segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Um alter-ego em Alta-fidelidade

Nunca me foi tão difícil escrever o post de uma sessão como a ultima que o Jorge nos trouxe.

E digo isso porque nunca me senti tão próximo da esfera pessoal do apresentador como nesta sessão. Alta-Fidelidade é um filme que retrata um alter-ego do Jorge. Não posso afirmar que o Jorge se definiu neste filme, mas estou certo que muito de si se encontra em Rob Gordon.
Haverá naturalmente diferenças, e algumas que o próprio Jorge bem lamentará, mas a melomania é uma característica mútua. Quem de nós nunca se surpreendeu com a capacidade do Jorge em citar musicas e o seu autor? E será mera coincidência a elaboração de TOP-5 que o Jorge faz no teaser da sessão e depois repete e incita no seu blog? Ambos vivem em torno da sua paixão pela música.
Não quero continuar a fazer uma análise pormenorizada das suas semelhanças (por um lado, porque não estou habilitado a tal, por outro porque não me parece correcto). E dito isto, porque não abordar a personagem de Rob?
Este fã incondicional de música, que tem o cuidado de nos alertar para os malefícios da Pop music ainda no preâmbulo do filme, seduz todos os que o rodeiam com uma graça que ele próprio tem dificuldade em compreender. E é esta dificuldade de compreensão (que muitos chamarão maturidade tardia) que somos convidados a decifrar em Alta-Fidelidade. Através de um Top-5, como não podia deixar de ser, Rob apresenta-nos as suas paixões (carnais). As marcas que elas lhe deixaram, as marcas que ele deixou, os mitos que ele criou, as expectativas que ele defraudou, todas estas relações nos são esmiuçadas em contactos que ele provoca com as suas anteriores companheiras. Em simultâneo, a sua ultima relação que inicialmente nem tem direito a constar do Top-5, vai crescendo de importância e subindo lugares na tabela à medida que Rob ganha consciência das suas limitações.
Claro que este processo não é fácil, porque Rob não é uma pessoa fácil. Que dizer de alguém que organiza a sua discografia por ordem biográfica? Que sabe exactamente o momento em que adquiriu cada um dos seus milhares de discos? Tanta meticulosidade não pode augurar nada de bom.
Mas se calhar até pode… afinal de contas, Rob retira todos os seus discos das estantes e um por um eles retornam á sua posição original, como ideias que se organizam numa ordem perfeitamente lógica. Também as suas relações sofrem o mesmo efeito e no final Rob sabe quem deve ocupar o lugar cimeiro da tabela.
Rob amadureceu, Rob arriscou, Rob assumiu, enfim Rob sabe agora quem é!

Termino assim este post que já há muito devia ter sido publicado, e que espero me possam desculpar, mas não era fácil falar do Jorge, perdão, do Rob.

5 comentários:

Cláudia N. disse...

Por acaso este filme já queria ver há muito, mas nunca calhou.O Jorge trouxe-nos o "Alta Fidelidade" e foi uma agradável surpresa... em todos os sentidos. O Jorge através deste filme revelou mais uma vez a sua sensibilidade, atento aos detalhes.
O post do Rui sobre a sessão foi fantástico , fez um excelente resumo sobre a sessão com muitos toques de poesia à mistura, e apesar de não se ouvir, temos sempre como pano de fundo a banda sonora do filme e do Jorge à mistura...
Parabéns aos dois...ao Jorge pelo filme e ao Rui por nos ter levado a sentir o filme de uma forma tão intensa através das suas palavras.

Otília disse...

Jorge, prometo solenemente, nunca mais recusar um convite para uma sessão tua...

beijinhos

Rui Spranger disse...

Muito bom post!!!! Tão bom que tenho que arranjar o DVD para ver o Jorge, perdão, o Rob!
Parabéns

Marta Araújo disse...

Brilhante post...

filinto disse...

Manuela Azevedo, Adolfo L. Canibal, Miguel Guedes... podem ser exemplos. Ou então não!

Comentário é hermético, eu sei, mas dormi muito pouco, sorry.