Mostrar mensagens com a etiqueta Cinema. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cinema. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Lisbela e o Prisioneiro


Há umas semanas atrás a Xanoca apresentou-nos o filme “Lisbela e o Prisioneiro”, apresentando como sua paixão o cinema Brasileiro. (Eu atrever-me-ia a dizer que a sua paixão era o cinema novela mas corria o risco de ser mal interpretado e por isso não digo nada…)
O filme, realizado por Guel Arraes que ganhou alguns prémios no Brasil, conta a história de Lisbela (Débora Falabella), uma jovem sonhadora que adora ir ao cinema e vive na esperança de encontrar o “homem certo” e de Leléu (Selton Mello) um saltimbanco que anda de cidade em cidade a vender os seus produtos, apresentando pequenos números de ilusionismo e a seduzir as mulheres locais. Um burlão!
Leléu envolve-se com Inaura (Virginia Cavendish), uma mulher sexy e atraente que tem um pequeno defeito: é casada com o homem mais temido da cidade, Frederico Evandro (Marco Nanini), um matador profissional, que Leléu só conhece de nome. Quando Frederico Evandro descobre a sua mulher o anda a trair resolve partir em busca de Leléu que, entretanto, tinha fugido para uma pequena vila.
Nessa vila Leléu apaixona-se imediatamente por Lisbela, filha do Tenente Guedes (André Mattos) e noiva de Douglas (Bruno Garcia). Ora Lisbela sente também uma atração imediata por Leléu. A confusão está montada!
No meio de tantas tropelias, Leléu e Frederico Evandro tornam-se amigos, sem se aperceberem de quem é quem e que afinal são inimigos de morte. Mas quando toda a mascarada é desfeita e todos os enganos corrigidos, começa a tensão final para saber quem mata quem e quem fica com quem. Neste momento o filme é contado através de uma série de flashbacks em que cada um vai alterando o rumo da história criando um série de twists no argumento.
E é precisamente nesta altura que o CD (sim, o filme estava a ser projectado através de um CD) resolve encravar. Não só encravar como a recusar-se firmemente a passar aquela parte do filme. (Devia ser um CD humanitário, a favor dos direitos dos homens e contra qualquer tipo de crimes ou mortes, enfim…) Após várias tentativas e esforços, sem falar que se passou cerca de 30 minutos nesta brincadeira, lá se conseguiu ver (aos pedaços) a cena que já de si era aos pedaços. Sim… Foi um pouco confuso mas, a Xanoca foi-nos relatando calma e explicitamente tudo o que se passava e as trocas que ia havendo no argumento. O CD foi simpático o suficiente para nos deixar ver o final do filme (já depois do sangue ter rolado, claro…).
A sessão acabou por se tornar bastante divertida com muita galhofa no meio, principalmente nas paragens do CD que davam sempre origem a novas piadas. A Xanoca fez uma boa apresentação e defendeu-se bem quando o CD resolveu resmungar. Acho que todos nós percebemos a parte final do filme graças a esse esforço.
Os meus parabéns à Xanoca, quer pela apresentação, quer pela escolha do filme.



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A "biografia boémia" de Serge Gainsbourg

AVISO: Por conflitos de interesse, o Rui trocou comigo o post sobre esta sessão.

No passado dia 29 de Setembro, a Mónica trouxe uma paixão partilhada com o Rui, mas que nasceu em circunstâncias e datas diferentes.

Serge Gainsbourg é uma paixão de longa data do Rui e que até já tinha apresentado uma sessão sobre ele ("EKMA e Serge Gainsbourg"). Uma vez que o Rui morou durante algum tempo em França, muita da sua cultura musical provém desse país, onde Serge Gainsbourg foi um dos maiores ícones.

A paixão da Mónica por este músico francês surge mais tarde, através do filme "Gainsbourg - Vida Heróica", de 2010, onde é retratada a vida polémica de Serge Gainsbourg, durante os seus anos de sucesso, célebre também pelos inúmeros casos com conhecidas actrizes e cantoras (Brigitte Bardot, Juliette Gréco, France Gall, Jane Birkin, Catherine Deneuve, etc).


O filme, realizado por Joann Sfar, foca apenas uma parte da vida de Serge Gainsbourg, mostrando-o como um viciado em cigarros, álcool, mulheres e músicas com temas polémicos. E por esta razão, o Rui disse não considerar o filme uma verdadeira biografia da vida do músico, mas sim uma visão pessoal do realizador, que de facto afirma no final:

"J'aime trop Gainsbourg pour le ramener au réel. Ce ne sont pas les vérités de Gainsborg qui m'intéressent, ce sont ses mensonges."
("Eu amo demais Gainsbourg para trazê-lo à realidade. Não são as verdades de Gainsbourg que me interessam, mas as suas mentiras.")

No entanto, num ponto todos concordámos: o filme é de facto muito bom e tem uma dinâmica interessante, levando-nos numa viagem louca à vida de Gainsbourg e a um constante conflito interior com o seu "alter-ego boémio".

Recomendo lerem este resumo biográfico de Serge Gainsbourg, para verem como era louca a vida deste músico.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Visita íntima a Passos Manuel

No passado dia 22 de Setembro, o Hugo Valter levou-nos ao Cinema Passos Manuel para assistirmos a uma curta de Luís Vieira Campos, intitulada "Dia de Visita".

A ação principal da curta desenrola-se no Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo e foca uma regalia alargada a todos os reclusos portugueses (homens e mulheres) pelo novo Regulamento Geral dos Estabelecimentos Prisionais - a visita íntima. Não, não é o que estão a pensar! Todos os pormenores pornográficos (e até os eróticos) foram propositadamente omitidos!

O filme, a preto e branco e com uma cadência lenta, ao som de uma música a condizer ("Quem sabe", de Manuel Cruz), acompanha a vida de um casal de ex-toxicodependentes, que se encontra uma vez por mês, durante duas horas, num quarto de uma prisão onde ela cumpre pena. Para quê, perguntam vocês? Ora, não vou dizer, se não estragava o filme por completo... mas podem dar uma olhada ao trailer ("letes luque a tetreila"):


No final da película, foram mostrados vários depoimentos reais de reclusas, em que falam abertamente sobre o impacto da visita íntima nas suas vidas. E esta parte final é que foi verdadeiramente interessante!! Todos concordámos que o filme transparecia uma espécie de artificialidade, quer nos movimentos dos atores, quer nos diálogos, portanto a parte dos depoimentos foi uma lufada de ar fresco (e real...).

A mensagem transmitida pelas declarações das reclusas foi mesmo bastante forte e ficámos com a sensação que toda a vida delas na prisão passou a ter como objetivo a espera por aquelas duas horas mensais, em que se podem sentir livres e imaginarem-se no quarto de sua casa.


Bem, como "bom pinguim à casa torna", no final fomos todos beber para o Pinguim e debater a interpretação de cada um sobre o filme e ficámos na amena cavaqueira até às tantas, como já é apanágio das sessões do clube.

sábado, 18 de junho de 2011

Dupla sessão 24 Party People e Control

Antes de mais quero pedir desculpa pela demora deste post...

O que se pode dizer da sessão dupla do André? Que simplesmente é sobre a música que marcou uma viragem e uma ruptura sonora entre um passado repetitivo da música e a nova vaga de sons, que ditam de uma forma bem vincada, o que se irá ouvir nos tempos que hoje correm.
Esta mudança é nos mostrada através de duas obras cinematográficas, que são na sua essência um registo visual da ruptura que falo anteriormente.
Mas vamos por partes (partes essas que irei dar o nome visão da ruptura 1 e 2 seguido pelo nome da obra cinematográfica).

Visão da ruptura 1 :

“24 party people”. (filme filmado de forma documental )
Filme de 2002 realizado por Michael Winterbottom

Corre o ano de 1976, Tony Wilson, apresentador de um programa de música da Granada Tv, mantêm uma busca constante pelos novos sons que marcaram uma década ou uma viragem no espectro musical, e assim vai trazendo ao seu programa novas bandas.
Descontente pela falta de inovação, decide ele próprio ir à “caça” de novos talentos musicais, para assim ser aquele que trará a boa nova musical ao mundo musical Inglês e mundial.

Esta “caça inicia-se”
Nessa constante busca utópica cria uma record label e bar, a Factory, onde ai resolve abrir os braços e mostrar ao mundo, e ás pessoas ávidas de novidades musicais, a sua “caça”. Entre eles estão os Buzzcock´s, A Certain Ratio, Vini Reilly e Durutti Column e os Joy Division (a utopia era de tal forma grande que com os Joy Division ele assina o contrato com o seu próprio sangue).

Após o suicídio de Ian Curtis o filme toma um rumo diferente, também reflexo de uma certa evolução “dançante” da musica na noite de Manchester, e ai Tony Wilson funda a Hancienda.
Na Hancienda ele mostranos o nascimento da Rave Culture, onde o publico já não aplaude as bandas, mas sim o DJ, esse passador de música que faz o publico vibrar com os sons que cria ou recria.
Mas antes disso, ele mostra-nos o nascimento dos New Order (banda fundada após o suicídio de Ian Curtis, com os membros dos Joy Division) mas cai muito na historia dos Happy Mondays e de toda a sua irreverência.
Este filme acaba com o fecho da Hancienda devido à falência da label Factory e por ultimo, mesmo no fim do filme Tony Wilson vê Deus... e torna-se sim o messias da música que hoje em dia ouvimos.

Visão da ruptura 2 :

Control (filme biográfico)
Filme de 2007 realizado por Anton Corbijn

Filme de 2007, é um filme biográfico a preto e branco que nos fala de Ian Curtis, vocalista dos Joy Division.
Filme baseado no livro escrito pela viúva de Ian (Deborah Curtis) “Touching from a distance”.

Aqui é nos apresentada a vida de Ian desde 1973 até 1980, focando o casamento de Ian, na formação e vida dos Joy Division, nos casos de epilepsia de Ian e no caso extra matrimonial de Ian com Annik (jornalista francesa) culminando com o seu assassinato em Maio de 1980.

Através deste filme conseguimos ver as influencias de Ian Curtis e toda a sua dedicação a banda e a musica que transmite, pois mesmo com os ataques de epilepsia ele nunca para de nos transmitir a sua musica.
Aqui e nos dado de mão dada toda a paixão e revolução musical feita pelos Joy Division que até aos dias de hoje perdura que influencia todo o panorama musical dos dias de correm.

Conseguimos entender a razão das suas musicas e das letras, conseguimos vivenciar toda a vontade de mudança interior de Ian Curtis, que apenas nos transmite essa mudança, essa mudança dos tempos da musica que se ouvia para a que, posteriormente se ouve. Porem ele é um professor que apenas ensina o publico, mas que não aprende, pois nem toda a sua revolta interior e tudo o que nos transmitiu não foi suficiente para ele próprio aprender e sair da sua angustia interior, pois falhou ao ensinar-se a si próprio, falhou em ele próprio conseguir entender o que transmitia, e isso leva-o ao suicídio.
Para terminar este post da sessão dupla de André, gostaria de dizer que ambos estes filmes são as obras cinematográficas mais marcantes para entender a musica que se ouve hoje em dia, pois tornam-se necessários ver para entender o que ouvimos nos tempos que correm.

http://www.youtube.com/watch?v=A1Qz2x94q6A

http://www.youtube.com/watch?v=7c2_B_cWK_M

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Planos de Sequência /Long Takes

O Hugo Valter e o Águia preparam uma noite literalmente de filmes “non stop”, ou seja o tema eleito foi os planos de sequência.



Ora como fica sempre bem, vamos definir o que é um plano de sequência antes de avançar:
Um plano de sequência no cinema consiste numa cena filmada num único “take”, sem cortes, e com várias acções interligadas e encadeadas, que podem acontecer em ambientes distintos com vários intervenientes.



A primeira vista parece fácil…!



Mas na realidade para obter uma cena em plano de sequência é necessário um verdadeiro trabalho de equipa desde dos actores até as equipas de filmagem. Uma única falha de um elemento no último segundo obriga a refazer desde do início a cena toda por inteiro.



É como se fosse um bailado interminável, entre o actor e a câmara onde eles nunca se tocam mas nunca se deixam de olhar, e cada vez que o actor dá um passo no seu bailado, a câmara tem de acompanhar movendo-se, adaptando se à nova cena, reajustando as luzes, som e simultaneamente esconder os fios, equipamento de produção, e equipa de realização.



Chega de metáforas, agora factos!



Quando surgiram os primeiros planos de sequência?
Basicamente os planos de sequência surgem simultaneamente com a indústria cinematográfica, na verdade os primeiros filmes alguma vez produzidos eram na sua maioria filmados em longos “takes” sem cortes e sem edição. Em 1948, o filme “ROPE” de Alfred Hitchcock é na verdade um filme criado pelo corte e união uma série de longos “takes” de 8 a 10 min, de forma a obter uma história final com linha condutora. Neste caso este plano de sequência foi bem-sucedido porque a acção do filme decorre numa única sala durante 80 minutes, logo não existam os problemas de mover a câmara e ajustar as luzes entre outras coisas.



Qual o plano de sequência mais longo?
Segundo as minhas pesquisas o plano de sequência mais longo da história do cinema é o filme “Russian Ark” de Alexander Sokurov ,um filme de 2002 filmado inteiramente num só “take” de 99 min
Curiosidades: Dado que o museu Hermitage só podia estar fechado um dia o filme teve de ser filmado apenas nesse dia. As primeiras tentativas falharam mas, a quarta tentativa foi de vez.

Quais os planos de sequência mais famosos?
Touch of Evil (1958) – The Opening Shot - dir. Orson Welles
Goodfellas (1990) – The Copacabana club scene – dir. Martin Scorsese
Boogie Nights (1997) – The Opening Shot in the Club – dir. Paul Thomas Anderson
…entre outros é claro



Planos de sequência fora do contexto da indústria cinematográfica:


Videoclips por exemplo:
OK GO “This Too Shall Pass” ; “Here it goes again”; “White Knuckles” (sou fã!!)

Erykah Badu – Window Seat



Na televisão temos os spots de publicitários por exemplo:
Whiskey Jonhnnie Walker,


Bem este “Post” está se a transformar num plano de sequência que nunca mais termina portanto será melhor dar os parabéns aos organizadores por uma sessão muito interessante.


terça-feira, 26 de abril de 2011

Curtas, Médias e Longas

O Filipe Martins tirou a noite do dia 14 de Abril para nos mostrar o seu trabalho, naquilo que é também a sua paixão (sortudo!!): a 7ª Arte!

O Filipe começou por nos explicar como lhe nasceu o bichinho pelo cinema e como iniciou o projecto de um filme, juntamente com o Rui Spranger, que infelizmente nunca terminou. Ironicamente, o filme intitulava-se "Como todas as histórias acabam", mas do qual apenas pudemos ver o trailer. Verdade seja dita que ficámos todos ansiosos por ver o filme... quem sabe um dia o Filipe não se decide a realizá-lo.

Passou depois a apresentar uma série de trabalhos já terminados, executados no âmbito do Balleteatro, centro de artes performativas sediado no Porto:




A PRAÇA

Ante-estreia absoluta de um vídeo-dança realizado pelo Filipe, acerca de um espectáculo de dança contemporânea dirigido e coreografado por Né Barros, tendo como pano de fundo a famosa praça "Djema el Fna" em Marraquexe. Ao ver este vídeo, fui invadido de uma sensação de nostalgia, uma vez que tive a oportunidade de visitar precisamente essa praça há poucos meses e portanto apreciei ainda mais esta curta.

Deixem-me então que vos diga (eu que só sei mesmo avaliar na óptica de um leigo), que toda a filmagem do espectáculo, o sincronismo das guitarras eléctricas e do movimento dos corpos, a luz, os pequenos detalhes, o vídeo da praça, estava tudo tão bem conjugado que resultou numa verdadeira obra de arte (não daquelas do tipo risco preto sobre fundo branco). eheh

Quem quiser assistir ao espectáculo "A Praça" ao vivo, pode ir no próximo dia 29 de Abril, às 21h30, à Casa das Artes de Famalicão, às Comemorações do Dia Mundial da Dança.


O SÍTIO DOS OUTROS

Em seguida, o Filipe Martins apresentou-nos uma "média-curta-longa metragem" (50 min.), intitulada "O Sítio dos Outros", fruto dos exercícios práticos desenvolvidos no âmbito da disciplina de Interpretação do 2º ano de Teatro do Balleteatro - Escola Profissional, durante o ano lectivo 2008/2009 e que esteve em exibição no passado Março durante a 31ª edição do FANTASPORTO.

Desenganem-se aqueles que pensam que, sendo protagonizado por alunos de 2º ano, iriam assistir a um filme amador com uma série de canastrões a cuspirem palavras sem entoação. O filme, para além de ter um argumento bastante interessante, contém alguns talentos na arte da representação (novamente, avaliados por um leigo, é certo), conseguindo prender o espectador do princípio ao fim.

Há, portanto, que dar mérito ao "Sítio dos Outros", que contando com um orçamento reduzidíssimo e tendo apenas como cenário as próprias instalações do balleteatro, resultou num filme muito interessante, com uns pormenores de realização bem engraçados.

Quem não teve a oportunidade, recomendo ver o trailer da curta "O Sítio dos Outros".


STORY CASE

Mais um vídeo-dança, realizado pelo Filipe Martins, a partir de um espectáculo de dança contemporânea, dirigido e coreografado por Né Barros, que nos transporta para uma sensação de solidão e vazio, onde apenas existe em palco um elemento feminino em movimento, entrecortado por uma série de fotografias a preto e branco, tudo ao som de uns acordes potentes de guitarra eléctrica.

Mais uma excelente realização, onde se pode ver o pormenor na sincronização do movimento da câmera e na transição de planos, com a própria música do espectáculo, que vai acelerando até acabar numa orgia de sons e imagens.

Aproveito e deixo aqui um pequeno excerto do vídeo-dança "Story Case".


DIDO E ENEIAS

Por último, o Filipe mostrou-nos mais uma curta, baseada na Ópera de Dido e Eneias, de Henry Purcell, e que nos conta a história de amor vivida entre o príncipe troiano Eneias e a Rainha de Cartago Dido.

A título de curiosidade, o Filipe contou-nos que a curta serviu como aperitivo ao espectáculo protagonizado pelos mesmos actores (António Cabrita e Kanae Maezawa), na peça homónima, produzida e coreografada por Né Barros e que esteve em cena em 2007 no TNSJ - Teatro Nacional S. João.

Podem ter um cheirinho da curta "Dido e Eneias", que esteve na competição internacional Curtas Vila do Conde de 2007 e foi convidada da 1ª edição do Shortcutz Porto 2011.


Sessão completamente imperdível, onde para além de termos tido o privilégio de assistir a uma ante-estreia, pudemos discutir pormenores de realização e coreografia com o Filipe Martins e com a Né Barros. Parabéns aos dois pela paixão que metem no vosso trabalho!

Bem sei que este post não faz jus ao nível da sessão, portanto aproveito a recomendação do Filipe... tremam o monitor, que fica logo mais bonito. :D

quarta-feira, 9 de março de 2011

Fantasporto

Foi a vez da Olga revelar mais uma das suas paixões: o Fantasporto! E, ou não estivesse a decorrer este festival, o cenário acabou mesmo por mudar do Pinguim para o Rivoli, embora a tertúlia final se tivesse realizado à mesma no primeiro. O ecrã era um pouco maior, mas não se podia ir apreciando a projecção ao sabor de um cigarro e de um copo de vinho :/

Do Fantasporto já o clube teve um cheirinho, quando o Hugo trouxe na sua sessão de curtas o I'll See You in My Dreams, que neste festival foi premiado com o Méliès para Melhor Curta-metragem em 2004.

O Fantasporto, entre nós desde 1981 e actualmente o maior festival de cinema português, foi inspirado no espanhol Sitges que, a nível mundial, está em primeiro lugar na área do fantástico desde 1968.

Este ano (e esta é uma vantagem de escrever este post com algum atraso) já foram escolhidos os vencedores que, entre outros, foram Two Eyes Staring de Elbert Van Strien com o Prémio Melhor Filme e A Serbian Film de Srdjan Spasojevic com o Prémio Especial do Júri.

[spoilers a partir daqui] O filme que foi visto nesta sessão acabou por ser Der letzte Angestellt de Alexander Adolph e ainda bem que só foi apresentada a tradução do título para inglês The Last Employee que, nesta forma neutra, não revela se se trata de um empregado ou empregada, o que transformaria o título num spoiler. Apesar de não ter ganho nenhum prémio (pelo contrário, no Festival de Leeds foi galardoado com o Méliès de Prata) e ter uns modestos 5,8 no IMDb, tem algumas características muito interessantes.

A nível psicológico, por exemplo, a forma como plantou no subconsciente algumas sementes para depois se fazer valer da colheita teve um efeito notável (sim, a cena em que Frau Blochs bate repetidamente com a cabeça no tablier do carro no início do filme e posteriormente a cena que Dr. Manz começa a brincar com duas canetas, após se tornar no último empregado, com o despedimento de David Böttcher); a claustrofobia também é explorada com mestria, nas inúmeras vezes que as portas teimam em não abrir na pior altura.

Talvez o seu maior defeito seja seja corresponder demasiado ao estereótipo do género a que pertence, quase parecendo que o realizador seguiu ponto a ponto o manual da cadeira Filmes de Terror do seu curso de cinema.

Mas foi realmente um filme «à Fantas», repleto de humor negro e que deixou toda a gente presa à cadeira, excepção feita talvez à Fernanda :)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Instinto animalesco!

O Nuno, um dos elementos mais recentes do Clube dos Pinguins, decidiu brindar-nos com uma obra cinéfila francesa, datada de 1973, que dá pelo nome de Themroc, avisando-nos de antemão que iríamos assistir a um filme baseado em factos reais com cenas eventualmente chocantes e perturbadoras (inclusive canibalismo), mostrando o lado animalesco dos seres humanos a vir ao de cima.

O filme, realizado por Claude Faraldo, conta com uma interpretação brutal de Michel Piccoli (personagem principal), acompanhado de uma série de actores franceses, sendo um deles identificado pelo Rui Spranger como o Coluche, um conhecido cómico francês. No meio de diálogos intelígiveis, grunhidos e urros, Themroc retrata a revolta de um operário francês perante a sociedade e a sua constante monotonia, desenrolando a partir daí actos extremos que levam outros a unirem-se em protesto, numa espécie de orgia cómica e ao mesmo tempo mórbida. Uma vez que para "spoiler" já basta o Águia (eheh), acho que me vou ficar por aqui...

No final do filme, a tertúlia andou à volta de várias questões sociológicas e políticas, incluindo o facto da revolta de Maio de 68 ter marcado fortemente a sociedade francesa, o que acaba por ser abordado ao longo do filme. A partir daí foram várias as histórias contadas quer pelo Nuno, quer pelo Rui sobre as vivências de cada um em Paris, uma vez que lá moraram e assistiram a algumas manifestações. Comparando com a nossa situação, acabámos por concluir que Portugal é um país de demasiados brandos costumes, perdendo algumas vezes com isso, pois não somos capazes de nos unir e lutar pelos nossos direitos, como vemos outros países a fazê-lo.

Talvez se mais gente visse este filme, ficássemos com mais vontade de nos revoltar na próxima greve geral de 24 de Novembro. Só teríamos de treinar os grunhidos e partir tudo o que apareça à frente. Obrigado pela inspiração, Nuno!! :D

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Guerra dos Botões

Actualmente grande parte da população das cidades tem a sua origem em meios rurais, facto que se comprova, por exemplo, pelo deserto em que transformam, nas poucas horas que precedem a ceia de Natal. E isto mesmo se pôde verificar esta quinta-feira entre a plateia do Clube dos Pinguins, desde o Rui e a sua infância em Vouzela até à minha, em São João da Madeira. E foram esses tempos a jogar à bola na rua e a subir às árvores, longe da Playstation e da televisão por cabo, uma das razões que permitiu apreciarmos e nos identificarmos tanto com o ambiente em que decorre A Guerra dos Botões: a França rural dos anos 60. E não se pense que crianças a beberem álcool e maus tratos infantis são fenómenos só do nosso país!

A história centra-se num pequeno conflito entre as crianças de Longeverne e de Velrans, duas pequenas aldeias vizinhas, e de como este começa a escalar e a requerer uma enorme organização entre as crianças, com uma série de problemas decorrentes dessa tentativa de organização. Pelo meio desfilam criativas e engenhosas estratégias de combate, que tiram partido dos limites que os adultos impõem às crianças, contrastadas com uma sensibilidade que surge nos momentos mais inesperados.

O realizador, Yves Robert, acaba igualmente por satirizar o mundo dos adultos, abordando tópicos como uma “igualdade” onde há ricos e pobres, e trabalhadores que trabalham sob chefes que vêem trabalhar; as guerras e a sua falta de sentido, onde todos se prejudicam e ninguém é beneficiado; o papel predestinado às mulheres naquele tempo. Enfim, um reflexo muito peculiar da sociedade.

É particularmente interessante o exercício de comparar a liberdade de um realizador em 2010 e em 1962, ano em que este filme foi realizado. Se pensamos que actualmente tudo é possível, com esta obra apercebemo-nos que, entre outros, os enormes escândalos de pedofilia que assolaram recentemente a sociedade ocidental, o fundamentalismo anti-tabagista, o hiper-proteccionismo a que as crianças são sujeitas e, se calhar, até o caso Maddie, nos fizeram perder algo, plantando no subconsciente colectivo uma série de regras não escritas.

Concluindo, são 89 minutos muito bem passados, repletos de nostalgia e que acabam por ser uma pausa no mundo politicamente correcto de hoje em dia. E para quem gostou, vai haver mais do mesmo na próxima sessão!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A Festa de Babette

Carolina acho que consegui bater o teu record!!!
Acho que este será o post mais tardio de sempre e peço desculpa por isso, mas já diz o povo: "Mais vale tarde do que nunca..."




O André começou a sessão no dia 13 de Julho dizendo que uma das suas paixões era a gula e que nos iria mostrar um filme sobre isso mesmo, ou melhor, sobre o pecado da gula e se o pecado seria mesmo pecado ou se seria pecado não pecar pelo pecado. Confusos?? Também eu fiquei quando a sessão foi interrompida e adiada para o dia 22 de Julho...
Passemos a explicar: O filme tratava-se de "Babettes gæstebud" (título original) que é como quem diz: "A Festa de Babette". Um filme Dinamarquês de 1987, realizado por Gabriel Axel.
O filme começa por contar a história de duas irmãs (Filippa e Martine), filhas de um honorável pastor Protestante, que viviam numa aldeia isolada. Apesar de alguns convites para sair da aldeia e conhecerem mundo as irmãs preferem continuar a ajudar o seu pai e a sua igreja. Uns anos mais tarde aparece na pequena aldeia uma refugiada francesa (Babette) que acaba por ser auxiliada pelas duas irmãs que lhe dão casa e comida em troca dos seus serviços.
Uns anos mais tarde, já o pobre pastor tinha morrido e as irmãs resolvem celebrar a data em que o seu pai faria 100 anos. Babette, que tinha acabado de ganhar uma lotaria choruda, oferece-se para fazer o jantar comemorativo, um jantar francês que estava habituada a fazer na sua terra.
E foi aqui neste ponto que acabou a primeira sessão. "O melhor está para vir, diziam..." e lá tivemos que esperar duas semanas para ver o desenlace final e tentar perceber o que o pecado da gula tinha a ver com tudo o resto.
Começada a segunda sessão, prontos para ver o último terço de filme e depois de revista a matéria passada, o filme arranca mais ou menos no ponto onde teria ficado.
Convém, antes de continuar, dizer que a aldeia isolada onde se encontravam estas irmãs era extremamente religiosa e seguia-se por todas as suas convicções protestantes. Quando Babette se oferece para fazer o jantar comemorativo do centenário do velho pastor, a ideia não foi de todo bem-vinda. A comida extravagante e o vinho não são bem-vistos aos olhos do Senhor, além de que Babette era católica. Começamos, finalmente, aqui a perceber onde aparece o pecado da gula.
Babette tanto insiste que acaba por convencer as duas irmãs. Estas por sua vez e assustadas com o grandioso banquete, tentam convencer a aldeia a aparecer ao jantar com a condição de que ninguém poderia apreciar as iguarias que lhes seriam servidas a fim de não cometerem pecado. A aldeia concorda unanimemente.
Babette manda vir uma infindável quantidade de ingredientes de França e trabalha arduamente para realizar o seu dito jantar. Ao jantar junta-se aos habitantes da aldeia um general Sueco, sobrinho de uma velha senhora da comunidade da aldeia e que não tinha quaisquer complexos com comida ou pecados.

O resto seria uma perda de tempo tentar descrever. O melhor é mesmo ver o filme e captar a sua narrativa, com todo o seu sentido de humor, juntamente com todas as pequenas reacções de cada personagem.
Que fique só resumido que Babette acaba por fazer o maior e mais saboroso banquete da vida daquelas pobres personagens e no final que cada um de vós tire as suas conclusões em relação ao pecado da gula, porque eles também as tiraram... e não vou ser eu a fazer juízos de valor, que não me pagam para isso.
(Continuam confusos?? Já não posso ajudar muito...)

O filme tem uma passividade lenta, o tempo passa devagar o que nos traz uma calma interior que nos transporta automaticamente para a calma daquela pequena aldeia isolada. O sentido de humor está no ponto certo, nunca chega a ser burlesco ou exagerado, está lá e pronto, o que faz com que o filme seja uma experiência única, sem nunca chatear.

"A Festa de Babette" ganhou uma menção honrosa do Júri em Cannes 1987 (para o realizador Gabriel Axel), o Óscar de melhor filme estrangeiro em 1988, o BAFTA para melhor filme estrangeiro em 1989, entre muitos outros prémios...

O André remata a sua sessão dizendo que o banquete que é feito no filme teve tanto sucesso que ainda hoje há restaurantes que recriam o mesmo. (Tirando a sopa de tartaruga, visto estar proibida devido à preservação da espécie, obviamente). Presumo que não seja barato, mas se tiverem numa de perder a cabeça é só investigar.

Agradeço ao André pela sua sessão, pela maneira que a apresentou e defendeu e pela escolha deste belíssimo filme.

Se quiserem mais informações sobre o filme visitem o IMDB aqui.
Se quiserem as receitas podem ver aqui.
Se quiserem variadíssimas informações sobre o filme, elenco, história e receitas podem vir aqui.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

curtas de Hugo

Ontem apresentou no pinguim club o nosso caro amigo Hugo Pereira a sua paixão:

curtas-metragens!!!!!!!!!!

A primeira foi I`ll see you in my dreams. The zombies are coming back, but this time in a portuguese forest!!!!!!!! É considerado o primeiro filme de terror feito em Portugal (2003) e está muito bom, realizado por Miguel Angel Vivas e produzido por Filipe Melo. Apesar de estar muito cómico e muito bem filmado, tive medo como sempre com filmes de terror....ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Com a segunda curta viramos para o quase documentário: 10 minutes. Está atrás a pergunta o que pode acontecer entre dez minutos em partes diferentes do mundo. Os lugares : Sarajevo, Bósnia, guerra, um pequeno rapaz a buscar água na zona de fogo – Roma, Itália, um chinês a fazer turismo e desenvolver um filme. Mensagem: A vida pode virar entre segundos para o bem ou para o mal. Achei um pouco óbvio a abordagem do filme, mas estava bom.

A terceira curta estava linda, linda, linda! SIGNS. Uma história de amor convencional entre duas pessoas que trabalham nuns escritórios ao lado um do outro e começam a comunicar um com o outro por papéis com palavras e sinais. A mensagem do filme é que o processo de apaixonar-se através da comunicação gestual, do olhar, do jogo inocente e intuitivo é muito mais importante que a palavra, e esta está muito bem conseguida. Quero ver mais uma vez!

Depois vimos MORE, um desenho animado. Num mundo de monstros muito humano, cinzento e monótono, um senhor monstroso sente muita falta de felicidade, que conhecia na sua infáncia. Finalmente ele inventa uns óculos, que dão a possibilidade de ver o mesmo mundo só colorido e positivo e encontra a sua felicidade! Lembrei-me que no alemão, nos dizemos, quando alguem está apaixonado, ele está com óculos côr-de-rosas... Um imagem, que ficou é o senhor monstroso a abrir a sua barriga para ver em qual condição está a sua luz de vida ou de esperança ou de felicidade, uma bela imagem!

A última estava Mankind is no island. Uma curta mesmo curto! Lindamente a jogar com palavras que a câmera de um telemóvel encontra nas ruas de New York e Sidney e juntar-lhes visualmente uma mensagem de humildade humana, que precisa registrar o outro na anonimidade das grandes cidades, onde invisivelmente milhares de pessoas vivem como excluidos na sociedade.

Muito obrigada Hugo, por esta sessão muito divertida!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Once upon a time no Pinguim

Ontem aconteceu poesia no Pingim! Desta vez não foi dita pelo Rui Spranger, mas sim exibida na tela!

A paixão do Rui pela "Sétima Arte", de resto partilhada por outros elementos do Clube dos Pinguins, fez com que nos quisesse apresentar o filme da sua vida, um Western épico cuja acção decorre no cenário do progesso e do avanço dos caminhos de ferro no velho oeste americano: "Once Upon a Time in the West" (em português, "Aconteceu no Oeste"), um filme de 1968, realizado por Sergio Leone e com um elenco de luxo (Henry Fonda, Claudia Cardinale, Jason Robards, Charles Bronson, Gabrielle Ferzetti, ...).



Depois de uma introdução feita pelo Rui, quer sobre o filme, quer sobre determinados pormenores relativos à realização (para que os pudéssemos apreciar devidamente), as luzes foram apagadas e a poesia começou. Num ambiente intimista e silencioso, o filme foi saboreado como se de facto de uma sessão de poesia se tratasse, uma vez que a própria toada do filme, a fantástica banda sonora de Ennio Morricone, a magistral combinação de planos, a tensão sempre patente e a grande interpretação dos actores, nos foram invadindo e envolvendo na atmosfera do Velho Oeste.

Embora a duração do filme (165 min.) tenha feito com que a sessão terminasse já muito tarde (por volta da 1h), era inevitável que a noite se prolongasse numa conversa animada sobre os pormenores do filme e da sua realização, à laia de digestão da obra-prima que tínhamos acabado de degustar.

Frase mais ouvida da noite: "EU NÃO ACREDITO QUE AINDA NÃO TINHA VISTO ESTE FILME!!"

Obrigado, Rui!

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Coisa linda

A menina que protagoniza a secretária de Hitler em "A Queda" é agora a amante de Ian Curtis em "Control" e vai fazer parte de um filme sobre a Baader-Meinhof. Algo me diz que está a nascer uma estrela no firmamento cinematográfico europeu. Ah! Chama-se Alexandra Maria Lara, tem 29 aninhos e é romena.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

terça-feira, 11 de setembro de 2007

The Cathedral

Simplesmente sem palavras...

terça-feira, 31 de julho de 2007

Close up e corta, manda guardar (religiosamente)

Alguns amigos anotam isto: raramente um génio falece sozinho, há sempre outro que o segue.
O último caso que me lembro foi o de Sophia e de Carlos Paredes, há três anos, e agora sucede de novo: Ingmar Bergman e Antonioni.


O Sétimo Selo

Profissão Repórter