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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Uma noite NORMAL

Um homem sozinho numa mesa de café. Não tem um jornal para ler, não conhece nenhum dos outros frequentadores do espaço, está sozinho, num café. Um homem normal, como qualquer um de nós, sozinho, a tomar um café. Quem nunca tomou um café, ou uma cerveja, consigo próprio? Quem, de entre todos nós, nunca esteve sozinho num local público sem que, aparentemente, tivesse algo melhor para fazer? Existe algum ser humano que já não se tenha sentido observado por estranhos? Existe algum ser humano que não tenha, algum dia, observado e especulado sobre um estranho?
É destes e de outros temas universais (porque nos dizem respeito a todos) que trata o monólogo em cena no Pinguim Café, tão brilhantemente escrito pelo Ricardo Silveira como interpretado pelo Rui Spranger.

E foi numa das habituais noites de Quinta-Feira, que os membros do Clube dos Pinguins se reuniram na cave do costume para ver “NORMAL”, a personagem trazida à vida pela voz grave e dicção indefectível do Rui Spranger, que se estreia com extrema eficácia no mundo dos monólogos. Em boa verdade, aquele a que alguns chamam Pinguim Imperador, é O verdadeiro homem do espectáculo, uma vez que só lhe faltou fazer a bilheteira!!

Os pinguins foram unânimes: todos se reviram em algum momento, sentados, naquela mesa de café.

Mas a noite não acabava com o apagar das luzes: oportunidade única, reservada apenas a alguns privilegiados (os presentes), foi a conversa final, com actor/encenador/técnico de luzes/assistente de palco e com o autor do texto.

E mais não digo! Quem ainda não foi ver, faça o favor de ir, até 22 de Maio, porque vale a pena. Eu fui (pela segunda vez)!!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Estás-te a divertir?...............

No dia 17 de Março fomos convocados pela Luísa para ir até ao Maus Hábitos ver a peça Anti-globals Me-Més dos Palmilha Dentada.

Eu nunca os tinha visto, mas já tinha ouvido falar muito bem, por isso as expectativas eram altas, mas eles corresponderam completamente.

Os espectáculos dos Palmilha têm uma grande dose de humor, muito improviso e algum nonsense à mistura.

Como estamos num bar, o ambiente é mais descontraído que numa sala de um teatro convencional e a interacção com o público é enorme, pois eles representam sem a quarta parede.

Eles pretendem a participação activa do público e os pinguins ficaram logo na primeira fila, mas às vezes o feitiço vira-se contra o feiticeiro, pois a descontracção da Fernanda com os seus "bitaites" até os desorientou um pouco.

Esta peça pretendia chamar a atenção para os efeitos da globalização e a perda da nossa identidade cultural e está dividida em três sketches:

O primeiro, com dois tipos a falar "palmilhês" (mistura entre uma língua de Leste e Italiano), que acaba em grande discussão pois não se entendem na forma de preparar um ataque (terrorista?) e recorrem a telefonemas constantes à mesma pessoa para desempatar.

O segundo, com o Sr. Sousa e o Ziguinho (uma criança vestida de coelho) que quer fugir de casa porque é contra a globalização e não quer comer couves de Bruxelas e salada Russa pois têm muitos codóis (CO2), e quer antes batatas portuguesas.

No último sketch o público acaba todo a dançar e cantar reggae, com a Fernanda mais uma vez a fazer das suas, mas agora já no palco....

Vamos lá pessoal:

♪ ♫

Estás-te a divertir?

Mais ou menos

Podia estar melhor?

Pois podia

Falta qualquer coisa na minha vida

Falta uma praça onde eu queira ir

Qual é a tua praça?

Qual é a minha?

Qual é a nossa praça?

Qual é a vossa?

Falta qualquer coisa na nossa vida

Falta uma praça onde nós queiramos ir

♪ ♫

terça-feira, 9 de novembro de 2010

20 anos pró boneco




"Dizer que sofremos mais uma perda é não dizer nada. Porque “perda” é uma palavra demasiado pequena para este vazio e o João Paulo não era “mais um” em nada. Inconfundível no humor, na provocação, na beleza da escrita, no entusiasmo da criação, na constante insatisfação. E sobretudo na gargalhada.

Esta noite muda a hora. Isto é importante porque amanhã temos hora marcada para nos despedirmos de um amigo. Mas mais importante seria que esta noite terrível que nos vai roubando os amigos passasse de vez, e finalmente chegasse um dia em que não houvesse mais despedidas.

E ouve, João Paulo:
É verdade que conseguiste transformar marionetas em actores, mas quantas vezes já te dissemos que o contrário não é possível? Os actores não conseguem ser marionetas, nem mesmo quando isso lhes dá jeito. Porque se saltarem demais ficam tontos, se cairem partem uns ossos, se não comerem desmaiam... E se os deixares sofrem, sentem-se órfãos e choram bem alto com a dor da tua ausência. Estás a ouvir?"

Por Visões Úteis
 

A ler ainda:

Teatro de marionetas do Porto (biografia);
O Homem que provocava sentidos, por Tiago Bartolomeu Costa;
Há um sorriso a menos, por Rui Spranger;

PS - Passados alguns dias da morte de João Paulo Seara Cardoso, senti-me na obrigação de publicar uma paixão comum a muitos deste pequeno clube.
Porque o clube de que falamos já não se retém dentro das paredes do costume é muito maior. É um clube de apaixonados por um sonhador e criador de sonhos...