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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A "biografia boémia" de Serge Gainsbourg

AVISO: Por conflitos de interesse, o Rui trocou comigo o post sobre esta sessão.

No passado dia 29 de Setembro, a Mónica trouxe uma paixão partilhada com o Rui, mas que nasceu em circunstâncias e datas diferentes.

Serge Gainsbourg é uma paixão de longa data do Rui e que até já tinha apresentado uma sessão sobre ele ("EKMA e Serge Gainsbourg"). Uma vez que o Rui morou durante algum tempo em França, muita da sua cultura musical provém desse país, onde Serge Gainsbourg foi um dos maiores ícones.

A paixão da Mónica por este músico francês surge mais tarde, através do filme "Gainsbourg - Vida Heróica", de 2010, onde é retratada a vida polémica de Serge Gainsbourg, durante os seus anos de sucesso, célebre também pelos inúmeros casos com conhecidas actrizes e cantoras (Brigitte Bardot, Juliette Gréco, France Gall, Jane Birkin, Catherine Deneuve, etc).


O filme, realizado por Joann Sfar, foca apenas uma parte da vida de Serge Gainsbourg, mostrando-o como um viciado em cigarros, álcool, mulheres e músicas com temas polémicos. E por esta razão, o Rui disse não considerar o filme uma verdadeira biografia da vida do músico, mas sim uma visão pessoal do realizador, que de facto afirma no final:

"J'aime trop Gainsbourg pour le ramener au réel. Ce ne sont pas les vérités de Gainsborg qui m'intéressent, ce sont ses mensonges."
("Eu amo demais Gainsbourg para trazê-lo à realidade. Não são as verdades de Gainsbourg que me interessam, mas as suas mentiras.")

No entanto, num ponto todos concordámos: o filme é de facto muito bom e tem uma dinâmica interessante, levando-nos numa viagem louca à vida de Gainsbourg e a um constante conflito interior com o seu "alter-ego boémio".

Recomendo lerem este resumo biográfico de Serge Gainsbourg, para verem como era louca a vida deste músico.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

EKMA e Serge Gainsbourg

O Clube dos Pinguins é especial por uma série de razões e mais uma vez isso ficou demonstrado na sessão de 28 de Abril, apresentada pelo Rui Spranger: possivelmente a mais intimista de que tenho memória. A paixão desta vez foi a música, materializada nos Eriti Kurva Muusika Ansambel e em Serge Gainsbourg. E nesta época que começa a privilegiar o single em detrimento do álbum, foi com especial prazer que vi terem sido trazidos três destes espécimes, que permitem a criação de obras muito mais complexas do que seria possível com músicas soltas (o todo é maior que a soma das partes). Adicionalmente o acto de ouvir a música como prato principal e não como acompanhamento também soube muito bem.

Numa sessão mais tardia que o habitual, foram-nos então dados a conhecer os EKMA, que surgiram em Talin, Estónia em 1990; o seu nome significa literalmente Orquestra de Música Especialmente Triste, têm presentes instrumentos como o violino, a flauta, o saxofone, o contrabaixo, o piano, a guitarra acústica, e o seu estilo oscila entre o burlesco, o folk e a música de câmara, tendo feito lembrar aos membros do clube artistas tão diversos como Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra, Gogol Bordello, Michael Nyman Band ou Yann Tiersen. Após a morte do vocalista e fundador Sven Kunu em 2007, acabaram no ano seguinte. Para a posteridade deixam os álbuns “Haua plaadi lood 1991-1999” (gravestones stories 1991-1999) de 1999 e “ebafolklorism” (un-folk) de 2001, para além de “Ilus elu” (beautiful life) de 2009, em conjunto com Eesti Rahvusmeeskoor.

De Serge Gainsbourg ouvimos “Histoire de Melody Nelson” de 1971, por muitos considerado o melhor conseguido dos seus álbuns. Composto conjuntamente com Jean-Claude Vannier, ainda tão recentemente como em 2006 e 2008 foi interpretado por este em Londres e em Paris, contando com a colaboração dos Placebo, The Bad Seeds, BBC Concert Orchestra entre outros. Desafiando a compreensão da língua francesa por parte dos presentes, é contada a história do homem de meia-idade Gainsbourg que embate o seu Roll Royce na bicicleta da adolescente Melody Nelson, e do romance subsequente. Jimmy Hendrix e funk vieram à cabeça de vários membros do clube.

Foi uma sessão memorável, que trouxe o prazer, neste tempo tantas vezes negligenciado, de ouvir música apenas pela música, e não como acompanhamento da condução ou como banda sonora de um qualquer filme.