segunda-feira, 10 de abril de 2006

"Terrorismo" católico

Igreja não quer festival de dança na Madeira

Estalou a guerra por causa da Sexta-feira Santa. No centro da polémica está um festival de dança agendado para o fim-de-semana de 14 e 15, na Mariana do Lugar-de-Baixo, Ponta do Sol (Oeste do Funchal, Madeira). A Igreja está contra, diz que é uma “falta de respeito pelos símbolos religiosos” e pede aos jovens para não se deixarem “sujar com o dinheiro de Judas”.


Foi com estas palavras que, ontem de manhã, o bispo do Funchal, D. Teodoro de Faria, se insurgiu contra na homilia do Domingo de Ramos. À tarde, um grupo de padres e populares subscreveu uma petição contra o festival, no qual se lê que “o terrorismo não se faz só com bombas e armas”.

Os jovens estão indiferentes às solicitações da Igreja. “Entendo a posição, mas cada um tem direito de fazer o que lhe apetece”, diz Duarte Berenguer, 24 anos, que admite participar na festa. “A Igreja não está a evoluir. Este assunto está a dar mais polémica por ser feita numa zona rural, menos citadina. Isto não é normal. É costume haver festas nesta altura e há bares que na sexta-feira estão abertos toda a noite.” Também para Filipe Caires, 24 anos, “a posição da Igreja não se justifica e só faz com que os jovens se afastem mais”.

GOVERNO LAVA AS MÃOS
O CM perguntou ao Governo Regional da Madeira o que achava da polémica, uma vez que a festa é apoiada pela Direcção Regional de Turismo. A resposta do assessor Paulo Pereira foi curta: “Não temos nada a ver com isso.”O Madeira Paradise Dance Festival 2006 é uma iniciativa da Câmara Municipal da Ponta do Sol. Organização e autarquia estiveram ontem incontactáveis.

NOTAS DE UMA POLÉMICA
HOMILIA
“Sexta-feira Santa é um símbolo sagrado, dia da morte de Jesus”, disse D. Teodoro Faria. “Faltar ao respeito aos símbolos religiosos ofende e faz sofrer os que têm fé. É preciso saber dizer não e sim à própria consciência.”
PETIÇÃO
“O paraíso para aqueles que planearam e levam a efeito o dito espectáculo é viver numa ilha onde se desrespeita de forma grotesca os sentimentos mais profundos de uma comunidade”, lê-se na petição.
FESTIVAL
É esperada uma enchente no festival. Entre os nomes convidados estão DJ de topo: Roger Sanchez, Steve Angelo e Hernan Cattaneo. Os críticos não poupam a Câmara e a Região de Turismo, por apoiarem a iniciativa.

Diana Ramos / Miguel Azevedo, Correio da Manhã

Os jornais são uma fonte interminavel...
E a nossa igreja também...
Não, não estamos a falar de um padre de uma qualquer paróquia, estamos a falar de um Bispo...
E, aparentemente, respeitar os simbolos religiosos obriga os não-católicos a cumprir os velhos preceitos e tradições da igreja católica...
Provavelmente também chamam os iranianos de infiéis e pecadores a caminho do inferno...

Já houve tempos em que a Fé se impunha pela força, no entender de alguns devia continuar a ser assim...

4 comentários:

GRaNel disse...

Parece que a Madeira é terreno fértil para o nascimento e desenvolvimento de ditadores. É inaceitavel que queiram impôr limitações a quem purissimplesmente se quer divertir. Mas mais uma vez o digo, é o país que temos.

Quanto a mim, se pudesse, ia. E fazia questão de o anunciar.

Rui Vieira disse...

Venham dançar o bailinho da Madeira...
que o Sr. Padre vai gostar...
se na Páscoa não calhar.

A Madeira não pára de surpreender. A decisão de não comemorar o 25 de Abril (levando a reboque o PSD do "contenente")é a unica que faz algum sentido. Afinal de contas, continuam sem saber o que é viver em Democracia.

Rui Spranger disse...

A Madeira tem apenas uma discoteca, chama-se "Vespas".
A Madeira tem há 30 anos um Alberto João.
Pelos vistos tem também só uma religião e uma igreja.
À parte muita gente boa que por lá há só houve falar da Madeira por causa do Offshore e de pedofilia.
Bom, agora também há a Igreja a dar que falar, mas não é de admirar. Já o tinha feito no passado, lembram-se do Padre Max?
Eles provavelmente não!

Rui Spranger disse...

Uma pequena correcção ao meu post:

À parte muita gente boa que por lá há só se ouve falar da Madeira por causa do Offshore e de pedofilia.

O Eles do fim, são os padrecos tacanhos que por lá. Excluam-se os não tacanhos que também por lá deve haver.