sábado, 18 de junho de 2011

Dupla sessão 24 Party People e Control

Antes de mais quero pedir desculpa pela demora deste post...

O que se pode dizer da sessão dupla do André? Que simplesmente é sobre a música que marcou uma viragem e uma ruptura sonora entre um passado repetitivo da música e a nova vaga de sons, que ditam de uma forma bem vincada, o que se irá ouvir nos tempos que hoje correm.
Esta mudança é nos mostrada através de duas obras cinematográficas, que são na sua essência um registo visual da ruptura que falo anteriormente.
Mas vamos por partes (partes essas que irei dar o nome visão da ruptura 1 e 2 seguido pelo nome da obra cinematográfica).

Visão da ruptura 1 :

“24 party people”. (filme filmado de forma documental )
Filme de 2002 realizado por Michael Winterbottom

Corre o ano de 1976, Tony Wilson, apresentador de um programa de música da Granada Tv, mantêm uma busca constante pelos novos sons que marcaram uma década ou uma viragem no espectro musical, e assim vai trazendo ao seu programa novas bandas.
Descontente pela falta de inovação, decide ele próprio ir à “caça” de novos talentos musicais, para assim ser aquele que trará a boa nova musical ao mundo musical Inglês e mundial.

Esta “caça inicia-se”
Nessa constante busca utópica cria uma record label e bar, a Factory, onde ai resolve abrir os braços e mostrar ao mundo, e ás pessoas ávidas de novidades musicais, a sua “caça”. Entre eles estão os Buzzcock´s, A Certain Ratio, Vini Reilly e Durutti Column e os Joy Division (a utopia era de tal forma grande que com os Joy Division ele assina o contrato com o seu próprio sangue).

Após o suicídio de Ian Curtis o filme toma um rumo diferente, também reflexo de uma certa evolução “dançante” da musica na noite de Manchester, e ai Tony Wilson funda a Hancienda.
Na Hancienda ele mostranos o nascimento da Rave Culture, onde o publico já não aplaude as bandas, mas sim o DJ, esse passador de música que faz o publico vibrar com os sons que cria ou recria.
Mas antes disso, ele mostra-nos o nascimento dos New Order (banda fundada após o suicídio de Ian Curtis, com os membros dos Joy Division) mas cai muito na historia dos Happy Mondays e de toda a sua irreverência.
Este filme acaba com o fecho da Hancienda devido à falência da label Factory e por ultimo, mesmo no fim do filme Tony Wilson vê Deus... e torna-se sim o messias da música que hoje em dia ouvimos.

Visão da ruptura 2 :

Control (filme biográfico)
Filme de 2007 realizado por Anton Corbijn

Filme de 2007, é um filme biográfico a preto e branco que nos fala de Ian Curtis, vocalista dos Joy Division.
Filme baseado no livro escrito pela viúva de Ian (Deborah Curtis) “Touching from a distance”.

Aqui é nos apresentada a vida de Ian desde 1973 até 1980, focando o casamento de Ian, na formação e vida dos Joy Division, nos casos de epilepsia de Ian e no caso extra matrimonial de Ian com Annik (jornalista francesa) culminando com o seu assassinato em Maio de 1980.

Através deste filme conseguimos ver as influencias de Ian Curtis e toda a sua dedicação a banda e a musica que transmite, pois mesmo com os ataques de epilepsia ele nunca para de nos transmitir a sua musica.
Aqui e nos dado de mão dada toda a paixão e revolução musical feita pelos Joy Division que até aos dias de hoje perdura que influencia todo o panorama musical dos dias de correm.

Conseguimos entender a razão das suas musicas e das letras, conseguimos vivenciar toda a vontade de mudança interior de Ian Curtis, que apenas nos transmite essa mudança, essa mudança dos tempos da musica que se ouvia para a que, posteriormente se ouve. Porem ele é um professor que apenas ensina o publico, mas que não aprende, pois nem toda a sua revolta interior e tudo o que nos transmitiu não foi suficiente para ele próprio aprender e sair da sua angustia interior, pois falhou ao ensinar-se a si próprio, falhou em ele próprio conseguir entender o que transmitia, e isso leva-o ao suicídio.
Para terminar este post da sessão dupla de André, gostaria de dizer que ambos estes filmes são as obras cinematográficas mais marcantes para entender a musica que se ouve hoje em dia, pois tornam-se necessários ver para entender o que ouvimos nos tempos que correm.

http://www.youtube.com/watch?v=A1Qz2x94q6A

http://www.youtube.com/watch?v=7c2_B_cWK_M

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Planos de Sequência /Long Takes

O Hugo Valter e o Águia preparam uma noite literalmente de filmes “non stop”, ou seja o tema eleito foi os planos de sequência.



Ora como fica sempre bem, vamos definir o que é um plano de sequência antes de avançar:
Um plano de sequência no cinema consiste numa cena filmada num único “take”, sem cortes, e com várias acções interligadas e encadeadas, que podem acontecer em ambientes distintos com vários intervenientes.



A primeira vista parece fácil…!



Mas na realidade para obter uma cena em plano de sequência é necessário um verdadeiro trabalho de equipa desde dos actores até as equipas de filmagem. Uma única falha de um elemento no último segundo obriga a refazer desde do início a cena toda por inteiro.



É como se fosse um bailado interminável, entre o actor e a câmara onde eles nunca se tocam mas nunca se deixam de olhar, e cada vez que o actor dá um passo no seu bailado, a câmara tem de acompanhar movendo-se, adaptando se à nova cena, reajustando as luzes, som e simultaneamente esconder os fios, equipamento de produção, e equipa de realização.



Chega de metáforas, agora factos!



Quando surgiram os primeiros planos de sequência?
Basicamente os planos de sequência surgem simultaneamente com a indústria cinematográfica, na verdade os primeiros filmes alguma vez produzidos eram na sua maioria filmados em longos “takes” sem cortes e sem edição. Em 1948, o filme “ROPE” de Alfred Hitchcock é na verdade um filme criado pelo corte e união uma série de longos “takes” de 8 a 10 min, de forma a obter uma história final com linha condutora. Neste caso este plano de sequência foi bem-sucedido porque a acção do filme decorre numa única sala durante 80 minutes, logo não existam os problemas de mover a câmara e ajustar as luzes entre outras coisas.



Qual o plano de sequência mais longo?
Segundo as minhas pesquisas o plano de sequência mais longo da história do cinema é o filme “Russian Ark” de Alexander Sokurov ,um filme de 2002 filmado inteiramente num só “take” de 99 min
Curiosidades: Dado que o museu Hermitage só podia estar fechado um dia o filme teve de ser filmado apenas nesse dia. As primeiras tentativas falharam mas, a quarta tentativa foi de vez.

Quais os planos de sequência mais famosos?
Touch of Evil (1958) – The Opening Shot - dir. Orson Welles
Goodfellas (1990) – The Copacabana club scene – dir. Martin Scorsese
Boogie Nights (1997) – The Opening Shot in the Club – dir. Paul Thomas Anderson
…entre outros é claro



Planos de sequência fora do contexto da indústria cinematográfica:


Videoclips por exemplo:
OK GO “This Too Shall Pass” ; “Here it goes again”; “White Knuckles” (sou fã!!)

Erykah Badu – Window Seat



Na televisão temos os spots de publicitários por exemplo:
Whiskey Jonhnnie Walker,


Bem este “Post” está se a transformar num plano de sequência que nunca mais termina portanto será melhor dar os parabéns aos organizadores por uma sessão muito interessante.


segunda-feira, 23 de maio de 2011

Na próxima sessão...



Na cave do Pinguim, 5ª feira, dia 26, às 22h00.

sábado, 14 de maio de 2011

WASTE LAND

WASTE LAND

Antes de começar a escrever este post, gostaria apenas de dizer o quanto me sinto honrado por ser eu a ter esta tarefa, visto que ainda não me saiu da cabeça o filme que a Alexandra nos trouxe. Assim sendo peço já desculpa se o post for grande.
Como posso eu transmitir o que senti e o que foi visto com o filme Waste Land? Não sei se serei capaz, mas peço que façam um exercício mental e tentem visualizar o que irei escrever em seguida.

São 6 da manhã, toca o despertador, Tião acorda.

Caminha para a cozinha, onde a sua mulher e filha já tomam o pequeno almoço, fala um pouco com ambas enquanto segura na sua mão o livro Código de Da Vinci.

Ao levantar-se da mesa, dá um beijo na testa da filha e sussurra ao ouvido “Tens de ler livros para seres psicóloga, sabias?” ela com um sorriso de quem tem 6 anos acena com a cabeça, enquanto segura na sua Barbie, penteando-lhe o cabelo.

Ao mesmo tempo Magna, colega de trabalho de Tião, caminha pelas ruas, em direcção ao trabalho, olha para o lado vê uma criança a correr e a bricnar com algo que lhe foi dado provavelmente pelos pais, vê outros colegas de trabalho com as suas malas escuras a sorrirem e a cumprimentá-la, satisfeitos pelo seu dia de trabalho ter acabado. Ela sorri de volta e à distancia, entre as casas vê Irma a cozinheira, carregando a comida, pois hoje será um dia cheio e ela tem uns petiscos para fazer,ela prometeu usar a criatividade e servir algo diferente.

Tião passa por elas, desviando-se dos carros, sorri e entra no gabinete da associação da qual é presidente a ACMJG, entre as portas vê a figura do seu grande amigo Zumbi, que está com o Guerra e Paz na mão.

Tião repara na expressão de alegria na face de Zumbi quando ele lhe dá o livro a para a mão e diz-lhe – Já temos mais um livro para a nossa biblioteca.

Ambos deixam o edifício da Associação e vêem ao longe Suelem, que com um sorriso de adolescente olha para eles, com a sua face lindíssima esboça um sorriso para os cumprimentar, e Tiao sorrindo sussurra a Zumbi – “Será que ela um dia vai tomar conta de crianças??? É o sonho dela....”

A conversa e subitamente interrompida por Valter que os comprimenta acenando a mão, e em toda a sua sapiência de quem já trabalha ali à muitos anos, diz-lhe sorrindo, “Meus amigos, 99 não é 100”.

Passado uns minutos estão todos já à porta do seu local de trabalho a rirem e a conversarem e eis que chega Ísis, de uma forma alegre e descontraída, enquanto olha para os edifícios e para o frenesim daqueles que caminham na rua e pensa. “Um dia vou sair daqui... um dia nunca mais vou voltar a ver aquele cartaz...”

Lentamente o seu olhar dirige-se a medo para o cartaz que diz “Aterro Jardim Gramacho... PERIGO DE VIDA”


Agora peço-vos que façam um jogo mental e que todas as imagens que visualizaram anteriormente, enquanto eu apresentava as personagens, sejam substituídas por crianças a brincar com sacas de plástico, esgotos a céu aberto, carrinhas a transportar lixo, lixo espalhado pelas ruas e passeios, casas que são barracas... E quanto à associação, não imaginem um edifício branco de 3 andares com secretaria, mas sim um barraco com livros encontrados na lixeira, pois Waste Land não nos fala de pessoas da classe média, mas sim de pessoas honradas justas e humildes que trabalham em algo que ninguém deseja trabalhar, numa lixeira e catarem o lixo e a vender-no.
Pois Waste Land fala dos catadores do Jardim Gramacho.

Este documentário trazido pela Alexandra ( a Xanocas ☺ ) narra o envolvimento pessoal de Vik Muniz, um artista plástico Brasileiro que vive nos Estados Unidos nas causas humanitárias do maior aterro do mundo Jardim Gramacho (situado perto do Rio de Janeiro ) e a sua relação com os catadores.

Inicialmente Vik Muniz apenas pretendia “pintar” os catadores com lixo, visto que toda a sua obra ter como material o lixo, e a sua utilização em recriar pessoas através dele, usando-o como “tinta” visto ele próprio durante muito tempo ter trabalhado como lixeiro.

Contudo e apos a sua relação com os catadores, ele viu-se envolvido nas suas causas, e ai ele resolveu mostrar a dignidade que existe naquelas pessoas honradas.

E assim criou um documentário que é uma obra de arte, que nos trespassa as emoções, que nos põe a nú, despidos e humildes ao ver todas aquelas justas pessoas, que por motivos de um destino atroz foram arrastadas para aquele espaço.

Recordo as palavras de Suelem ao dizer, "...pelo menos não estou no trafico de droga ou na prostituição, sou uma catadora, tenho um trabalho justo."

No inicio do documentário, vimos Muniz a dizer “Quero mostrar as pessoas que trabalham no Jardim Gramacho, como elas são. Pois ali estão as pessoas que ninguém quer saber, pois vêem aquelas pessoas como o lixo, lixo esse que separam”

Assim ele leva-nos a uma viajem emocional que nos reduz à nossa própria insignificância, que nos deixa abalados por nos afastarmos por vezes da dor alheia e por vezes sermos snobs, onde nos preocupamos apenas com os telemóveis, roupas, carros, casas, férias... e reclamamos se não temos isso, e ali, perante nós estão as pessoas que apenas querem chegar ao fim do seu dia para poderem dar um futuro aos seus filhos, para poderem recomeçar uma nova vida e que por serem consideradas “lixo” deixam de sonhar, pois numa certa altura nota-se que por aparentarem ser felizes, não o são, apenas existem, sem sonhos.

Ai entra uma segunda hipótese de vida... ai entra Vik Muniz, que mostra aos catadores, narradores emocionais desta historia, que eles podem ser muito mais, que eles não são o lixo que separam, que eles são pessoas e que podem sonhar. E o mais belo nisto tudo, é que Muniz não foi para lá com a intenção de ser um “messias” com a boa nova, ele foi lá apenas para fazer um trabalho artístico.

Recordo uma conversa entre Muniz e Tiao, onde falam da arte, e o que é a arte e o não entendermos o que é a arte. Mas com este documentário vimos uma faceta da obra de arte, o poder de dar, de transmitir, de dar valor à vida e aos sonhos de todos nós, pois através da arte “aquela coisa que não se entende bem” o homem sonha, cresce e torna-se mais e volta a voar, volta a reencontrar-se e volta a ter um significado, por mais adormecido que esteja.

Torna-se impossível resumir esta obra prima, pois há tanto, mas tanto para falar e para transmitir. Não se sabe bem o que nos choca ou acorda mais, se Irma a cozinhar no meio do lixo e a usar a sua criatividade para conseguir alimentar os seus colegas com comida praticamente fora do prazo. Se o mar de lixo que envolve as milhares de pessoas que trabalham no Jardim Gramacho. Se as ondas de lixo a sair dos camiões e os catadores (tal como surfistas) a subirem para essas ondas enquanto os camiões descarregam o lixo e ou até mesmo os lixeiros que conduzem os camiões a abrirem as portas sem se preocupar se elas acertam em algum dos catadores, vendo-os como o lixo que carregam.

Torna-se realmente impossível transmitir a magnitude humana e sociológica que nos é mostrada em Waste Land, visto que não é possível criar imagens escritas que cheguem aos calcanhares da sensação que trespassa o nosso o nosso olhar ao vermos os catadores e as suas vidas.


Sei que está demasiado longo este post, mas queria ainda falar de algo, algo belo, no meio disto tudo. Queria falar da sensação de pura felicidade que conseguimos ver no olhar de Tiao.

Após completar os seus quadros fotográficos Vik Muniz leva Tião a Londres, afim de ver o resultado prático e final daquilo que estiveram a criar.

Então é ai que conseguimos entender todo o drama e angustia dos catadores, pois durante uns minutos sentimo-nos expostos a tudo o que pesa nos pensamentos destas nobres pessoas. Esse momento é quando Tião abraça Muniz e no meio de lágrimas, de quem chora pois se sente pequeno demais para a alegria que vive, diz: “Durante toda a minha vida senti que ela não tinha sentido, senti que nada fiz ou nada faria. Mas agora vejo que ela teve sentido, toda a minha vida existiu para me levar a este momento. Ninguém acreditava em mim quando criei a associação ACAMJG (Associação dos Catadores da Área Metropolitana de Jardim Gamacho) mas conseguimos”

Agora para finalizar peço algo, que vejam Waste Land, é muito mais do que consegui transmitir aqui, é daquelas obras que nos ficam na mente durante anos. É daqueles documentários que iremos recordar para todo o sempre.
Obrigado Xanoca.

Desculpem o tamanho do post, e para mais informações:
http://www.wastelandmovie.com/index.html

quarta-feira, 4 de maio de 2011

EKMA e Serge Gainsbourg

O Clube dos Pinguins é especial por uma série de razões e mais uma vez isso ficou demonstrado na sessão de 28 de Abril, apresentada pelo Rui Spranger: possivelmente a mais intimista de que tenho memória. A paixão desta vez foi a música, materializada nos Eriti Kurva Muusika Ansambel e em Serge Gainsbourg. E nesta época que começa a privilegiar o single em detrimento do álbum, foi com especial prazer que vi terem sido trazidos três destes espécimes, que permitem a criação de obras muito mais complexas do que seria possível com músicas soltas (o todo é maior que a soma das partes). Adicionalmente o acto de ouvir a música como prato principal e não como acompanhamento também soube muito bem.

Numa sessão mais tardia que o habitual, foram-nos então dados a conhecer os EKMA, que surgiram em Talin, Estónia em 1990; o seu nome significa literalmente Orquestra de Música Especialmente Triste, têm presentes instrumentos como o violino, a flauta, o saxofone, o contrabaixo, o piano, a guitarra acústica, e o seu estilo oscila entre o burlesco, o folk e a música de câmara, tendo feito lembrar aos membros do clube artistas tão diversos como Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra, Gogol Bordello, Michael Nyman Band ou Yann Tiersen. Após a morte do vocalista e fundador Sven Kunu em 2007, acabaram no ano seguinte. Para a posteridade deixam os álbuns “Haua plaadi lood 1991-1999” (gravestones stories 1991-1999) de 1999 e “ebafolklorism” (un-folk) de 2001, para além de “Ilus elu” (beautiful life) de 2009, em conjunto com Eesti Rahvusmeeskoor.

De Serge Gainsbourg ouvimos “Histoire de Melody Nelson” de 1971, por muitos considerado o melhor conseguido dos seus álbuns. Composto conjuntamente com Jean-Claude Vannier, ainda tão recentemente como em 2006 e 2008 foi interpretado por este em Londres e em Paris, contando com a colaboração dos Placebo, The Bad Seeds, BBC Concert Orchestra entre outros. Desafiando a compreensão da língua francesa por parte dos presentes, é contada a história do homem de meia-idade Gainsbourg que embate o seu Roll Royce na bicicleta da adolescente Melody Nelson, e do romance subsequente. Jimmy Hendrix e funk vieram à cabeça de vários membros do clube.

Foi uma sessão memorável, que trouxe o prazer, neste tempo tantas vezes negligenciado, de ouvir música apenas pela música, e não como acompanhamento da condução ou como banda sonora de um qualquer filme.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Uma noite NORMAL

Um homem sozinho numa mesa de café. Não tem um jornal para ler, não conhece nenhum dos outros frequentadores do espaço, está sozinho, num café. Um homem normal, como qualquer um de nós, sozinho, a tomar um café. Quem nunca tomou um café, ou uma cerveja, consigo próprio? Quem, de entre todos nós, nunca esteve sozinho num local público sem que, aparentemente, tivesse algo melhor para fazer? Existe algum ser humano que já não se tenha sentido observado por estranhos? Existe algum ser humano que não tenha, algum dia, observado e especulado sobre um estranho?
É destes e de outros temas universais (porque nos dizem respeito a todos) que trata o monólogo em cena no Pinguim Café, tão brilhantemente escrito pelo Ricardo Silveira como interpretado pelo Rui Spranger.

E foi numa das habituais noites de Quinta-Feira, que os membros do Clube dos Pinguins se reuniram na cave do costume para ver “NORMAL”, a personagem trazida à vida pela voz grave e dicção indefectível do Rui Spranger, que se estreia com extrema eficácia no mundo dos monólogos. Em boa verdade, aquele a que alguns chamam Pinguim Imperador, é O verdadeiro homem do espectáculo, uma vez que só lhe faltou fazer a bilheteira!!

Os pinguins foram unânimes: todos se reviram em algum momento, sentados, naquela mesa de café.

Mas a noite não acabava com o apagar das luzes: oportunidade única, reservada apenas a alguns privilegiados (os presentes), foi a conversa final, com actor/encenador/técnico de luzes/assistente de palco e com o autor do texto.

E mais não digo! Quem ainda não foi ver, faça o favor de ir, até 22 de Maio, porque vale a pena. Eu fui (pela segunda vez)!!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Curtas, Médias e Longas

O Filipe Martins tirou a noite do dia 14 de Abril para nos mostrar o seu trabalho, naquilo que é também a sua paixão (sortudo!!): a 7ª Arte!

O Filipe começou por nos explicar como lhe nasceu o bichinho pelo cinema e como iniciou o projecto de um filme, juntamente com o Rui Spranger, que infelizmente nunca terminou. Ironicamente, o filme intitulava-se "Como todas as histórias acabam", mas do qual apenas pudemos ver o trailer. Verdade seja dita que ficámos todos ansiosos por ver o filme... quem sabe um dia o Filipe não se decide a realizá-lo.

Passou depois a apresentar uma série de trabalhos já terminados, executados no âmbito do Balleteatro, centro de artes performativas sediado no Porto:




A PRAÇA

Ante-estreia absoluta de um vídeo-dança realizado pelo Filipe, acerca de um espectáculo de dança contemporânea dirigido e coreografado por Né Barros, tendo como pano de fundo a famosa praça "Djema el Fna" em Marraquexe. Ao ver este vídeo, fui invadido de uma sensação de nostalgia, uma vez que tive a oportunidade de visitar precisamente essa praça há poucos meses e portanto apreciei ainda mais esta curta.

Deixem-me então que vos diga (eu que só sei mesmo avaliar na óptica de um leigo), que toda a filmagem do espectáculo, o sincronismo das guitarras eléctricas e do movimento dos corpos, a luz, os pequenos detalhes, o vídeo da praça, estava tudo tão bem conjugado que resultou numa verdadeira obra de arte (não daquelas do tipo risco preto sobre fundo branco). eheh

Quem quiser assistir ao espectáculo "A Praça" ao vivo, pode ir no próximo dia 29 de Abril, às 21h30, à Casa das Artes de Famalicão, às Comemorações do Dia Mundial da Dança.


O SÍTIO DOS OUTROS

Em seguida, o Filipe Martins apresentou-nos uma "média-curta-longa metragem" (50 min.), intitulada "O Sítio dos Outros", fruto dos exercícios práticos desenvolvidos no âmbito da disciplina de Interpretação do 2º ano de Teatro do Balleteatro - Escola Profissional, durante o ano lectivo 2008/2009 e que esteve em exibição no passado Março durante a 31ª edição do FANTASPORTO.

Desenganem-se aqueles que pensam que, sendo protagonizado por alunos de 2º ano, iriam assistir a um filme amador com uma série de canastrões a cuspirem palavras sem entoação. O filme, para além de ter um argumento bastante interessante, contém alguns talentos na arte da representação (novamente, avaliados por um leigo, é certo), conseguindo prender o espectador do princípio ao fim.

Há, portanto, que dar mérito ao "Sítio dos Outros", que contando com um orçamento reduzidíssimo e tendo apenas como cenário as próprias instalações do balleteatro, resultou num filme muito interessante, com uns pormenores de realização bem engraçados.

Quem não teve a oportunidade, recomendo ver o trailer da curta "O Sítio dos Outros".


STORY CASE

Mais um vídeo-dança, realizado pelo Filipe Martins, a partir de um espectáculo de dança contemporânea, dirigido e coreografado por Né Barros, que nos transporta para uma sensação de solidão e vazio, onde apenas existe em palco um elemento feminino em movimento, entrecortado por uma série de fotografias a preto e branco, tudo ao som de uns acordes potentes de guitarra eléctrica.

Mais uma excelente realização, onde se pode ver o pormenor na sincronização do movimento da câmera e na transição de planos, com a própria música do espectáculo, que vai acelerando até acabar numa orgia de sons e imagens.

Aproveito e deixo aqui um pequeno excerto do vídeo-dança "Story Case".


DIDO E ENEIAS

Por último, o Filipe mostrou-nos mais uma curta, baseada na Ópera de Dido e Eneias, de Henry Purcell, e que nos conta a história de amor vivida entre o príncipe troiano Eneias e a Rainha de Cartago Dido.

A título de curiosidade, o Filipe contou-nos que a curta serviu como aperitivo ao espectáculo protagonizado pelos mesmos actores (António Cabrita e Kanae Maezawa), na peça homónima, produzida e coreografada por Né Barros e que esteve em cena em 2007 no TNSJ - Teatro Nacional S. João.

Podem ter um cheirinho da curta "Dido e Eneias", que esteve na competição internacional Curtas Vila do Conde de 2007 e foi convidada da 1ª edição do Shortcutz Porto 2011.


Sessão completamente imperdível, onde para além de termos tido o privilégio de assistir a uma ante-estreia, pudemos discutir pormenores de realização e coreografia com o Filipe Martins e com a Né Barros. Parabéns aos dois pela paixão que metem no vosso trabalho!

Bem sei que este post não faz jus ao nível da sessão, portanto aproveito a recomendação do Filipe... tremam o monitor, que fica logo mais bonito. :D

segunda-feira, 25 de abril de 2011

História do Humor em Portugal





Desde a comédia do cinema antigo e a de revista, tão popular no estado novo, até à comédia mais recente como os Gato Fedorento, passando obviamente por Vasco Santana, Raul Solnado e Herman José, a sessão apresentada pelo Hugo Pereira no dia 7 de Abril foi uma excelente homenagem à comédia portuguesa. Houve risos, gargalhadas e algumas discussões bastantes saudáveis sobre o assunto.
O Hugo liderou e comandou a sessão com mestria e assertividade, sem nunca se deixar influenciar demasiado pelos devaneios irónicos dos Pinguins (eu incluído…). Preparou de propósito um blog (que até o “selo” dos pinguins continha) onde “depositou” todos os vídeos que queria abordar ou apresentar na sessão, para não deixar nada ao acaso. Uma opção que se revelou muito prática.
Com o avançar da sessão e as horas a apertar, optou-se por saltar alguns vídeos, mas nada de grave, pois podemos vê-los no dito blog: História do Humor em Portugal, que vale a pena espreitar e perder umas horas a rir.
A sessão acabou calmamente com toda a gente de sorriso nos lábios e fomos todos um pouco mais leves para casa.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Jeff Dunham :)



A pedido da Ines que nao tem conta no blog... aqui vai o post dela :)

Quinta-feira, 24 de Março de 2011

A noite começou com alguns problemas técnicos mas a espera necessária valeu bem a pena! O grande mote da noite foi-nos oferecido pela Mónica, que nos apresentou Jeff Dunham.

Para aqueles que não conhecem, tal como eu própria não conhecia, aqui vou deixar uma pequena apresentação deste senhor. Ainda assim... quem não conhece a célebre frase “Silence! I kill you”?

Sucintamente, “Jeff Dunham é um ventríloquo americano e um comediante de "Stand Up"”.
Ao longo da sua vida fez vários espectáculos de comédia, nomeadamente o “Comedy Central Presents”.

Actualmente, os seus bonecos incluem um woozle, de nome Peanut. De acordo com o site oficial, Peanut conheceu Jeff Dunham no Texas Central mas, segundo Jeff, este encontro teve lugar na Florida.

Umas das imagens de marca de Peanut é o balanço da sua mão em cima da cabeça enquanto diz “Neeow”!
Durante a noite ficamos também a conhecer Walter, um homem velho e muito amargo, que possui uma visão muito sarcástica do mundo de hoje.

Conhecemos também Melvin, o Super-Herói e Achmed, o terrorista morto. Este é um homem-bomba, que foi treinado no “Campo de Treinamento de Homens-Suicidas”, recebendo inscrições do tele-suicidas.

Por fim, conhecemos José Jalapeño, falante numa vara! Esta personagem foi a menos apreciada da noite.

O meu favorito foi o Walter. Um homem sem papas na língua, sem falinhas mansas e sem meias medidas ou, como vulgarmente se diz aqui no Norte, “curto e grosso”.
Seguindo o exemplo deste personagem, o que o nosso pais precisa é mesmo de pessoas assim, frontais, que digam as coisas tal e qual como elas são, preto no branco. O lema de Walter é mesmo “Everybody Loves Walter.....Walter Hates Everybody”.
Deste personagem ficam também o “Get the hell out!”, ou o simples “Hellooo”, e, o meu favorito “Oh my good!”

Fica ainda a melhor descrição daquela que é considerada umas das maiores e melhores cidades dos Estados Unidos: “Manhattan- sounds of the city! oh my good! the city that never sleep! well, it need a nap!”

http://www.youtube.com/watch?v=GFelEa8wAIk&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=_I226Sfgs0s&NR=1

E, para terminar, fica uma das melhores histórias. Em tempos, Jeff teve um relógio Swatch e explicou que o nome da marca era devido ao facto de ser de origem Suíça. Então, Walter resolve questionar como seria o nome se os relógios fossem fabricados na Croácia:

“What time is it?
I don't know, let me look at my crotch.
Sorry, but my crotch is a little slow.”


http://www.youtube.com/watch?v=Tb12nQEOyfM&feature=related

No final da sessão a opinião foi unânime, gargalhada geral! Uma noite muito bem passada, a partir da qual passamos a partilhar a paixão da Mónica.


E, em jeito de despedida, fico-me pelo “Get the hell out!”

domingo, 3 de abril de 2011


Say CHEESE!


Nesta sessão o André esmiuçou a fotografia e as máquinas fotográficas a técnica fotográfica, e a pós-produção em fotografia no laboratório até à última gota. A sessão teve como tema de abertura a lomografia …num tipo de fotografia regida pela ausência de regras e de tecnicíssimos, é uma fotografia espontânea…criativa. Fica aqui a Info: que é possível alugar uma máquina LOMO na embaixada da lomografia do Porto na Rua do Almada 542. E ficam duas fotos do meu verão LOMO 2010, a primeira com a máquina Fish Eye e a segunda com a máquina LOMO9, maquina alugadas na embaixada do Porto.


Mas a animada sessão do André não se ficou pela Lomografia, de seguida passamos as tecnicíssimos. Começamos pelos formatos em que se pode guardar as fotos e formam discutidos os prós e contras do popular formato JPEG e do não tão popular formato RAW. Claro que o André não podia deixar de decifrar os inúmeros códigos gravados nas objectivas máquinas fotográficas, e que aparecem no software e explicar a funcionalidade/utilidade de cada um. Discutiu-se o que era o “shutter”, o “ISO” e a “APERTURE”, falamos de lentes com mais ou menos “mm” , distancias focais, velocidade de obturação, HDR, “simple contrast reduction” “local tone mapping” e até tivemos demonstrações de “foto stitch” e “fill content aware” com a eliminação de uma personagem que inconvenientemente estava a obstruir a linda paisagem de sombras e passeio de cimento!.


E no fim para fechar em grande vimos parte da obra de alguns fotógrafos mais marcantes nesta dita “6ª Arte”. Mas não posso deixar de dizer que foi uma sessão muito animada cheia de intervenções e discussões…e que se alongou pela noite dentro como uma fotografia panorâmica. Os meus parabéns ao André que pelos vistos organiza sempre sessões animadas e participadas.!


No entanto, não posso deixar de dizer que foi Irónico ser Eu a escrever este post…visto que devo ser a única pessoa que não tem uma máquina fotográfica!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Estás-te a divertir?...............

No dia 17 de Março fomos convocados pela Luísa para ir até ao Maus Hábitos ver a peça Anti-globals Me-Més dos Palmilha Dentada.

Eu nunca os tinha visto, mas já tinha ouvido falar muito bem, por isso as expectativas eram altas, mas eles corresponderam completamente.

Os espectáculos dos Palmilha têm uma grande dose de humor, muito improviso e algum nonsense à mistura.

Como estamos num bar, o ambiente é mais descontraído que numa sala de um teatro convencional e a interacção com o público é enorme, pois eles representam sem a quarta parede.

Eles pretendem a participação activa do público e os pinguins ficaram logo na primeira fila, mas às vezes o feitiço vira-se contra o feiticeiro, pois a descontracção da Fernanda com os seus "bitaites" até os desorientou um pouco.

Esta peça pretendia chamar a atenção para os efeitos da globalização e a perda da nossa identidade cultural e está dividida em três sketches:

O primeiro, com dois tipos a falar "palmilhês" (mistura entre uma língua de Leste e Italiano), que acaba em grande discussão pois não se entendem na forma de preparar um ataque (terrorista?) e recorrem a telefonemas constantes à mesma pessoa para desempatar.

O segundo, com o Sr. Sousa e o Ziguinho (uma criança vestida de coelho) que quer fugir de casa porque é contra a globalização e não quer comer couves de Bruxelas e salada Russa pois têm muitos codóis (CO2), e quer antes batatas portuguesas.

No último sketch o público acaba todo a dançar e cantar reggae, com a Fernanda mais uma vez a fazer das suas, mas agora já no palco....

Vamos lá pessoal:

♪ ♫

Estás-te a divertir?

Mais ou menos

Podia estar melhor?

Pois podia

Falta qualquer coisa na minha vida

Falta uma praça onde eu queira ir

Qual é a tua praça?

Qual é a minha?

Qual é a nossa praça?

Qual é a vossa?

Falta qualquer coisa na nossa vida

Falta uma praça onde nós queiramos ir

♪ ♫

quarta-feira, 30 de março de 2011

domingo, 27 de março de 2011

O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela.


O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela.

Podemo-nos perguntar “que raio de nome é este?”... Depois levantar a dúvida “estranho nome para um filme!!”. Contudo este nome não pertence a um filme, mas sim a uma obra de arte daquela que se chama SÉTIMA ARTE.

Digo isto sem qualquer rodeios, pois este filme ( de nome estranho ) mostra em todos os seus frames, segundos e minutos o motivo de o cinema ainda ser uma forma de arte com raiz teatrais.

Mas vamos começar pelo inicio...

Algures no inicio de Dezembro ( e peço desculpa pelo record do post mais espaçado da sessão, que foi escrito até hoje) o Rui trouxe-nos esta obra prima do cinema.... E pelos vistos foi um amor à primeira vista, já que ele viu este filme no cinema imensas vezes...

Durante a sessão todos os que deliciavam o seu olhar com esta obra de arte, estavam rendidos a todo o seu explendor, desde o argumento, passando pela narrativa e fixando-se na parte cénica , pois nenhum destes elementos foi descuidado.
Mas para saberem do que estou a falar (escrever) vou falar do filme em questão, pois é para isso que ca estamos, assim sendo o filme O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela é uma comédia negra coproduzida pelo Reino Unido, França e Holanda em 1989, escrita e realizada por Peter Greenaway. The Cook, the Thief, His Wife and Her Lover teve nos principais papéis Richard Bohringer, Michael Gambon, Helen Mirren, Alan Howard e Tim Roth.

A maior parte do filme desenrola-se num restaurante francês de Londres chamado "Le Hollandais", cujo dono, o gângster Albert Spica (Michael Gambon), se banqueteia todas as noites acompanhado da sua mulher Georgina (Helen Mirren) e de outros convidados.

Cansada do seu maçador e sádico marido, a mulher acaba por aí encontrar um amante (Alan Howard) com quem tem relações sexuais nos diferentes e menos confortáveis locais do restaurante com o beneplácito do cozinheiro (Richard Bohringer). Assim que o ladrão descobre que a mulher lhe é infiel nas suas barbas, enraivecido, ordena que os seus homens obriguem o amante a engolir um livro inteiro, página por página, até à morte. Este é o prelúdio para a cruel conclusão do filme sob o signo do canibalismo.

Trata-se de um filme acentuadamente artístico cuja originalidade assenta no seu assombroso visual e encenação meticulosa de ideias grotescas.

Um acto realmente divinal é a fotografia de Sacha Vierny, o estilizado guarda-roupa de Jean Paul Gaultier e a banda sonora sombria de Michael Nyman.

O jogo visual utiliza quase na íntegra cenários interiores das diferentes divisões do restaurante, aos quais atribui diferentes cores dominantes, ao mesmo tempo que os movimentos longos e de sequencia da câmara conferem uma plasticidade de autênticos quadros vivos.

As personagens, embora sejam fortemente tipificadas e não muito realistas, são interpretadas pelos actores de forma magnífica, com destaque para a entrega de Michael Gambon e Helen Mirren.

Apesar do filme ter sido conotado na altura como um manifesto político, acaba por ter um alcance mais geral, satirizando situações mais comuns e universais.

Fortemente polémico pelo grafismo excessivo e pelos temas que abrange, é uma história para adultos de estômago forte, cuja sensibilidade não se detenha perante as formas mais ousadas de violência e humilhação.

Sem a menor duvida, todo o filme respira a obra de arte… Assim sendo e para finalizar só me resta fazer uma venia, fazer uma chapelada e agradecer ao Rui pela partilha desta paixão realmente magnifica.

sexta-feira, 11 de março de 2011

A mais verdadeira paixão

Quinta-feira, 10 de Março do ano de 2011.
O Rui já tinha avisado: " esta Quinta é a minha filha quem apresenta a paixão".
Foi então que a princesinha da família Spranger entrou em cena. Com o brilho próprio da idade, cabelos longos, como cabe a qualquer princesa que se preze e um pai para lá de orgulhoso a seu lado, a orientadora da noite apresentou-nos um jogo, do tipo RPG - Lobisomem.
Começou tarde, tendo em consideração a idade (11!!) da apresentadora de serviço, mas valeu a pena. O jogo consiste em distribuir personagens (supostos habitantes de uma cidade, humanos e menos humanos) pelos convivas, atribuindo a cada um, uma carta que simboliza a respectiva personagem, que deve ser mantida secreta. Cada carta confere características e poderes diferentes e todos os intervenientes são orientados por uma espécie de manipulador de marionetas. Assim, foi ver cerca de 15 adultos manipulados pela jovem Luana, de modo a que os lobisomens decidissem a quem ceifar a vida, a que a bruxa escolhesse salvar ou matar alguém, a que todos se candidatassem e/ou votassem nos candidatos a presidente da cidade, etc,etc,etc...
Três rondas do jogo concluídas, em que os vencedores foram sempre os lobisomens (os humanos foram todos à vida), a princesa da noite pediu "mais uma vez" ao pai relutante perante o adiantado da hora, e os adultos fizeram birra, pelo que ninguém resistiu a mais um joguinho, que finalmente acabou com a raça dos lobisomens, para que todos pudessemos ir dormir descansados.
Resultado: mais uma noite fantástica de volta de um jogo, na cave dos pinguins.
Agora, o segredo: aqui entre nós, esta noite, quem apresentou a paixão, a sua verdadeira paixão, foi o Rui - chama-se Luana. Um beijo especial para ela!!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Fantasporto

Foi a vez da Olga revelar mais uma das suas paixões: o Fantasporto! E, ou não estivesse a decorrer este festival, o cenário acabou mesmo por mudar do Pinguim para o Rivoli, embora a tertúlia final se tivesse realizado à mesma no primeiro. O ecrã era um pouco maior, mas não se podia ir apreciando a projecção ao sabor de um cigarro e de um copo de vinho :/

Do Fantasporto já o clube teve um cheirinho, quando o Hugo trouxe na sua sessão de curtas o I'll See You in My Dreams, que neste festival foi premiado com o Méliès para Melhor Curta-metragem em 2004.

O Fantasporto, entre nós desde 1981 e actualmente o maior festival de cinema português, foi inspirado no espanhol Sitges que, a nível mundial, está em primeiro lugar na área do fantástico desde 1968.

Este ano (e esta é uma vantagem de escrever este post com algum atraso) já foram escolhidos os vencedores que, entre outros, foram Two Eyes Staring de Elbert Van Strien com o Prémio Melhor Filme e A Serbian Film de Srdjan Spasojevic com o Prémio Especial do Júri.

[spoilers a partir daqui] O filme que foi visto nesta sessão acabou por ser Der letzte Angestellt de Alexander Adolph e ainda bem que só foi apresentada a tradução do título para inglês The Last Employee que, nesta forma neutra, não revela se se trata de um empregado ou empregada, o que transformaria o título num spoiler. Apesar de não ter ganho nenhum prémio (pelo contrário, no Festival de Leeds foi galardoado com o Méliès de Prata) e ter uns modestos 5,8 no IMDb, tem algumas características muito interessantes.

A nível psicológico, por exemplo, a forma como plantou no subconsciente algumas sementes para depois se fazer valer da colheita teve um efeito notável (sim, a cena em que Frau Blochs bate repetidamente com a cabeça no tablier do carro no início do filme e posteriormente a cena que Dr. Manz começa a brincar com duas canetas, após se tornar no último empregado, com o despedimento de David Böttcher); a claustrofobia também é explorada com mestria, nas inúmeras vezes que as portas teimam em não abrir na pior altura.

Talvez o seu maior defeito seja seja corresponder demasiado ao estereótipo do género a que pertence, quase parecendo que o realizador seguiu ponto a ponto o manual da cadeira Filmes de Terror do seu curso de cinema.

Mas foi realmente um filme «à Fantas», repleto de humor negro e que deixou toda a gente presa à cadeira, excepção feita talvez à Fernanda :)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Noite do UNO (Uno Não Oficial)

17 de Fevereiro

Mais uma noite de Clube dos Pinguins, que como o próprio nome indica, se ajusta às condições atmosféricas do local, com uma temperatura a rondar os 20º negativos.

Para aquecer a alma e os corações (“já agora os pés também dava jeito”, diriam vocês), a Fernanda e a Inês trouxeram com elas uma mala cheia de lembranças da nossa infância: mikado, dominó, damas, poker de dados, uno… bem, tínhamos ali com que nos entreter até de manhã!!

Mas como o clube “fecha” à meia-noite (regra imposta pelo Pinguim-Imperador), só nos podíamos decidir por um jogo e a escolha acabou por recair no UNO, uma vez que assim todos os 8 pinguins presentes podiam jogar.

O UNO tem uma mecânica e um ritmo bastante rápido e divertido, consistindo basicamente em despacharmos todas as cartas da mão. Um a um, temos de jogar cartas que correspondam (em número ou em cor) à que foi deitada anteriormente, senão… vamos à pesca. Há também cartas especiais que fazem inverter o sentido do jogo, saltar um jogador, obrigá-lo a apanhar 2 ou 4 cartas, mudar de cor… enfim, um conjunto variado de regras.

A maior parte já tinha jogado (apesar de alguns o terem feito apenas com as cartas “normais”), outros havia que nunca o tinham experimentado, mas o Rui destacava-se pelo facto de já ter jogado tanto ao ponto de até ter inventado regras adicionais com o objectivo de aumentar o divertimento. Essas regras consistiam em trocar as nossas mãos com outro jogador ou inclusivé rodar os jogos, ao ponto de todos ficarem com a mão do jogador anterior.
Escusado será dizer que optámos imediatamente por jogar com estas regras, uma vez que proporcionaria momentos hilariantes, com o pessoal a roubar as mãos uns dos outros.

O Rui mostrou então que com as regras dele e comigo a registar as pontuações (uma combinação a não repetir, pelo menos com a mesma dose de álcool), não há como o parar e ao fim da 2ª ronda de jogo ele só tinha ainda 1 ponto, enquanto que já havia malta com mais de 100.

A certa altura, o Rui comenta: “Este jogo é giro… até comprei um baralho de UNO para o Viriato e para a Carolina”, ao que a Fernanda responde: “Pois é, este jogo é muito bom para as crianças…”. E foi a gargalhada geral!
É que a Fernanda não conhece os pinguins Viriato e Carolina (infelizmente por não terem podido aparecer ultimamente), pelo que não sabia tratar-se de 2 adultos… quer dizer, pelo menos a avaliar pelo exterior.

O jogo continuou assim a decorrer até alguém atingir os 250 pontos, com o Rui a continuar a esconder cartas debaixo da mesa (eheh, é a minha única teoria para a vitória do Rui), a Olga a perguntar mais uma vez “E esta carta, o que é que faz?”, o Águia a espreitar as minhas cartas para ver se lhe valia a pena roubar-mas, a Inês entretida a pescar cartas, às oito de cada vez, com a Fernanda a rir às gargalhadas, enquanto ajudava o André a jogar dizendo “Oh pah.. tenho de o ajudar, senão ele não ganha”. No meio desta confusão toda, o Valter fazia os possíveis e impossíveis por lixar o Rui, já que estava mais perto dele, mas não houve meio de o conseguir e o Rui acabou mesmo por levar a taça.

Venham mais noites destas, onde se pode sentir o verdadeiro sentimento UNO dos pinguins: o puro regabofe!!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Magic The Gathering

Numa noite onde a totó foi voluntária a escrever o artigo sobre a sessão anterior (mal sabia ela onde se metia :/), que teve como apresentadores os caríssimos \Águia/ e \Hugo/ que nos proporcionaram um mergulho num novo mundo, cheio de imaginação e muita estratégia. Através de um jogo de cartas ilustradas num universo paralelo e unicamente individual (cada jogador tem o seu próprio baralho de cartas), os Magos exercem seus inúmeros poderes com o objetivo de aniquilar seu adversário. Eis o Magic The Gathering.

Mas isso afinal não é coisa para totós… Se ficar mal já sabem… ;)

Completamente absorvida no universo Magic, constatei que de alguma forma o jogo se assemelha aos caminhos traçados pela humanidade. Uma analogia simples é o facto de, os manas serem a fonte de energia do jogo. Cinco elementos distintos, simbolizados por forças da natureza são o elo de ligação entre todos os demais elementos do jogo. Afinal não é a natureza a potenciadora de tudo? Através da quantidade de recursos que os manas disponibilizam, os Magos ou os totós no meu caso J, têm a possibilidade de investirem em lindas criaturas que irão defender seu Senhor contra as investidas do adversário. Tudo se paga neste mundo e no universo Magic não é diferente. Um Pit Bull também não é barato… Há uma certa lealdade entre as criaturas, o que faz com que as voadoras enfrentem voadoras, terrestres a terrestres… Na vida real já não se passa o mesmo. São adultos com crianças, burros com vacas, enfim… Dependentemente do poder de cada criatura, o Mago terá de abdicar temporariamente dos seus manas (o próximo turno já o permite manipular todos os manas que possui, a não ser aqueles que estão sob a custódia de uma carta que assim o obrigue). Para os poder baixar para a mesa e começar seu ataque cada jogador terá a possibilidade de baixar um mana por turno de jogo. Eu cada vez gosto mais disto…

Para além das criaturas há também outros tipos de poderes, como é o caso das magias e dos encantamentos que permitem estabelecer características ao jogo e/ou às criaturas. Por exemplo, quem nunca ficou bloqueado perante um ser do sexo oposto completamente irresistível? Ou um olhar mortífero a alguém que está constantemente a chatear? Os comportamentos estão descritos nas cartas equivalentes que são aplicadas quando o Mago achar conveniente com mensagens para a vida! A Inês que o diga…

Cada ataque se torna rapidamente num aliciante duelo onde cada Mago deverá ter uma noção importante de gestão para usufruir seus manas com inteligência, evitando assim não apenas atacar, mas também aprender a lição da defesa. O que cada ser humano faz melhor?

a) Ataca;

b) Defende;

Se respondeu a letra A parabéns, não serás vencido nos próximos 5 min. Se respondeu a letra B não estás de todo errado, toda a gente defende, mas a resposta certa é a letra C – Consente!

Depois de um truque de magia espero que te tenhas divertido com o Magic The Gathering, se não, joga pelo menos uma vez na vida, não te vais arrepender!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Monty Python

Na última sessão estivemos à mercê das surpresas do Águia, claro que não nos deixou ficar mal e organizou uma noite cheia de gargalhadas e muito mais.

A rever o video do Águia http://www.youtube.com/watch?v=6AA34L4wc6o.



A sessão da noite foi sobre os Monty Python o famoso grupo de comediantes Britânicos. Amados por uns e incompreendidos por outros, os Monty Python continuam actualmente a ser uma referência incontornável da comédia mundial citando o Todd Leopold da CNN International “No matter where you look, even in some of the remotest parts of the planet, you can't avoid Monty Python”

Em Portugal encontramos referências claras do estilo de Monty Python nos “Gato Fedorento” com a invenção do SPAM português que são as palavras “Coiso e Cenas” que aparecem repetidas à exaustão no meio de uma conversa qualquer! Não esquecendo as palavras sem sentido que servem que nos levam as lagrimas como o “KUNAMI” fresquinho.


A nível mundial as coisas ficam mais sérias...os Monty Python influenciaram os criados dos “Simpsons” “South Park” e “Family Guy” entre outros. Têm um sabor de gelado do Ben & Jerrys com o seu nome “Vermonty Python", têm uma linguagem de programação “Python”, e claro o SPAM mail. Mas os endiabrados dos Monty Python chegaram mesmo ao locais mais remotos do Mundo, tendo um fóssil de uma cobra descoberto por um paleontólogo na Austrália baptizado de Montypythonoides riversleighensis...e esta hien?!?


Aqui fica um link util

http://pythonline.com/ …enjoy!

Uma piada geek da programação Python








E agora uma musiquinha para iniciar a semana!
http://www.youtube.com/watch?v=5zey8567bcg