quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A Festa de Babette

Carolina acho que consegui bater o teu record!!!
Acho que este será o post mais tardio de sempre e peço desculpa por isso, mas já diz o povo: "Mais vale tarde do que nunca..."




O André começou a sessão no dia 13 de Julho dizendo que uma das suas paixões era a gula e que nos iria mostrar um filme sobre isso mesmo, ou melhor, sobre o pecado da gula e se o pecado seria mesmo pecado ou se seria pecado não pecar pelo pecado. Confusos?? Também eu fiquei quando a sessão foi interrompida e adiada para o dia 22 de Julho...
Passemos a explicar: O filme tratava-se de "Babettes gæstebud" (título original) que é como quem diz: "A Festa de Babette". Um filme Dinamarquês de 1987, realizado por Gabriel Axel.
O filme começa por contar a história de duas irmãs (Filippa e Martine), filhas de um honorável pastor Protestante, que viviam numa aldeia isolada. Apesar de alguns convites para sair da aldeia e conhecerem mundo as irmãs preferem continuar a ajudar o seu pai e a sua igreja. Uns anos mais tarde aparece na pequena aldeia uma refugiada francesa (Babette) que acaba por ser auxiliada pelas duas irmãs que lhe dão casa e comida em troca dos seus serviços.
Uns anos mais tarde, já o pobre pastor tinha morrido e as irmãs resolvem celebrar a data em que o seu pai faria 100 anos. Babette, que tinha acabado de ganhar uma lotaria choruda, oferece-se para fazer o jantar comemorativo, um jantar francês que estava habituada a fazer na sua terra.
E foi aqui neste ponto que acabou a primeira sessão. "O melhor está para vir, diziam..." e lá tivemos que esperar duas semanas para ver o desenlace final e tentar perceber o que o pecado da gula tinha a ver com tudo o resto.
Começada a segunda sessão, prontos para ver o último terço de filme e depois de revista a matéria passada, o filme arranca mais ou menos no ponto onde teria ficado.
Convém, antes de continuar, dizer que a aldeia isolada onde se encontravam estas irmãs era extremamente religiosa e seguia-se por todas as suas convicções protestantes. Quando Babette se oferece para fazer o jantar comemorativo do centenário do velho pastor, a ideia não foi de todo bem-vinda. A comida extravagante e o vinho não são bem-vistos aos olhos do Senhor, além de que Babette era católica. Começamos, finalmente, aqui a perceber onde aparece o pecado da gula.
Babette tanto insiste que acaba por convencer as duas irmãs. Estas por sua vez e assustadas com o grandioso banquete, tentam convencer a aldeia a aparecer ao jantar com a condição de que ninguém poderia apreciar as iguarias que lhes seriam servidas a fim de não cometerem pecado. A aldeia concorda unanimemente.
Babette manda vir uma infindável quantidade de ingredientes de França e trabalha arduamente para realizar o seu dito jantar. Ao jantar junta-se aos habitantes da aldeia um general Sueco, sobrinho de uma velha senhora da comunidade da aldeia e que não tinha quaisquer complexos com comida ou pecados.

O resto seria uma perda de tempo tentar descrever. O melhor é mesmo ver o filme e captar a sua narrativa, com todo o seu sentido de humor, juntamente com todas as pequenas reacções de cada personagem.
Que fique só resumido que Babette acaba por fazer o maior e mais saboroso banquete da vida daquelas pobres personagens e no final que cada um de vós tire as suas conclusões em relação ao pecado da gula, porque eles também as tiraram... e não vou ser eu a fazer juízos de valor, que não me pagam para isso.
(Continuam confusos?? Já não posso ajudar muito...)

O filme tem uma passividade lenta, o tempo passa devagar o que nos traz uma calma interior que nos transporta automaticamente para a calma daquela pequena aldeia isolada. O sentido de humor está no ponto certo, nunca chega a ser burlesco ou exagerado, está lá e pronto, o que faz com que o filme seja uma experiência única, sem nunca chatear.

"A Festa de Babette" ganhou uma menção honrosa do Júri em Cannes 1987 (para o realizador Gabriel Axel), o Óscar de melhor filme estrangeiro em 1988, o BAFTA para melhor filme estrangeiro em 1989, entre muitos outros prémios...

O André remata a sua sessão dizendo que o banquete que é feito no filme teve tanto sucesso que ainda hoje há restaurantes que recriam o mesmo. (Tirando a sopa de tartaruga, visto estar proibida devido à preservação da espécie, obviamente). Presumo que não seja barato, mas se tiverem numa de perder a cabeça é só investigar.

Agradeço ao André pela sua sessão, pela maneira que a apresentou e defendeu e pela escolha deste belíssimo filme.

Se quiserem mais informações sobre o filme visitem o IMDB aqui.
Se quiserem as receitas podem ver aqui.
Se quiserem variadíssimas informações sobre o filme, elenco, história e receitas podem vir aqui.

3 comentários:

Rui Spranger disse...

Excelente post! Ume excelente descrição, uma análise critíca ao filme e muita informação. Demorou, mas o resultado obriga a uma absolvição total do pecado da preguiça

Hugo Pereira disse...

Bem, redimiste-te mesmo com este post!! Mais umas frases e tavas a "spoilar" o filme :D

Próxima quinta não falto, agora que regressei de vez de férias.

Abraços!

André Rodrigues disse...

Excelente e grande comentário, muito bem redigido, capaz de deitar por terra muitas críticas feitas por "profissionais" nos jornais...