terça-feira, 2 de junho de 2020

João de Araújo Correia - Olga Pires

Há cerca de 15 dias, o Hugo Pereira lembrou que, nesta edição online do Clube dos Pinguins, ainda ninguém havia feito um teaser, antes da sessão. E, de facto, os teasers têm uma importância maior do que aquela que aparentam. Eles convocam-nos para um mistério que simboliza a essência da paixão, para além da mera aparência. Horas antes do início da sua sessão, a Olga partilhou connosco uma paisagem do Peso da Régua, lugar que sabemos ser parte integrante da sua identidade, por onde andou até chegar ao nosso encontro, nessa cidade que nos une, que é o Porto, e nesse lugar da nossa partilha – o Pinguim.
O mistério manteve a sua camada de aparência na primeira pergunta que nos fez: “se eu vos falar num médico, escritor do Douro, quem vos vem à ideia?” As respostas foram tímidas e parcas. E percebendo que não chegaríamos lá, a Olga devolveu-nos um nome – João de Araújo Correia. O desconhecimento geral proporcionou uma daquelas sessões que nos fazem terminar o dia com a certeza de que iremos acordar mais ricos e mais curiosos com novos caminhos. Juntos, temos então a nossa “terra de consortes”.
João de Araújo Correia nasceu em 1899, em Canelas, nesse paraíso natural que é o Peso da Régua. Entusiasta da grande literatura do seu tempo, acaba por se licenciar em Medicina, na cidade do Porto, sob a orientação do humanista Abel Salazar, profissão que exercerá como um “João Semana” ou, como diria mais tarde o seu neto, um “Robim dos Bosques da Medicina”. E, não obstante a sua dedicação à medicina, que jura ser acidental, e o seu amor pelo Porto, como se lá tivesse nascido, é a Canelas que regressa com a mulher e os seus cinco filhos, vítima dessa doença que tantas vezes nos assombra o espírito – “um cansaço extremo” -, dedicando-se àquele que considerava ser o seu verdadeiro ofício, o de escritor.
Influenciado pelo génio de Camilo, seguindo trilhos traçados por Trindade Coelho ou Mestre Aquilino (este que acabaria por dizer que o mestre de todos era o próprio João de Araújo Correia), o escritor concentrou-se nas idiossincrasias do povo, nos regionalismos e na natureza e foi assim quem em 1936 escreveria um opúsculo de linguagem médica popular do Alto Douro. Colaborou com diversos órgãos da imprensa, local e nacional, e compôs uma colectânea com esses contributos, contos e crónicas, publicando-os sob o nome “Sem Método – Notas sertanejas”.
O seu realismo naturalista chamou a atenção de grandes críticos literários da época, como Urbano Tavares Rodrigues ou João Bigotte Chorão. Este último tornar-se-ia no grande estudioso da sua obra, apontando a singularidade da sua escrita, a pureza e correcção da linguagem e o domínio exemplar da língua portuguesa. Araújo Correia afirmava, então, uma capacidade invulgar para transformar a linguagem popular em literatura, explorando diálogos, modos de vida e perspetivas do real, da realidade que foi observando enquanto homem e médico. A sua sensibilidade é angustiante.
A sua obra é, também, resultado da sua insistência em explorar a sua origem matricial, onde garante que todos encontramos a universalidade, sem precisar de sair pelo mundo. Esta ideia, presença constante da sua literatura, confirma-se na descrição exata dos elementos naturais, da imensidão dos regionalismos e na exploração da essência do ser humano, lembrando outros autores como Afonso Duarte, Aquilino, Torga ou Fernando Namora.
A sua inquietude e necessidade de divulgar a sua obra e a de outros autores com menos acesso ao mundo editorial fê-lo criar a editora Imprensa do Douro, ainda hoje em actividade, apesar de menos ligada à literatura. Essa sua intervenção é, talvez, o motivo para ainda hoje existir uma tertúlia no Peso da Régua com o seu nome, que se dedica à divulgação da sua obra, através de conferências e debates ou através da publicação de obras suas já há muito esgotadas e desaparecidas do alcance do grande público. Apesar dessa dificuldade de publicação, João de Araújo Correia é um dos autores do Plano Nacional de Leitura e o seu nome foi atribuído à escola secundária, onde a nossa anfitriã, Olga Pires, estudou. E eis um bom motivo para terminar esta já enfadonha crónica.
Não sei distinguir, ao certo, o momento em que a paixão da Olga se metamorfoseou. É, aliás, difícil dizer com toda a certeza se a Olga nos quis falar de João de Araújo Correia ou se, através das suas palavras e da sua missão, quis connosco partilhar a sua paixão pela raiz da sua essência – o Peso da Régua. E, na verdade, isso é um pouco indiferente, na medida em que tudo isso se mistura em nós com naturalidade: a nossa linguagem; o cheiro da terra; o som do vento nas árvores; o quotidiano das nossas gentes; os costumes que reconhecemos e que tantas vezes nos colocam dilemas entre um tempo outro e o nosso tempo. Mas é na raiz dessa essência e na crónica do tempo que passa que a identidade é matriz dos símbolos – esses símbolos que ostentamos no peito e que cativam o olhar dos outros na rua que conduz à porta da nossa casa.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Gin

Pela terceira vez nesta quarta temporada o clube dos pinguins juntou-se, ainda fora da cave, para mais uma partilha de paixões. Desta vez foi o Tiago que nos presenteou como uma apresentação sobre a sua grande paixão, o Gin.

O interesse por destilados começou por intermédio dos seus pais que tinham por hábito a realização de cocktails, como gin tónico e dry martini, nos encontros familiares. O gin que bebericavam era Gordon's, um grande clássico, com a famosa rodela de limão num copo de tubo.
Andando para frente uns anos, é por volta de 2013/2014 que, ao voltar ao seu emprego antigo conheceu quem viria a ser a sua futura sócia. Foi esta mesma sócia, Rute, que o iniciou na degustação dos chamados novos gins, com algum esforço visto que, o Tiago achava que aqueles aquários cheios de gelo, salada de frutas, pouco gin e muita tónica era uma "paneleirice". Ao provar um Martin Miller's com zimbro e lima a sua opinião mudou completamente, um novo mundo de sabores estava à sua frente. Continuou a experimentar e a comprar mais gins diferentes e no dia dos namorados de 2016 a sua esposa, Daniela, ofereceu-lhe o livro "Vamos Beber um Gin?" que rapidamente leu e a ideia de fazer o seu próprio gin começou realmente a formar-se. Leu bastantes livros dos quais destaca "The Drunken Botanist", foi a Londres fazer um workshop de como abrir uma destilaria e concluiu também o nível dois de destilados pela WSET Awards.
Num jantar de família virou-se para o seu padrinho, "Oh Teles vamos fazer um gin.", "Está bem.", respondeu este sem dar grande importância, sem saber que o Tiago falava muito a sério. Começou por pensar no nome, GinT, de Tiago e Teles. Em dezembro de 2017 comprou 40 litros de vodka e fez algumas destilações, "É pá, aquilo era horrível.", pensou o Tiago, mas prosseguiu nas suas experiências tendo bastante dificuldade em arranjar fornecedores. Chegou então à sua receita final, zimbro, semente de coentro, cássia, angélica, flor de sabugueiro, casca de laranja doce, cravinho, noz-moscada e o ingrediente diferenciador a casca de figueira. Este último ingrediente vem da vontade de criar um gin que tivesse algo de sua identidade, o aroma da infância que sentia quando aproveitava a sombra das figueiras nos terrenos do norte. Durante o início de 2018 correram o país a dar a provar algumas amostras e em maio nasce o GinT Rubro, um gin com 58% de álcool (o mais forte em Portugal) mas com uma suavidade e um sabor incríveis. A garrafa em formato de balão Erlenmeyer e a rolha de cortiça natural elevam o gin transparecendo a atenção ao detalhe do Tiago. (ver imagem seguinte)
Posto isto, foram ao Lisbon Bar Show e tiveram críticas muito positivas, mas foi na Junipalooza 2018 em Londres que se afirmaram, apesar de estarem ainda a começar, tiveram muito sucesso e venderam bastantes garrafas. Conseguiram distribuição no estrangeiro e o negócio começou a rolar de uma boa maneira. Em 2019 eu tive o privilégio de acompanhar o Tiago e a Rute à Junipalooza onde vendemos cerca de 80 garrafas em dois dias e onde testemunhei em primeira mão o quanto o público fica maravilhado a degustar este gin, é sem dúvida dos melhores do mundo e para mim o melhor português que já experimentei. 
Agora em 2020, já com duas medalhas de prata e uma de bronze, o negócio estava a correr bem e já existia uma nova receita, menos alcoólica e não tão seca, para entrar numa gama ligeiramente mais baixa e dar a possibilidade a mais clientes de provarem o que o Tiago consegue fazer com um alambique. Infelizmente com o vírus que anda por aí esta receita ficou em suspenso mas, sendo o Tiago uma pessoa que nuca pára, vai lançar brevemente uma edição limitada chamada Heads & Tails. Receita esta que, como explicado na sua apresentação, vem do desperdício que se tem na destilação, dado que, só é aproveitado a parte central, Hearts, procedendo-se depois a uma nova destilação deste desperdício e nasce assim esta edição. Para terminar gostaria de mencionar o grande esforço que o Tiago demonstrou para seguir a sua paixão e a capacidade de ter uma destilaria com praticamente nenhum desperdício, quer seja no aproveitamento do álcool como referido mas também no aproveitamento dos botânicos que após destilados ainda têm muito para dar, realizando em parceria comigo e com o grande Paulo Pires os primeiros bitters portugueses que brevemente também entraram no mercado.

Assim me despeço esperando ter feito justiça à belíssima apresentação do mestre destilador Tiago Sanches.
(Já agora bebam muito GinT que o vosso palato agradece e o Tiago também.ahahah)   


  

 

quarta-feira, 6 de maio de 2020

A safra pelo conteúdo, no regresso do Clube

Lima de Freitas, gravura para o livro Olhos de Água de Alves Redol

É curioso que o Jorge tenha apresentado a sua paixão, o neorrealismo português, já em processo de deixar de trabalhar no Museu do Neo-Realismo. Foi na passada quarta-feira, na primeira reunião da quarta temporada do Clube dos Pinguins, que decorreu pela primeira vez sem ser na cave. Não houve frio, calor, luz, fumo, cerveja, vinhos iguais para todos, foi cada um com o seu/a sua, em sua casa, a olhar para um ecrã de computador ou de telemóvel. Mas o que importa é a partilha das paixões, o que é que interessa a forma?

O que interessa é o conteúdo. A paixão, neste caso.

Tendo nascido em Vila Franca de Xira – um dos epicentros do neorrealismo – e vivido em S. Mamede de Infesta – onde está desde a juventude do Jorge a Casa-Museu Abel Salazar – pode dizer-se que é natural que esta paixão se desenvolvesse em alguém que se interessa pelas artes e pela cultura. Nesta jovem vida entre cidades (há nele uma paixão enorme por Lisboa, também), o Jorge descobriu um título que o podia descrever “Nasci com um passaporte de turista” aí pelos 14 anos, quando começou a ler – nas palavras dele –o livro o introduziu ao neorrealismo. Ainda no Porto.
Seguiram-se o “Gaibéus”, a descoberta do Carlos de Oliveira num poema da Antologia da Poesia Portuguesa do Eugénio de Andrade nas sessões de poesia do Pinguim.
Entretanto, em Vila Franca, onde ainda o ar guarda um cheirinho a domínio pela aristocracia rural, ao neorrealismo não era dado o destaque que o Jorge entendia que deveria ter, com a exceção do Museu do Neo-Realismo.
O fascínio ganhou, entretanto, contornos de paixão quando o Jorge deixou o Porto e, especialmente, o Pinguim. “O distanciamento fez-me perder vida cultural, tinha conversas que deixei de ter”, contou-nos, e no Museu do Neo-Realismo, com as suas publicações e exposições – “vi uma do Cunhal e fiquei doido com a capacidade de desenho de um homem que não tem formação em arte, a inteligência… e vi outras” – que motivaram a sua tentativa de sair do pelouro do turismo, onde trabalhava. “Consegui chegar ao Museu do Neo-Realismo”.

Rewind. Quem é que se oferece para escrever um post sobre a paixão de um grande amigo? Voluntarismo palerma!

Uma das coisas que aprendi com o Jorge nesta apresentação é que o neorrealismo só foi verdadeiramente conhecido depois do 25 de Abril, de tal forma foram perseguidos e censurados os seus representantes. Impedidos de publicar e de ensinar, os artistas que nasceram para a criação artística com o marxismo, a comuna de Paris e, sobretudo, a revolução popular na Rússia de 1917 foram considerados inimigos da imagem que o regime queria dar de si próprio e dos portugueses.
Com isso, nomes maiores da arte portuguesa ou feita em Portugal acabaram por ficar num segundo plano onde ainda hoje, nalguns casos, ainda estão confinados. Nomes como o de Afonso Ribeiro, quem conhece? Ou João José Cochofel ou Joaquim Namorado? Claro que Alves Redol, um dos mais completos escritores, Fernando Namora – em parte por causa da série televisiva Retalhos da Vida de um Médico – e parcialmente Carlos de Oliveira, por causa da poesia e do filme Uma Abelha na Chuva, chegarão a mais gente mas há um esquecimento que o Museu do Neorrealismo e o Jorge, em todas as ações públicas e com todas as pessoas que conhece, tenta dissipar. Como nesta sessão primeira da nova série do Clube dos Pinguins.

Quem é que se lembra de se oferecer para escrever os diálogos da quarta temporada de uma série de sucesso, a sério quem? E em isolamento, com a cabeça em água?

Seria curioso fazer esta sessão no campo, pegar em ferramentas e conversar sobre a vida, sobre o nosso dia-a-dia e encontrar aí a arte. Como o fez Alves Redol, como o fizeram os neorrealistas, os escritores, os pintores como o brasileiro Cândido Portinari, que quando veio a Portugal – por causa de um trabalho alinhado na Exposição do Mundo Português e a visão do Regime – foi ver a Lezíria, a terra do trabalho. E aí poderíamos perguntar ao Jorge, como Portinari perguntou a Mário Dionísio e Redol: “isto é tão bonito, os vossos pintores não pintam isto?”
Alguns sim. E pintavam o rosto do trabalho. E esculpiam, enquanto o deixaram José Dias Coelho - até ser assassinado. E desenhavam. E escreviam, como Soeiro Pereira Gomes que na Alhandra encontra os esteiros e as crianças que trabalhavam, explorados, os “filhos dos homens que nunca foram meninos”.  E até filmaram, o Manuel Guimarães – que por isso acabou na miséria – ou o Fernando Lopes, que com uma linguagem diferente filma, contudo, o Uma Abelha na Chuva – ou os italianos, mas isso é outra história. Ou levaram ao teatro, como Bernardo Santareno, ou a música maior de mestre Lopes Graça.

E é assim? Acabas assim? Sim. Tenho 8700 caracteres de notas que disponibilizo a quem quiser e o Paulo tem o vídeo no Zoom, é só pedir. E deixo uma música que sei que o Jorge gosta.



segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Da Ditadura à Democracia: uma abordagem conceptual para a libertação, sobre estratégias de luta contra ditaduras

E na última edição do Clube dos Pinguins uma sessão houve, cuja data não me recordo, onde a Olga nos apresentou o livro Da Ditadura à Democracia: uma abordagem conceptual para a libertação, sobre estratégias de luta contra ditaduras de Gene Sharp. A influência que teve desde que foi escrito em 1993 foi imensa, tendo inclusive inspirado a primavera árabe. O medo provocado em alguns regimes continua neste momento, tendo hoje começado o julgamento de 15 ativistas angolanos acusados de tentarem iniciar uma rebelião contra o governo de José Eduardo dos Santos, tendo a "prova" sido terem lido este livro, daí me ter lembrado de finalmente escrever um post acerca desta sessão, com um "ligeiro" atraso :)

Aproveito para partilhar uma série de vídeos gravados hoje no São Luiz Teatro Municipal de várias personalidades (Ricardo Araújo Pereira, por exemplo) a lerem excertos do mesmo livro e, já agora, a última edição do mesmo, em PDF. É de salientar que a editora Tinta da China editará o livro até ao final do ano, em português!

domingo, 17 de março de 2013

Uma imagem acutilante de um tal de video mapping...

Antevia-se... era noite de voos mais altos... a pista encontrava-se desempedida e todos nós estávamos de cinto apertado, prontos para voarmos com o Águia, numa noite já de si dedicada à partilha de mais uma paixão. Em voo rasante, chegou até nós uma ideia de um tal de video mapping. Muitos, inclusivamente eu, questionavam-se do que seria tal coisa pois o conceito não se encontrava introduzido na algibeira dos nossos conhecimentos, e pelo menos muitos de nós não estaríamos a ver muito bem que raio de "bicho" era aquele e, como tal, haveria que começar a definir o conceito. Mas como diz o ditado popular que tenho ouvido recorrentemente, primeiro estranha-se depois entranha-se. E aí está... era noite... mas fez-se luz...

Começámos de forma exemplar com um dos trabalhos do Águia. Como um pai que apresenta o seu filho, o mestre Águia ia descrevendo, pausadamente, o seu trabalho de forma efusiva. O gosto do Águia era por demais evidente e vinha à tona. Claramente estávamos perante uma verdadeira paixão. E como ele dizia... nada melhor do que fazer dinheiro com o que se gosta verdadeiramente de fazer.

Confesso que já teria assistido a um destes espectáculos via televisão, mas o meu pensamento nunca foi clarividente ao ponto de pensar que haveria gente a ganhar a vida com projecções de imagens sobre edifícios.  
E surpresa das surpresas... o voo viria a ser interrompido por outro tipo de luzes... estas bem azuis e de lápis e caneta nas mãos. Bastaram as palavras "polícia" e "multar" para que o pânico se instalasse na sala. Mas bastou pouco tempo para a normalidade vir a ser restabelecida com um "ip ip urray", uma vez que toda a gente tinha saído "ilesa", e ainda não seria desta que os "homens de farda" sairiam vitoriosos.

A projecção de vídeos continuou, e video após video os olhinhos do Águia mostravam um brilhozinho latente. Na verdade, a mistura de cor e luzes que se faziam projectar na tela fascinavam igualmente a multidão que se agrupava na cave do pinguim... e, como tal, a sensação de tranquilidade se espalhava e fazia companhia a cada um dos presentes... Na verdade assistíamos à projecção da projecção, e isso nos deixava algo inquietos por não termos tido a possibilidade de estar in loco nos eventos que se apresentavam no ecran...
Achei a sessão fenomenal, e pelo conjunto de palmas que se fizeram ecoar naquele cantinho e "sede" do Clube dos Pinguins o resto dos espectadores também tiveram a mesma opinião...           

Caros leitores atentos... para finalizar, nada melhor do que uma saída à Águia...

... Cheers!!!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Uma noite M&M (de Mágica e Memorável)

Arrisco-me a dizer que foi, provavelmente, a melhor noite a que o Clube dos Pinguins já assistiu. E incrivelmente, só estavam cerca de meia dúzia de "pinguins", uma vez que o resto da plateia havia sido angariada pelo apresentador da sessão: Hugo Valter Moutinho.

Levo também esta sessão dos pinguins na memória, por ser algo que eu desejava (tantas vezes insisti eu com o Hugo Valter!!), mas nunca pensei que ele tivesse a coragem de convidar o pai a vir ao clube imitar o "Guarda Xerôdio" dos Amigos de Gaspar e contar como era estar sempre a levar coça da sogra na célebre série dos Andrades.

E posso assegurar que foi ainda melhor do que eu alguma vez imaginei!! 

O pai do Hugo Valter, aka M&M, Mário Moutinho, é um conversador nato e fez da noite do Clube dos Pinguins uma das mais longas, divertidas e interessantes de que há memória. Numa espécie de "stand-up" improvisado, contou-nos as peripécias da sua longa carreira de actor, desde os tempos de teatro, colaborando em inúmeras companhias, passando pelo Teatro de Marionetas do Porto,  pela TV (A Árvore dos Patafúrdios, Amigos de Gaspar, Andrades, etc) , e pelo cinema (Cinco Dias, Cinco Noites, de José Fonseca e Costa, Viagem ao Princípio do Mundo, de Manoel de Oliveira, Jaime de António-Pedro Vasconcelos). Não foi à toa, portanto, que Mário Moutinho chegou a presidente e director artístico do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica), onde desempenha actualmente as suas funções. 


A noite passou a voar e prolongou-se muito para além da hora habitual de fecho das sessões pinguinas, mas posso dizer que valeu bem a pena para conhecer esta faceta do actor Mário Moutinho: um autêntico One-Man Show.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

' O Cinema de Tó Rodrigues'


Confesso que ponderei muito bem como iria escrever este post para que dignificasse ao máximo esta sessão que o Tó nos presenteou com o ‘seu cinema’!... e que belo ‘cinema’! Não é que eu já não soubesse que andava a perder o meu tempo com muito filme mauzinho, mas agora fiquei iluminada!!!
Creio que quando um de nós tem a sua visão do cinema, tal como a vivenciou, mas de certo que todos ficámos admirados com a viagem do cinema que nos foi apresentada na última quinta-feira (23 de Novembro de 2012). E como se de uma viagem mágica se tratasse, o Tó fez-nos cruzar os percursos do cinema anti-narrativo (que confesso ter sido aquele que me interessou mais, dado que tive uma epifania após ver o Ashes and Snow [http://www.ashesandsnow.org/en/home.php]), maldito, de humor, musical e westerns bem como o cinema decorrente das variantes artísticas do expressionismo alemão e surrealismo.
Para os que tiveram a infelicidade de não poder vir, deixo-vos aqui a timeline da sessão apresentada, bem como um clip do Ashes and Snow para ‘abrir o apetite’ a quem não esteve … Now… Let’s Look at the Trailer!!!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

É a primeira vez que escrevo aqui por isso vai sair asneira... ah sim, e isto a propósito de dois filmes, bilhar, poker, whisky, drogas e uma revista pornográfica


Como era o mundo antes e depois da cientologia? Quantos quilómetros vão de Atlantic City a Atlanta? O que é que o Tom Cruise aprendeu do Paul Newman como actor? O que é que o Paul Newman aprendeu do Tom Cruise como jogador? Jogar à bola oito ou à bola nove? Hustler significa xico-esperto em inglês? Estas são algumas das interrogações que poderiam ter resposta por parte de quem teve a oportunidade de assistir às duas últimas sessões do Clube dos Pinguins. Do you feel lucky?

Dois filmes, duas cidades, duas garrafas de Whisky. E a senhora Merkel que está cada vez mais gorda. Naquele tempo - nos anos 60 do primeiro filme - os protagonistas tinham nomes assim, Fast Eddie, Dirty Harry... Naquele tempo Marcello Mastroianni popularizava o Martini Man de óculos escuros e sorriso de assassino. Naquele tempo, Paul Newman fazia cara feia e tinha explosões de raiva. Naquele tempo Angela Merkel já era gorda e queria ter a superfície esférica de Helmut Khol. Naquele tempo Marcello Mastroianni levava Catherine Spaak a comer umas bolas de berlim. Naquele tempo o mais parecido que o Paul Newman conhecia de Merkel era a bola nove. E havia mar... e luar... e o Jazz é que estava a dar... E depois veio Tom Cruise e estragou tudo. 

E o número do totobola desta semana é...

sábado, 29 de setembro de 2012

Informação que nunca mais acaba!


Procrastinar... Esta “acta” tem sido vítima da procrastinação de forma desavergonhada!!
Foi numa longínqua noite de Maio que o André nos mostrou os seus “sítios” favoritos para por em prática a arte de procrastinar !!

Senhoras e Senhores Pinguins, os "Usenet Groups"!!

A Usenet é uma das mais antigas redes de comunicação por computador. Foi concebida em 1979 e tornou-se pública em 1980, na Universidade da Carolina do Norte, mais de uma década antes da World Wide Web ter sido desenvolvida.
Usenet (do inglês Unix User Network) é um meio de comunicação onde os utilizadores publicam artigos em fóruns que são agrupados por assunto (newsgroups). Ao contrário das mensagens de e-mail, que são transmitidas directamente do remetente para o destinatário, os artigos publicados nos newsgroups são transmitidos através de uma extensa rede de servidores.

E agora, que já todos os Pinguins percebem do que falava o André quando iniciava a sessão, procrastinem (é tão bom, que devia ser pecado) o quanto vos apetecer!!

A selecção do Pinguim responsável pela noite de 24 de Maio (que demonstrou um fraquinho mais forte pela última sugestão):



terça-feira, 25 de setembro de 2012

My Kid Could Paint That

E no longínquo dia 15 de março o Hugo Pereira falou-nos de arte através do caso da Marla Olmstead. É uma miúda que aos quatro anos de idade consegui fama internacional graças às suas supostas capacidades artísticas quasi-Pollock.
Tudo corria bem até ao dia em que é alvo de uma reportagem do programa "60 Minutes" e nela é levantada a possibilidade da autoria ser conjunta com o seu pai. Segue-se uma desvalorização dos quadros, tentativa de novamente ganhar a confiança do público (através de um DVD making of), mas de novo dúvidas são levantadas, desta vez pelas mãos do filme documentário "My Kid Could Paint That" (que foi quase todo exibido na sessão).
Basicamente os quadros comprovadamente dela (aqueles cujo processo de pintura foi registado em vídeo) parecem ter um estilo diferente daqueles cuja autoria não é tão clara. Por outro lado, é questionável a imparcialidade de ambos os documentários, suscitando a dúvida de os produtores estarem a tentar conseguir mais audiência.
A reação dos pais dela tanto aos "60 Minutes" como ao "My Kid Could Paint That" fez-me lembrar imenso a reação do casal McCann quando é constituído arguído. Acresce em ambos os casos o facto de o público formar uma opinião sobre a culpa dos pais com base na visão transmitida pela comunicação social, sempre sujeita a editorialização.
Contudo outra questão levantada nesta sessão prende-se com o valor atribuído a uma obra de arte. Que credibilidade têm os críticos? Um risco numa tela é uma obra de arte? Uma pintura feita por um elefante é uma obra de arte?
Uma boa discussão destas perguntas vem precisamente de uma das últimas paixões que trouxe ao Clube dos Pinguins: as conferências TED. Refiro-me a esta apresentação, que refere o caso da Marla:


Uma das características apontadas é a história do objeto. Os quadros alegadamente de Marla não sofrem alterações físicas, mas perdem valor perante suspeitas sobre a sua história.
E a sessão chegou ao fim sem respostas. E ainda bem. São as diferentes perceções de valor que fazem as ações subir e descer. E o mesmo se pode dizer do mercado imobiliário. E dos vinhos. E de umas colunas ou amplificador hi-fi...

sábado, 30 de junho de 2012

Um café e um... cigarro

O que aconteceria se juntássemos Roberto Benigni, Steve Buscemi, Iggy Pop, Cate Blanchett e Bil Murray num filme? Isso é Coffee and Cigarettes!!

Coffee and Cigarettes é um filme de 2003, com argumento e realização de Jim Jarmusch, que consiste num conjunto de 11 curtas-metragens (a primeira das quais filmada em 1986), onde diferentes personagens discutem à volta de uma mesa sobre vários assuntos, acompanhando a conversa com café e cigarros.

Nada mais simples... e ao mesmo tempo, tão cómico e brilhante.

As conversas giram em volta de assuntos banais, como a criação de gelados de cafeína para crianças, o uso de nicotina como inseticida, a ideia de que o Elvis Presley tem um irmão gémeo, etc... tudo conversas que qualquer comum dos mortais podia ter em volta de uma mesa, onde habitualmente se deita conversa fora, falando sobre tudo e ao mesmo tempo, sobre nada.

O André apresentou-nos este filme na sua sessão do já longínquo 16 de fevereiro e confessou-nos que esta é uma das grandes paixões dele: estar simplesmente numa mesa com amigos a conversar, entre café e cigarros e sentir o tempo a voar. Dolce far niente... :D

sexta-feira, 11 de maio de 2012

HISTÓRIA DO SÁBIO FECHADO NA SUA BIBLIOTECA

Era uma vez um Sábio que tinha lido todos os livros e sabia tudo. Nada do que existia, e mesmo do que não existia, tinha para si segredos. Sabia quantas estrelas há no céu e quantos dias tem o mundo. Conversava com os animais e com as plantas e conhecia o passado, o presente e o futuro. Como sabia todas as coisas e não tinha nada para saber e conhecer, a sua vida era muito triste e desinteressante. Era uma vida sem espanto…

O Rui Spranger apresentou-nos uma das suas maiores paixões, promovendo uma sessão extra da peça "História do Sábio Fechado na sua Biblioteca", exclusiva para o Clube dos Pinguins, amigos e conhecidos (que grande nível!! ahah).

Com texto de Manuel António Pina, encenação de João Luiz e brilhante interpretação de Rui Spranger, a peça deixou-nos a todos colados do início ao fim, quer pela história interessante e ambígua que conta, quer pela quantidade de personagens e vozes em que o Rui se tem de desmultiplicar. Um verdadeiro "one-man show", vos garanto!!

Embora destinada a um público mais jovem (M/6 anos), a história leva-nos numa viagem esquizofrénica à mente do sábio e ao confronto dele com o saber dos livros, com as experiências da vida e com a própria morte. O Rui disse-nos depois que o texto tinha sido escrito por Manuel António Pina, enquanto estava internado no hospital e quicá, a delirar. Ainda bem, porque resultou num texto excelente!!

No final, tivemos a oportunidade de estar numa conversa animada com o ator e com o encenador, acerca das ambiguidades na interpretação do texto e das mensagens que a própria peça transmite, seguindo depois para o nosso local "sagrado" eheh.

E lá então, pudemos ser sábios por uns instantes, fechados no nosso Pinguim a desgustar umas belas dumas cervejas.


Já agora, ficam aqui as próximas sessões, para quem não teve oportunidade de assistir:
Sábado, dia 12, às 16h00 e às 21h30
Domingo, dia 13, às 16h00

Contactos:
Teatro da Vilarinha
Rua da Vilarinha, 1386
Tel: 226108924

quarta-feira, 9 de maio de 2012


            Viagens no tempo    
Desta vez, tinha mesmo de ser eu a escrever o post. Por três razões: em primeiro lugar porque já não escrevia há anos – uma vergonha; em segundo lugar porque o Hugo, antes de começar a sessão, perguntou quem seria o voluntário enquanto me atirava um olhar irresistível, com as pupilas dilatadas; e, em terceiro lugar, porque eu não consigo realmente imaginar tema que me fascine mais. Quem me conhece sabe disso, e o Hugo sabia: umas horas antes da sessão, para me convencer a não faltar, enviou para o meu gtalk duas palavras-chave: “Quantics… Heisenberg… aparece!”. E eu fui logo a correr.
            Na verdade, a sessão consistia num documentário sobre viagens do tempo. Portanto, o Heisenberg e a mecânica quântica só apareciam lá para o fim; o protagonista clássico deste assunto, como toda a gente sabe, é o Einstein. Mas tudo bem, não me senti defraudado.
Acima de tudo, como sempre, foi uma sessão divertida. Até teve um certo tempero sexual: alguém desconfiou, a dada altura, que o documentário tinha sido disponibilizado por um canal suspeito, um tal «Ânus TV» que, alegadamente, apareceu listado no ecrã do portátil do Hugo (não posso confirmar isto, não vi com os meus próprios olhos). Mas a ideia não é totalmente descabida: de facto, a teoria da relatividade geral é cheia de buracos negros, túneis, alongamentos do espaço, comprimentos e geometrias, etc, etc... :)
Agora a sério: o que eu achei do documentário? Bem intencionado, mas fraquinho. Demasiado sensacionalista e, pior ainda, muito impreciso. Não era a plausibilidade das teorias ou o aprofundamento teórico da temática que estavam em causa. Tudo tinha de ser equacionado em termos de uma utilidade prática: afinal de contas, quanto tempo é que ainda vamos ter de esperar até podermos comprar um bilhete (económico) para o futuro ou para o passado? Em suma, o documentário parecia realizado por uma criança histérica acabadinha de sair de uma sessão do “Regresso ao Futuro”. Mas o pior, como eu dizia, foram os erros técnicos. Só um exemplo: a dada altura, era preciso ilustrar o modo como os objetos com massa deformam o tecido do espaço-tempo, deformação que, por sua vez, cria alterações na trajetória (até) da própria luz. E eis, então, que uma animação colorida nos mostra um feixe de luz a dirigir-se diretamente para uma estrela, a desviar-se radicalmente quando chega à imediação da estrela (como se esta tivesse um escudo), a contornar a estrela num semicírculo perfeito e, por fim, já do outro lado, a retomar a sua trajetória original. Pessoalmente, nunca ouvi falar em luz que saiba contornar obstáculos (a não ser talvez através dos meta-materiais investigados pelos militares para se criarem «mantos da invisibilidade», mas isto não é para aqui chamado). Tenho a certeza que até os cientistas entrevistados para o documentário devem ter ficado embaraçados quando viram – se é que viram – a animação de que eu acabei de falar.
Não quer dizer que não haja documentários do género igualmente apelativos, igualmente sensacionalistas, mas rigorosos. Não posso deixar de fazer aqui uma pequena lista. Duas das minhas minisséries favoritas são narradas por dois físicos conhecidos: Stephen Hawking (que dispensa apresentações) e Brian Greene (um dos cérebros por detrás da teoria das cordas). Estes dois senhores são grandes cientistas mas também grandes divulgadores da ciência para leigos como nós. E as suas minisséries são respetivamente:    
“Master of the Universe – A Brief History of Time”, de Stephen Hawking (2 episódios).
“The Elegant Universe”, de Brian Greene (3 episódios).
É claro que o ideal seria lerem os livros dos autores (que estas séries tentam sintetizar). Aqui vai uma lista dos livros que eu aconselho:
Hawking, Stephen, “Breve história do Tempo Ilustrada” (1996) – provavelmente o livro de divulgação científica que mais me influenciou até hoje, mas tem um problema: está já muito desatualizado.
  Hawking, Stephen, “O Grande Desígnio” (2010) – o seu livro mais recente. É pena que, neste livro, ele já não esteja tão otimista quanto a certas possibilidades e a certas respostas. Em última análise, a impressão que fica é que cada vez sabemos menos. (Eu sei que há muita gente que adora o sentido poético desta conclusão, mas eu prefiro manter-me otimista).
Greene, Brian, “O Universo Elegante” (1999) – Delicioso. Sobre as grandes questões e as grandes respostas.
Greene, Brian, “O Tecido do Cosmos” (2004) – Um pouco mais pessimista que o anterior, mas também delicioso e lê-se com facilidade. Para fazerem uma ideia dessa «delícia», o livro tem quase novecentas páginas e eu consegui lê-lo em quatro dias, estendido ao sol numa praia alentejana. Dias maravilhosos.  

Bem, este post já vai longo…
            Para terminar, mando aqui o meu abraço ao Hugo. Obrigado pelo modo fascinado, divertido e despretensioso com que nos trazes as tuas paixões.

Até para a semana a todos (se o tempo e o espaço deixarem).

Filipe

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Bem vindos ao Norte! ( Bem bindos ao Nuarte!)



Numa noite fria de véspera de feriado a  Alexandra aka Xanoca presenteou-nos com uma bela surpresa, o filme "Bienvenue chez les Ch'tis" de Danny Boom. Este não é um filme qualquer pois tornou-se um fenómeno de audiências em França sendo o segundo filme mais visto depois do Titanic.(!!!!!!!!)
Depois de conhecermos esta informação as expectativas eram altas, mas não foram goradas, esta obra da sétima arte  arrancou-nos sorrisos e gargalhadas genuínas! Houve até que chorasse de tanto rir! (não digo quem, nem aponto)
Cá vai uma pequena sinopse, à la Carmuue:
Para bem da felicidade matrimonial, Philipe Abrams, chefe de um posto de correios, candidata-se a um lugar numa paradísiaca cidade da Riviera francesa...usando os expedientes mais radicais... Como é apanhado mais depressa um mentiroso que um coxo (ou um paralítico?)...o plano de Philipe é exposto e como punição é enviado para a longínqua e setentrional cidade de Bergues. Espera-o um cenário dantesco: um clima gélido e inclemente, costumes bárbaros e locais (os ch'tis) constantemente embriagados que dialogam num linguajar insondável (Ch'tis ch'tis ch'tis ch'tis ch'tis)... Protegido por camadas e camadas de roupa super-isolante, Philipe deixa mulher e filho para penosamente cumprir o seu castigo rumando a norte, para o seu inferno pessoal... mas eis que quando lá chega...
Ah pois, não vou contar mais! era o que faltava! só acrescento uma citação:  "um Sulista chora duas vezes quando vem ao Norte, quando chega e quando se vai embora".
A visualização do filme tornou-se ainda mais interessante e colorida pela discussão que se seguiu: a inevitável comparação com as diferenças culturais entre o Norte e o Sul deste nosso país à beira-mar plantado (os sutaques, as cumidas, as bubidas e as práticas sociais) enfim, o quanto o Sul desconhece o Norte e... vice-versa?
...para não falar de uma quasi-sanguinária controvérsia sobre "onde começa o Norte" que se prolongou até ao dia seguinte...
Já agora um detalhe super-fofinho: o filme é dedicado à mãe do realizador que era uma Ch'tis.
(ainda não perceberam o que é um Ch'tis? toca a (re)ver o filme!)

Merci Bien Xanocá!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Próxima sessão dia 26 de Abril!

Caros pinguins e Caras pinguínas, na próxima semana o clube vai mudar de tasco!
A sessão vai ser no Bar do Mundo, na rua Mouzinho da Silveira nr 234. 
Seria trés simpatique se a sessão pudesse começar pelas 22h ;) 
Cá vai, em jeito de teaser:
http://www.youtube.com/watch?v=5vAbdxTcRgU&feature=relmfu

quinta-feira, 29 de março de 2012

Max Richter


E uma quinta-feira o Águia esvoaçou até à cave para nos dar a conhecer Max Richter, este senhor aqui em baixo...

Trata-se de um compositor Britânico de origem Alemã. Estudou composição e piano na Universidade de Edimburgo e fundou, após ter terminado os estudos, o Piano Circus, com mais cinco pianistas. Participou neste projecto durante dez anos, primeiro como pianista e mais tarde como compositor.

Em 2002 lança o seu primeiro álbum a solo, Memoryhouse onde explora histórias reais e imaginárias criando um estilo de música experimental que denomina de “documentary music”. Seguiram-se The blue notebooks (2004), Songs from before (2006), 24 Postcards in Full Color (2008), From the Art of Mirrors (2009) e Infra (2010).

Max Richter foi também responsável pela banda sonora de filmes como “Valsa por Bashir”, “Shutter Island”(entre outros).

Nas suas músicas Max Richter usa samplers de origens variadas: sons de ambiente, vozes e leituras de textos (Kafka, Murakami,...).

Da (falsa) simplicidade do som do piano a solo até à sumptuosidade de uma orquestra, todas as músicas deste compositor têm uma capacidade em comum: gerar emoções.

Pois não é essa a função da arte? Oiçamos então arte!

Deixo-vos um -mui pessoal, umbiguísta e de (in)questionáveis critérios- cardápio de músicas e sensações:

“On the nature of daylight” o dia chega cheio de nostalgia e inquietação…

“Embers” transporta-me em melancólicos voos de serenidade…

O hipnótico “November” que me descompassa o coração e a respiração…

A beleza mesmerizante e sombria de “Sarajevo”…

A grandiosidade esmagadora de “Last days”…

Infra 5 – que me traz uma emoção que não lhe sei o nome e por isso inventei-lhe um: Soluptioso

Sr. Águia, muito grata pela partilha, sigo pela vida com o Memory House debaixo do braço e um caleidoscópio de emoções no regaço!

quarta-feira, 28 de março de 2012

J. R. R. Tolkien

No início da minha adolescência cheguei a jogar The Hobbit, que tinha sido lançado em 1982 e transpunha para o ecrã a ficção interativa, popularizada pela coleção Aventuras Fantásticas e outras. Acabou por ser o meu primeiro contacto com o mundo de J. R. R. Tolkien.


Em 1992 os GNR lançam o seu sexto álbum Rock in Rio Douro, do qual faz parte a música que ouvi vezes sem conta Sub-16, que diz:
E com dezasseis
Nunca se teve tempo de ler O Senhor dos Anéis
Só de uma vez
E durante bastante tempo cheguei a usar para fundo do ambiente de trabalho a imagem The Dark Tower, de John Howe, ignorante de que se tratava da sua conceção da torre Barad-dur. No secundário, também via o Silmarillion a circular entre os meus colegas metaleiros.


Foi assim crescendo a minha curiosidade pelo fabuloso universo de Tolkien, mas foi já na faculdade que dei o mergulho, precipitado pelo anúncio da adaptação da trilogia O Senhor dos Anéis ao cinema, numa megaprodução assinada pelo mestre do gore Peter Jackson. O meu objetivo era conseguir criar o meu próprio imaginário antes de qualquer contacto com o filme, sob risco de o contaminar, fosse mesmo apenas com um trailer. Ainda tive sucesso durante a leitura da Irmandade do Anel, mas nos seguintes livros já me era indissociável Frodo Baggins de Elijah Wood, assim como Gandalf de Ian McKellen.

Mas pouco sabia da vida «do primeiro geek» não fosse o Águia ter decidido presentear o clube com uma sessão sobre J. R. R. Tolkien.

Fiquei assim a saber que, apesar de Sir, não era inglês, antes tendo nascido em Bloemfontein, atual África do Sul e sido educado por um jesuíta. Que uma influência para a sua paixão como linguista foram os estranhos nomes das estações de comboio da linha que servia a sua casa. Frequentador de sociedades, a sua cultura estende-se ao conhecimento de inúmeras línguas, entre as quais finlandês, islandês, grego e latim! As suas obras acabam por permitir aplicar todo este conhecimento.

Mas muito mais pode ser aprendido vendo a sua excelente apresentação.



Eu por mim vou já adicionar o Silmarillion à minha lista de livros a ler, que o apetite foi aguçado!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Chilly para aquecer

E se de repente, ao passar na rua, alguém se dirigisse a nós pensando que éramos outra pessoa?
“Não, o meu nome não é Chilly, confundiu-me com alguém!”.
E foi mais ou menos assim que nasceu Chilly Gonzales…

Numa noite fria na cave que, às Quintas, é dos Pinguins, o Rui Spranger trazia na algibeira um pouco de Chilly para aquecer a noite.
Jason Charles Beck, canadiano a residir em Paris, começou a tocar piano aos três anos e fez-nos gostar um pouco mais de piano, naquela noite.

Chilly Gonzales Live with Radio Symphony Orchestra Vienna, não é só um concerto de um pianista acompanhado por uma orquestra proveniente da Cidade dos Músicos, é um espectáculo de um homem que transparece o quanto gosta do que faz, que brinca com a música como uma criança, e nos faz gostar de tudo o que vemos e ouvimos.

Um verdadeiro “one man show”, que se assume como entertainer, mais do que como artista, porque segundo as suas próprias palavras “um entertainer faz amor com o público e um artista apenas se masturba, pretende agradar a si próprio”.
É interessante ouvir a explicação na voz do próprio.

Com aspecto de louco, Chilly faz amor com o piano, namorisca com a orquestra e conquista o público, sem pretensões, em pantufas e despenteado, como se estivesse entre os melhores amigos.
Vale a pena acompanhar a carreira deste homem apaixonado. É por ser apaixonado pelo que faz, que nos fez a todos, naquela noite, apaixonar pelo trabalho dele. Tão apaixonado que devia ser Pinguim.