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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

"the universe is wider than our views of it" (Thoreau)

Depois de uma série de sessões dedicadas aos jogos, aos filmes e à música, o Vasco desceu à cave para nos falar de filosofia. Para nos falar de política. Para nos falar de ecologia e de poesia. Para nos falar do universo e dizer-nos “the universe is wider than our views of it”.
Thoreau, aquele poeta de que a maioria de nós ouviu falar, pela primeira vez, no “Clube dos Poetas Mortos” , foi a paixão da noite.

Henry David Thoreau (12/07/1817 — 06/05/1862), nascido nos Estados Unidos da América, foi autor, poeta, naturalista, activista, historiador, filósofo, abolicionista e transcendentalista.
Pois é caros Pinguins ambientalistas: Thoreau, no Séc. IXX, preocupava-se com os efeitos do progresso e da mão do homem na natureza. É a ele que se atribui a frase "Eu não tenho dúvidas que é parte do destino da raça humana, na sua evolução gradual, parar de comer animais”.
São muitos os livros, ensaios, artigos, e poesias de Thoreau e entre as suas contribuições mais influentes encontram-se estudos sobre história natural e filosofia, onde ele antecipou as preocupações da ecologia.

Thoreau influenciou filósofos e activistas como Tolstói, Gandhi, e Martin Luther King, Jr.

O seu livro mais conhecido é Walden, uma reflexão sobre a vida simples cercada pela natureza, um manifesto contra a civilização industrial, onde Thoreau propõe o regresso à vida mais simples.
Através da sua própria experiência, que durou dois anos, dois meses e dois dias, Thoreau provou que uma vida simples e humilde é viável em termos financeiros. Walden tornou-se um dos livros mais célebres do autor e é uma referência tanto para a Ecologia, como para o movimento hippie.
O Vasco, prevendo que uma só sessão seria insuficiente para nos apercebermos do génio de Thoreau, trouxe-nos uma peça de teatro que retrata os últimos dois dias do autor nos bosques, enquanto escrevia “Walden” (em português, “A Vida nos Bosques”) e da qual deixo aqui um excerto:



Mas Thoreau não se ficou pela ecologia e pela filosofia, é um autor a descobrir! Uma vez que o post já vai longo, fiquem apenas com este pensamento, extremamente actual, como muito daquilo que escreveu: Quando me aparece um governo que me diz: O teu dinheiro ou a tua vida, porque hei-de eu ter pressa em lhe entregar o dinheiro? É possível que ele fique apertado, sem saber o que fazer. Eu é que não posso ajudá-lo." Henry David Thoreau in Desobediência Civil.
Vasco, o bando dos Pinguins agradece.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Segundas com Poesia e muito Spranger

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Joaquim Castro Caldas na RUM

"A propósito do falecimento de Joaquim Castro Caldas, no Livros com RUM desta semana repomos uma entrevista recentemente concedida a este programa. Esta conversa-testemunho é, ao mesmo tempo, pungente, lírica e dramática. Joaquim Castro Caldas foi uma das últimas vozes da poesia em que o risco foi companheiro da entrega à vida na sua dimensão mais intensa."Num dia abstracto uma conversa concreta".

Fica aqui a nossa homenagem a um dos últimos trovadores andarilhos da criatividade poética onde a valeta era a porta do Ser.

Para ouvir Quinta-feira entre as 21 e as 22 horas, Domingo, entre as 20 e as 21, ou aqui."

PS - Rádio Universitária do Minho

sexta-feira, 21 de março de 2008

Canção Primaveril

Anda no ar a excitação
de seios súbito exibidos
à torva luz de um alçapão,
por onde os corpos rolarão,
mordidos!

Ou é um deus, ou foi a Morte
quem nos vestiu este torpor;
e a Primavera é um chicote,
abrindo as veias e o decote
ao meu amor!

Esqueço que os dedos têm ossos:
é só sangue esta carícia;
apenas nervos os percoços...
Mas nos teus olhos, nos meus olhos,
a luz da morte brilha.

David Mourão Ferreira