou)vi e o que acabei de ler.
Parabéns ao Rui e ao Vieira!
Fiquei contagiada pelo bichinho das viagens!

rodrigues76 disse...

Ora aqui está uma paixão que partilho inteiramente com o rui...
As viagens e esta região da europa...
Obrigado Rui pelas memórias que me trouxeste e sobretudo as histórias que nos ofereceste.